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Reportagens EDIÇÃO 41 - OUTUBRO 2010

De volta ao lar


Qualificação profissional. Boa aparência. Espírito de liderança. Carreira pretendida: dona-de-casa. Salário a combinar.

Logo que conquistaram o direito de trabalhar fora de casa, buscar uma boa colocação profissional era o sonho da maioria das mulheres. Hoje esse desejo de ter uma carreira brilhante deixou de fazer parte da lista de prioridades de muitas que enxergam sua realização em uma vida dedicada ao lar, aos filhos e ao marido. Tudo porque a guerra entre os sexos já não é ferrenha como no passado. Naquele momento de afirmação de direitos e busca de igualdade ela era mais necessária. Agora a mulher já provou que pode alcançar o sucesso na profissão e os homens deixaram de ser vistos como inimigos nesse campo e passaram a ser aliados.
De acordo com a psicóloga Joseane Machado Arena, 35 anos de idade e sete de profissão, esse perfil de mulheres que resolvem dar um tempo ou abandonar a carreira para se dedicar à vida em casa é fruto de um novo comportamento. “As mulheres aprenderam a escolher o que lhes faz feliz, mesmo que isso signifique assumir um papel tão tradicional como o de ser dona de casa”, observa. Formada em psicologia, Gleice Coelho, 38, é exemplo desse estilo de vida rebuscado do passado. Ela optou por dar um tempo na profissão para se dedicar somente ao cuidado da casa, dos filhos Pedro, 7, e Sophia, 4, e também do marido, o oftalmologista Rodrigo Coelho, 39. Mas essa decisão não foi tomada da noite para o dia, foi amadurecida por um bom tempo, tanto que o fechamento do consultório só aconteceu quando Sophia já estava com dois anos.
“Desde que tive o Pedro pensava em parar, mas é uma decisão difícil, tinha dúvidas, então tentei adequar minha agenda às necessidades dele, já que minha profissão me permite isso. Depois da segunda gestação, consegui conciliar o papel de profissional, esposa, dona-de-casa e mãe até os dois anos da Sophia e então vi que era hora de parar”, conta Gleice. Há dois anos afastada da carreira, a psicóloga diz não se arrepender, mas que ainda pretende retomar suas atividades profissionais. “Sei que poder ficar em casa é um privilégio, quase um luxo, e para quem pode, aconselho. Afinal, esses primeiros anos da vida são fundamentais para a criança construir sua personalidade”, observa.
DECISÃO - Se por um lado ficar somente em casa traz o conforto de estar sempre perto da família e poder acompanhar o crescimento dos filhos, por outro, a independência da mulher ficará prejudicada. “É preciso trabalhar bem essa decisão, afinal, nem sempre é fácil ser sustentada pelo marido, ainda que dinheiro não seja problema”, diz a psicóloga Joseane Machado Arena. Por isso, é preciso que o casal decida em conjunto. “Parar de trabalhar é uma decisão que mexe com toda a família, então precisa ser tomada pelo casal. Vinda somente do homem, a mulher pode se sentir oprimida. Partindo somente dela, ele pode deixar de admirá-la ou se sentir superior em sua posição de provedor financeiro”, ressalta.


Gleice com Pedro e Sophia: carreira só deve ser retomada quando os filhos estiverem na adolescência






Dona-de-casa, sim. Amélia, não!


Donas de casa, elas concordam em ser chamadas assim, mas nem pense em rotulá-las de Amélia, termo que ficou conhecido por causa do samba “Ai, que saudades da Amélia” e que dizia no refrão “Amélia não tinha a menor vaidade, Amélia é que era mulher de verdade”. Os motivos para essa rejeição: elas abandonaram a profissão, não a vaidade e fazem questão de se cuidarem com o mesmo afinco com que cuidam das tarefas rotineiras. A técnica em enfermagem Greice Félix Schreiner, 29, faz questão de manter com ela o mesmo cuidado que tem com a casa, o marido e a filha Manoela, sete anos. “Eu e meu marido decidimos em conjunto que até a Manoela ficar mais independente eu não iria trabalhar, mas não usei isso de pretexto para deixar de me cuidar”, ressalta Greice, que só vê benefícios em ter dado um tempo na profissão. “Nem sempre essa atitude é possível, mas se há a possibilidade de ficar em casa acompanhando a vida da família é o melhor a fazer”, orienta Greice.











Decisão de risco

. Voltar ao mercado de trabalho depois de anos afastada da profissão pode ser muito difícil. “Infelizmente a idade conta muito na hora de conseguir uma vaga e quanto mais velha, mais complicado por ser. Além disso, o empregador pode pensar que a mulher já está desatualizada em relação aos profissionais que permaneceram na ativa”.
 
. Não é porque a mãe está em casa que está automaticamente cumprindo o papel do pai. “Ele também precisa de algumas horas de atenção para os filhos. Nunca se deve pensar que um substitui o outro”.
 
. Mesmo que a mulher tenha uma secretária para fazer os serviços domésticos é importante administrar isso até para ter uma ocupação. “Administrar e orientar os cuidados da casa fará com que a mulher se sinta útil, ainda mais quando está acostumada a trabalhar fora há anos”.
 
. Não é porque a mulher parou de trabalhar que deve viver só para os filhos. “Os filhos vão crescer, terão que se tornar independentes e a felicidade da mãe não pode depender da presença deles”.
 
. Não é porque a mulher está afastada do ambiente de trabalho que pode deixar de trabalhar seu lado intelectual. “A mulher está em casa, mas precisa continuar sendo inteligente, saber desenvolver um assunto, sob o risco de até mesmo o marido perder a admiração por ela”.
 
. Quando o casal trabalha fora, a família já está acostumada com duas receitas ao fim do mês, portanto, faça as contas se o orçamento doméstico não cairá a ponto de prejudicar o padrão de vida da família.
 
Fonte - 
Psicóloga Joseane Machado Arena







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