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Reportagens EDIÇÃO 46 - ABRIL 2011

Uma SOGRA para chamar de AMIGA


Alvo de piadas e chacota, nem sempre a sogra é considerada um fardo por seus genros e noras

Dificilmente alguém seja mais vítima de piadas, brincadeiras, pré-julgamentos e até ódio do que as sogras. Na cultura popular, ela costuma ser vista como um fardo a ser carregado e muitas vezes a palavra acaba por adquirir até um sentido pejorativo. Ditados como “Mais afiada que língua de sogra” são comuns e a chacota é constante, apesar de todo mundo saber que inevitavelmente, ninguém escapa dela, seja no namoro, no noivado ou no casamento. Mas a verdade é que essa figura tão importante na vida familiar na maioria das vezes não é nada do que o mito prega.
Que o diga o despachante documental, João de Moraes Paz, 53, que mora no mesmo terreno que a sogra, a aposentada Lorena Paiva Netto, 62, há 21 anos. “Nossa relação prova que nem todas as sogras são de difícil convivência. A minha, pelo contrário, posso considerar como uma segunda mãe”, observa. Do outro lado, Lorena enche-se de orgulho ao falar do genro. “Ele vale ouro. Desde que entrei com ele na igreja no dia do casamento com minha filha, o considero como meu filho também”, conta. A receita do sucesso dessa relação que costuma ser tão conturbada está em respeitar os limites de cada um.
Regra que também é seguida à risca pela nora, a dentista Adriana Bittencourt Netto, 43, que mora ao lado da dona Lorena. “Desde a época de namoro temos uma grande afinidade, tanto que somos confidentes uma da outra, sempre me aconselho com ela e ela comigo”, comenta Adriana que já soma 27 anos de convivência com a sogra. Formando uma grande família, sogra, genro e nora garantem nunca se desentenderem e em coro afirmam: “Relações familiares são delicadas, mas com carinho e acima de tudo, respeito à individualidade e privacidade de cada um, pode dar certo sim”.
RELACIONAMENTO – Para a psicóloga Joseane Arena, 35 anos de idade, sete de profissão, esse bom relacionamento contribuí também para o sucesso do casamento. “Em uma união não basta apenas aprender a lidar com o cônjuge. Um relacionamento ruim com os demais membros da família, especialmente sogros, cedo ou tarde poderá minar o matrimônio”, alerta.


Lorena com João e Adriane: respeito à privacidade de cada um garante um relacionamento tranquilo mesmo morando no mesmo terreno



Uma segunda mãe

Como nem tudo são flores, especialistas analisam no comportamento de algumas sogras, que costumam tumultuar mais o relacionamento com a nora do que com o genro. “Uma rainha do lar que sente que perdeu o trono com a saída de cena do filho casado pode, sim, virar uma verdadeira bruxa. A ideia de vazio e falta de utilidade, somadas às características femininas de cuidado e proteção, levam à sogra o desejo de extensão familiar. Isso, em muitos casos, faz dela uma invasora de território alheio”, observa Joseane. “Mas a sogra pode driblar esse tipo de sentimento vendo a nora como uma amiga, alguém que está ali não para ocupar o seu lugar, mas para assumir um novo papel na vida do filho”, ressalta a psicóloga Joseane.
Tendo uma relação desde os seus 14 anos com a sogra, a comerciária Juliana Jaeger Beckel, 37, se sentiu tão acolhida que vê a professora aposentada Irone Beckel, 67, como uma segunda mãe. Morando há cinco anos a uma quadra da casa da nora, Irone é presença constante na casa de Juliana, especialmente depois que nasceram os netos. “Desde o nascimento deles ganhei a chave da casa para visitá-los sempre que quisesse, ajudando assim na criação deles”, conta. Engana-se, porém, quem pensa que por isso ela pode educar as crianças como deseja. “Ela é uma avó coruja, por isso muitas vezes faz coisas que eu não faria, mas conversamos e com carinho e respeito tudo se resolve”, conta Juliana.


Juliana e Irone: cumplicidade até na hora de dizer o que não estão gostando



Casamento entre sogras

 Pode se dizer que na relação do vendedor Rodrigo Schlabitz, 36, e da bióloga Simone Silveira, 46, o equilíbrio reina, isso porque eles convivem com suas respectivas sogras. Casados há 16 anos, a mãe da Simone, a dona-de-casa Leia Silveira, 74, mora no mesmo terreno e a mãe do Rodrigo, Dida Schlabitz, 70, na casa em frente. “Cada um sabe bem como é ter a sogra por perto e que é preciso driblar qualquer inconveniente para manter a harmonia da família”, observa Simone, que por sinal garante que viver assim, próximo à mãe e à sogra não podia ser melhor.  “O melhor disso tudo é sempre ter alguém com quem contar e que está pertinho. A única coisa ruim na minha sogra é que ela não sabe assar uma carne e não toma cerveja”, brinca Rodrigo. Tanto para ele quanto para Simone para dar certo uma convivência tão próxima é preciso não cair na tentação de intervir na vida alheia. “Conversar, aconselhar e participar é natural, já quando há intromissão e tentativa de intervir nas escolhas do casal aí surgem os conflitos”, observa Rodrigo que garante que esse problema está bem distante da realidade deles.


Rodrigo e Simone mantêm o casamento sempre sob os olhos atentos de Dida e Leia



Como garantir um bom relacionamento

Sogra
- Respeite a intimidade do casal, é melhor ser mais ausente do que presente demais.

- Não tome partido das discussões, porque quando eles fizerem as pazes, um vai contar para o outro o que você falou.

- Contenha ao máximo sua natural curiosidade, primeiro sobre o passado do genro ou da nora e depois sobre o cotidiano do casal.

- Se os elogios não forem sinceros, é melhor não fazê-los.

- A avó deve seguir com o neto todas as regras da casa dele, mesmo aquelas que considera absurdas.
 
Genros e noras

- Procure falar no mesmo ritmo e tom de voz de sua sogra. Quando acompanhamos a timbragem de voz, geralmente a outra pessoa se sente mais acolhida.

- Seja curioso (a). Tenha interesse em saber mais sobre as opiniões, crenças e valores de sua sogra.

- Veja somente os lados positivos de sua sogra. Com certeza deve existir alguma coisa nela que seja admirável.

- Evite o silêncio. Se comunique.

Fonte: psicóloga Joseane Arena





O Dia da Sogra é comemorado em 28 de abril. Não esqueça de dar um abraço na sua, mesmo com diferenças, ela também tem qualidades.






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