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Reportagens EDIÇÃO 44 - JANEIRO E FEVEREIRO DE 2011

Pode me chamar de “boadrasta”


Histórias reais de bom relacionamento com madrastas mostram que de má elas não têm nada

Quando se fala em madrasta a primeira imagem que vem à cabeça é aquela mulher má dos contos infantis. O clássico da Branca de Neve se encarregou de criar esse personagem, entretanto, cada vez mais ele tem ficado só nas páginas dos livros. Na vida real, o bom relacionamento entre a nova integrante da família com os enteados é que ganha destaque e fez com que o nome madrasta saísse de cena para dar lugar ao boadrasta – para já deixar claro que de má elas não têm nada. “Mas esse termo só vale para quem realmente consegue ocupar seu papel e contribuir para o crescimento dos filhos emprestados”, defende a jornalista Janaína Sartório, 29, que vive uma relação de afeto, carinho e respeito com a nova esposa de seu pai, a atendente comercial Cátia Sartório, 34.
Convivendo desde os sete anos com essa figura nova na família, Janaína diz que só conheceu uma boadrasta quando aceitou Cátia. Mas essa descoberta demorou para acontecer e a aproximação das  duas não foi nada fácil, tanto que nem no casamento do pai Janaína compareceu. A história só ganhou novos rumos quando a mãe legítima passou mal tendo que ser levada ao hospital e foi a madrasta quem ajudou e fez o deslocamento. O gesto de bondade foi fundamental para que Janaína e também sua irmã começassem a ver a esposa do pai por outro ângulo, agora bem mais familiar. A união delas se fortaleceu tanto nesses 14 anos de convivência, que foi Janaína quem marcou um encontro entre Cátia e o pai para se reconciliarem depois de um desentendimento.
A receita do sucesso da relação para ambas é saber respeitar o espaço de cada uma. “Foi importante nunca querer ocupar o lugar da mãe, queria era ser amiga e estar sempre presente para ajudar. A recompensa é grande. Foi a Jana quem mais me apoiou quando, depois de várias tentativas de engravidar, resolvi fazer fertilização, e também quem me consolou quando vi que a tentativa não teve êxito”, conta Cátia. Em julho de 2009, ela finalmente engravidou e em novembro foi a vez de Janaína encomendar o primeiro filho. A troca de experiências durante a gestação e o nascimento dos filhos só nutre os laços de afeto dessas duas que com apenas cinco anos de diferença de idade mantém uma relação fraternal. “Hoje não tenho mais minha mãe, mas ganhei uma companheira e um pai totalmente diferente, muito mais amoroso, atencioso e presente. Aceitar que a vida dele precisava continuar e saber que o amor entre pai e filha é diferente do amor de marido e esposa foi fundamental para construir uma boa relação familiar”, comenta Janaína.



“Para um bom relacionamento basta mantermos o respeito e o amor, sem invasão de espaços” – ensina Cátia Sartório ao lado da filha Sophia e de Janaína com seu pequeno Augusto





Esquecendo as diferenças

O amor passa por cima de tudo. Nenhuma outra frase seria melhor para iniciar a história de Melissa Nietiedt, 29, e o enteado Vitor Boeck de Souza, 10. Morando há quatro anos com o pai de Vitor, ela conquistou a confiança até de Ana Boeck, a mãe legítima do menino. A relação desta família é tão boa que elas criam o garoto juntas, dividindo responsabilidades e momentos de atenção. Apesar da pouca idade, Vitor já sabe da importância da madrasta em sua vida. “Se um dia acontecer alguma coisa com minha mãe, eu quero ficar com a Melissa”, diz. Para ela, a receita de um bom relacionamento é além de não querer ocupar o lugar da mãe, respeitar, dar carinho e principalmente limites, já que o papel da madrasta não é fazer todas as vontades da criança para ser aceita e sim contribuir para o crescimento e educação dos enteados. “No nosso caso, até pelo Vitor ainda ser criança, é fundamental que eu tenha um bom relacionamento com a mãe dele e para isso basta não haver intrigas e desconfianças, e sim o amor que todos compartilham respeitando o espaço um do outro”, observa Melissa.

Melissa e Vitor: há quatro anos ela conquistou a confiança do menino que hoje não cansa de declarar seu amor












O meu querido “paidrasto”

Com tantas “boadrastas” pelo mundo, é claro que não poderia faltar o bom padrasto. O professor universitário e cirurgião dentista Rubem Beraldo, 44, vem desempenhando este papel muito bem. Casado há 14 anos com a cirurgiã dentista Carmen Lucia Macedo, 37, ele assumiu como sua filha a Gabriela Macedo desde seus quinze dias de vida. E foi quando chegou a irmã Marina Macedo, 11, que Gabriela começou a chamar Rubem de pai, como chama até hoje. “Mas na época justifiquei que só iria chamar ele assim porque não gostava do nome Rubem”, relembra Gabriela o momento engraçado dos dois.
O afeto de Gabriela e Rubem mostra que amor de pai e filha não está ligado ao sangue, mas sim ao bom relacionamento. “O sucesso dessa união é mérito do meu pai que sempre considerou que os filhos são diferentes, independente de ser biológico ou não. Com ele aprendi isso e também a sempre ter senso de justiça, independente da situação”, observa. A boa convivência da família transpareceu durante a entrevista que mostra que o que conta é o amor, respeito e carinho.


Gabriela ao lado de Rubem: família unida, família feliz










Dicas para um bom relacionamento

Madrastas/padrastos:
. Nunca tente ocupar o lugar da mãe/pai.
. Nunca force situações para agradar o enteado (a).
. Tenha sempre respeito.
. Tenha disponibilidade para conviver com o enteado (a).
. Seja tolerante, respeitando o tempo necessário do enteado (a) para sua aproximação.
. Nunca tente competir com o filho (a) pela atenção do pai/mãe.

Enteados (as):
. Lembre-se de que o pai/mãe precisa dar continuidade em sua vida sentimental.
. Respeite acima de tudo.
. Sempre deixe claro o que espera da madrasta /padrasto.
. Lembre de que a relação com seu pai/mãe será eterna.
. Procure sempre manter um bom relacionamento com o pai/mãe.

Fonte: psicóloga especialista em Gestão de Pessoas
Cecília Chaves, 40 de idade, sendo oito de profissão






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Edição 134 - abril de 2019

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