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Reportagens EDIÇÃO 44 - JANEIRO E FEVEREIRO DE 2011

Um nome pra lá de estranho!


Criatividade demais na hora de dar o nome ao filho pode transformar a vida dele num tormento

Nazi... o quê? Naziozina! Não foram poucas as vezes que a aposentada Naziozina Tereza Bica de Quadros, 60, precisou repetir o seu nome para se fazer entender. “Mas isso só em registros formais onde sou obrigada a dizer meu nome completo, em outros casos já me identifico logo por Tereza, meu segundo nome”, conta. Ela é uma das tantas pessoas que sente constrangimento com a escolha dos pais. “Sempre senti vergonha pela estranheza do meu nome. Por volta dos 16 anos tive muita vontade de trocar e cheguei até a questionar minha mãe o porquê da escolha. Ela justificou que queria homenagear a minha avó que tinha a mesma alcunha”, diz ela que acabou desistindo da troca, mas não de se apresentar como Tereza. “Desisti do processo, pois sempre dou um jeito de driblar a apresentação do nome oficial, até nas assinaturas abrevio o Naziozina apenas com a letra n”, observa.
Assim como o caso de dona Tereza, não é difícil ouvir nomes diferentes por aí. As escolhas mais antigas costumam causar estranheza, já as mais recentes se encaixam melhor no lado dos exóticos. Seja como for, para muitos, o que não falta é criatividade na hora de escolher como o filho irá se chamar.  Segundo o oficial do Cartório de Registro Civil Clóvis Alberto Hahn, 45 anos de idade e quatro de profissão, não há nenhum impedimento legal quanto ao nome que os pais escolheram, independente de ser bizarro ou não. Porém o oficial do cartório pode barrar caso entenda que poderá causar grandes constrangimentos à criança. Nesse caso, os pais terão que alterar ou diante da recusa, o oficial encaminhará o caso para decisão do juiz competente.
De acordo com Clóvis Alberto, em Cachoeira do Sul a maior influência são os jornais locais e não novelas ou jogadores de futebol, como acontece em outras cidades. “A maioria das pessoas dá nome diferente aos filhos para que eles possam vir a aparecer na mídia cachoeirense”, observa. Se os pais ainda estão com dúvidas em relação ao nome do filho, pode-se buscar inspiração em livros específicos. Em qualquer livraria são encontrados esse material com milhares de sugestões de nomes e seus significados. Outra fonte de inspiração é a internet. Sites como www.pampers.com.br e www.brasil.babycenter.com se dedicam a ajudar os pais nesse momento um tanto confuso. Por sorte, os nomes exóticos ainda são minoria. Longe dos mais estranhos, os campeões de registros em 2010 na cidade são Ana, Luiza e Júlia para meninas e Arthur, Guilherme e João para meninos. Quem sabe aí já está uma inspiração? Nomes mais comuns, mas que não constrangem ninguém.



Tereza: revelação do nome



Naziozina só em documentos formais




Confira a lista dos nomes mais curiosos registrados em Cachoeira do Sul nos últimos cinco anos.

2006

Kalleby, Dieroldy, Kéllary, Eider, Hendry, Kemily, Aguines, Inry, Rhavena, Gwendolyn, Diorgynes, Cindél e Rikélme
 
2007

Amy Lee, Eyshila, Geeniel e Amaxisuel
 
2008
Yassodhara, Miuna, Mairon e Lean
 
2009
Katrielly, Luara, Stayner, Jimberlin, Keirrison, Shan, Wallax, Kerollayny, Aimée Junco, Ágabo, Thieggo e Igridiara


2010
Kayllon, Kemylyn Dhulyani, Nauhana, Jamilly, Rhaiq, Wendriam, Wésllem, Iaggo, Hadassa, Nasrrah e Taritza




ACERTE NA ESCOLHA

Para evitar problemas, escolha certo

Bullying poderia simplesmente ser mais um nome curioso vindo da criatividade dos pais, mas esse é o termo que denomina agressões físicas ou psicológicas de uma pessoa para outra, geralmente iniciado por crianças e adolescentes mais seguros de si que debocham de colegas mais tímidos. O bullying escolar normalmente inicia com os apelidos pejorativos, principalmente a partir de um nome estranho que o colega possa ter. Esse é apenas um dos problemas enfrentados por quem cresce sendo motivo de risada devido à alcunha exótica que carrega. Entretanto, os deboches não acontecem somente da infância, na vida adulta eles costumam seguir. Além deste, problemas como revolta contra os pais ou contra si mesmo podem surgir tirando a paz dentro de casa tudo por causa de uma má escolha.
Por isso, antes de tomar a decisão do nome que o filho terá, os pais devem estar conscientes. Saiba como acertar com as dicas da psicóloga Carin Ache, 33 anos de idade e nove de profissão.




Siga essas dicas:

. Faça uma lista acrescentando os nomes que considera mais interessantes.

. Evite nomes que remetam a lembranças ruins e analise se este não pode ser motivo de chacota.

. Leia o nome em voz alta e veja se dá boa sonoridade.

. Um nome diferente talvez até possa destacar a pessoa, mas cuidado com palavras exóticas.

. Cuidado com nomes de famosos. Lembre-se que seu filho ficará vinculado a outra pessoa.

. Cuidado com a composição do sobrenome, às vezes pode ficar bem estranho.

. Nomes como Carlos e Eduardo, por exemplo, são de grafia portuguesa. Cuidado para não trazer problemas ao seu filho acrescentando letras a mais como Carllos ou Eduarddo. Além de sempre ter que soletrar o nome, durante o processo de aprendizado será difícil para a criança entender porque se escreve assim.




Como trocar de nome?


Qual o seu nome? A resposta pode provocar estranheza e até espanto, mas um nome diferente não significa cruz pela vida afora. Se não virar motivo de orgulho pela originalidade, é só trocar. LINDA conversou com os advogados Rosana Azevedo, 51 anos de idade e 24 de experiência, e Vitor Betat Dalcin, 24 anos de idade e estreante na profissão.




. Qualquer pessoa, independente de ter um nome que causa constrangimento ou não, entre os 18 e 19 anos de idade pode solicitar a alteração. Todos têm este prazo de um ano para fazer a troca sem precisar de advogados ou fortes motivos, basta entrar com a solicitação no Cartório de Registro Civil. Antes da maioridade, é impossível fazer a troca de nome.

. Caso você tenha mais de 19 anos e só agora resolveu trocar de nome, é necessário entrar com uma ação judicial. Para isso é preciso contratar um advogado ou solicitar um defensor público, pois é ele quem vai encaminhar e acompanhar todo o processo. Normalmente, os casos aceitos são: quando a pessoa é testemunha em processo criminal e precisa trocar de nome para manter a segurança; quando o apelido utilizado é muito conhecido e a pessoa deseja acrescentá-lo à certidão ou substituir o primeiro nome; ou ainda quando causa constrangimento.

. Além dos documentos básicos como certidão de nascimento ou casamento, CPF, RG, comprovante de residência e testemunhas, você deve conversar com o profissional e relatar porque precisa realmente fazer a alteração. É necessário que haja um motivo real para que consiga ganhar o processo.

. Em casos óbvios de constrangimento, muitas vezes a audiência é até dispensada.

. Para quem está desanimado, pensando que o processo é demorado, pode mudar de opinião: a mudança é para vida toda e leva em média um ano.

. Não há um custo para fazer a troca, mas você vai ter gastos com advogados e com todos os documentos que terão de ser feitos novamente.

. Para minimizar esse valor, quem possuir baixa renda, pode entrar com uma ação pelo judiciário público.







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