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Reportagens EDIÇÃO 40 - SETEMBRO 2010

Eu sou do sul, é só olhar pra ver que eu sou do sul...


As mulheres de Cachoeira do Sul que vivem durante todo o ano a cultura do Rio Grande do Sul

Aproxima-se o 20 de Setembro e o povo gaúcho sai pelas ruas mostrando todo seu amor e o orgulho da querência. O tradi-cional desfile que marca a data reacende a importância da cultura do sul. Bombachas são tiradas do armário, vestidos de prenda preparados para os bailes da Semana Farroupilha: está viva, pelo menos uma vez por ano, a cultura dos pampas. Entretanto, para muitos, ser gaúcho é muito mais do que isso. É manter durante todos os meses a mesma chama dos hábitos de quem habita esse estado. São eles os responsáveis por não deixar morrer o tradicionalismo e as raízes do Rio Grande do Sul.
A criadora de cavalos Renata Fischer é uma das conterrâneas que faz questão de ressaltar todo o amor que sente por sua querência. Aos 32 anos, o orgulho de ser gaúcha é público. Uma vasculhada por seu perfil no site de relacionamentos Orkut e lá estão dados que revelam esse amor. Entre as 305 comunidades que Renata é membro, boa parte se referem à tradição gaúcha: "Tenho orgulho de ser gaúcho", “A verdadeira tradição gaúcha" e "Ando pilchado e daí" são apenas algumas delas. Por falar em andar pilchada, ela faz questão de estar sempre de bota e bombacha, claro, sem nunca perder o jeito feminino e a vaidade. “Hoje ninguém mais estranha, acostumaram com o meu jeito”, conta.
Gaúchos como Renata é que garantem a permanência dos hábitos nas futuras gerações, uma missão que ela afirma levar a sério. “Quero ter filhos e vou ensinar desde cedo a importância de cultivarmos a tradição. Claro, cada um pode escolher o caminho que quiser, mas acho importante dar uma educação voltada aos nossos costumes”, ressalta. Também é de berço que Renata aprendeu a apreciar a cultura do RS, ensinamentos vindos especialmente de seu pai, o pecuarista Renato Fischer. É com ele que até hoje Renata divide o hábito da roda de chimarrão ao fim de tarde, no inverno aproveitando o calor do fogo na lareira, no verão, apreciando o pôr do sol na Fazenda Santo Antônio, onde eles moram.
HISTÓRIA VIVA – Segundo o historiador e tradicionário Otávio Peixoto de Melo, o Maragato, 71, a cultura gaúcha vem se perdendo há muitos anos. “É muito importante viver a cultura do nosso estado, mas sempre de forma correta. Hoje, muitos inventam moda, desconhecem os hábitos, por isso é importante estudar a tradição para que ela siga nas próximas gerações”, ressalta. Segundo ele, são essas pessoas que cultivam os hábitos durante todo o ano e não se tornam gaúchos só porque se aproxima o mês de setembro que vão garantir que a cultura não se perca definitivamente no tempo.


Renata: “quero ser uma das responsáveis por não deixar a tradição gaúcha morrer”




O 20 de Setembro

O dia 20 de setembro marcou o início da Revolução Farroupilha no ano de 1835. Para marcar a data, na década de 40 foi criada a Ronda Gaúcha que mais tarde, a Assembleia Legislativa oficializou com o nome de Semana Farroupilha, uma semana especial, entre o dia 14 e 20 de setembro, para reverenciar a cultura e relembrar os fatos históricos que marcaram o Rio Grande do Sul. Em 1996, através de lei federal, o dia 20 de Setembro foi oficializado o Dia do Gaúcho.




De mãe para filha

Como o chimarrão que passa de mão em mão, a patroa do Piquete de Laçadores Delfino Carvalho, Janice Machado, 47, fez questão de passar para a filha Muriel Machado Lopes, 21, a importância de cultivar os hábitos do Rio Grande do Sul. Primeira Prenda da 5ª Região Tradicionalista do Rio Grande do Sul, Muriel conhece como poucos a história e verdadeiros hábitos do povo gaúcho. “Participo de concursos de prendas desde os sete anos e por isso sempre estudei muito nossa cultura”, ressalta ela que possui pelo menos 10 faixas de vencedora de concursos ligados à tradição.
Acadêmica do oitavo semestre de Direito, Muriel já está se preparando para o próximo desafio: participar da fase estadual que escolherá as prendas do RS, marcado para o próximo ano. “Venho me preparando há três anos para isso. Viver nossa tradição é uma grande paixão vivida por toda minha família”, ressalta. O gosto pelos concursos tradicionalistas também foi passado de mãe para filha. Há 25 anos, Janice ostentou a faixa de Primeira Prenda do Piquete Delfino Carvalho. “Claro que não vivemos de vestido de prenda, mas em nossa família somos tradicionalistas em qualquer lugar, sempre preservando os hábitos de acordo com as regras do Movimento Tradicionalista Gaúcho”, diz a Janice.



Janice e Muriel: família vive a cultura gaúcha nos 365 dias do ano




De bota e bombacha, sem perder a vaidade

Usar bombacha, o que para muitos seria motivo de vergonha ou até mesmo uma caretice, para ela faz parte de um estilo. Assim é Fabiana Burtet, 37 anos, que não abre mão de levar na vestimenta o amor pelo tradicionalismo. Cavalos, um símbolo da tradição gaúcha, são sua grande paixão. Com essas características, a profissão não podia ser diferente: veterinária. “Desde pequena gosto de cavalos e isso me aproximou muito da cultura do nosso estado”, revela. Morando na localidade de Ferreira, interior de Cachoeira do Sul, ela diz que viver longe do agito da cidade também ajuda a conservar mais o estilo gaúcho de viver. “Aqui não abrimos mão do churrasco, as comidas campeiras, sempre tem a roda de chimarrão, a lida no campo. É uma opção da família toda e nem penso em abrir mão desses hábitos”, conta.
As vestimentas e o dia a dia comprovam, mas Fabiana faz questão de ressaltar que não é gaúcha só no 20 de Setembro. “Claro que se aproxima a data e surgem tradicionalistas de todo o lado, eu inclusive tiro o vestido de prenda do armário e comemoro nos bailes da Semana Farroupilha, mas também faço questão de manter viva a tradição durante todo o ano. Amo nosso estado e nossa cultura, então não podia ser diferente”, ressalta, ela que para a foto que ilustra essa entrevista, caprichou na produção mais presente em seu roupeiro: a bombacha e botas. “Além de bonita, facilita a vida campeira”, finaliza.


Fabiana: gosto pela tradição influenciou até mesmo na escolha de sua profissão, a medicina veterinária






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