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Reportagens EDIÇÃO 39 - AGOSTO 2010

S.O.S. para dois


Terapia de casal pode ser uma aliada para fortalecer o casamento ou para ajudar na separação

Em briga de marido e mulher não se mete a colher, já diz o ditado. Mas quando a relação entra em crise, uma colherada de fora pode ser muito bem-vinda para fortalecer a união e em últimos casos ajudar na separação. Trata-se da terapia de casal, em que os problemas da vida a dois são confrontados sob a mediação e a condução de um psicoterapeuta especializado. O tempo de tratamento, com sessões semanais de uma hora, vai depender especialmente do casal – pode durar seis meses ou se estender por anos. Para quem espera milagres,  não é bem assim. Especialistas alertam logo: apesar de eficaz, a técnica que identifica os pontos de conflito só funciona se o casal estiver realmente comprometido com a mudança de atitude.
De acordo com a psicóloga clínica e terapeuta de casais e família, Jussara Severo Garcia, 62 anos de idade e 36 de profissão, sempre houve crises, mas agora a terapia está em foco porque cada vez mais os casais têm buscado ajuda especializada. “Geralmente os confrontos são desencadeados por diferenças que são trazidas da família de origem. Cada um vive seus costumes e hábitos e com o casamento precisam conviver com diferentes percepções e necessidades do outro, se isso não for bem administrado por ambos, a crise é inevitável”, alerta. É preciso entender que a construção do modelo familiar do casal pode reaproveitar algumas vivências das famílias de origem, mas é preciso construir seu próprio sistema.
Engana-se, porém, quem pensa que esses confrontos de vivências acontecem somente no início da relação. Estudiosos afirmam que costuma acontecer uma crise a cada sete anos, o que segundo Jussara muitas vezes se confirma na prática. O que acontece é que as percepções, projetos e necessidades vão mudando ao longo do tempo, então é preciso sempre estar reciclando o relacionamento. “O que não quer dizer que quando o casal entra em crise a relação está condenada. Muitas vezes ela se faz necessária para que o crescimento aconteça”, observa a terapeuta.
SEPARAÇÃO - Se depois de algumas sessões, o casal perceber que a união realmente faliu, o terapeuta segue atuando na separação para resolvê-la da maneira menos dolorosa e traumática possível. Segundo a especialista, o que determina o sucesso da terapia não é o casal conseguir continuar junto, mas chegar a um ponto em que os dois estejam felizes. Ela lembra ainda que a felicidade no casamento não impacta apenas na vida dos dois. “A vida dos filhos e de toda a família também é influenciada por um casal que está em constante briga”.



Terapia de casal: os problemas da vida a dois são confrontados sob a mediação de um psicoterapeuta especializado



Falta de diálogo, um vilão do casamento

Muita gente acredita que, com amor, qualquer relacionamento dá certo. Pode até ser bom acreditar nisso, mas, ao contrário do que pensam os mais românticos, apenas o sentimento não é suficiente para construir uma relação sólida. Sem diálogo, qualquer casamento corre o risco de ir por água abaixo.  Mais do que uma espécie de UTI do casamento, a terapia de casal tem como objetivo reestruturar o que é considerado a base para uma relação sustentável: a comunicação. Especialistas acreditam que o casamento adoece quando nasce essa dificuldade de entendimento. Muitos conversam, mas o discurso chega ao ouvido do outro com grandes distorções. Cada um diz o que quer e ouve também o que quer.
A ausência de diálogo cria uma espécie de ciclo vicioso, que é destrutivo para o relacionamento. “Muitas vezes, um dos membros do casal espera determinada atitude do outro, mas não diz. Quando o outro não age de acordo com essa expectativa, pelo simples fato de desconhecê-la, ele fica profundamente chateado”, conta Jussara. “Mas como corresponder a essa expectativa sem conhecê-la? Com o tempo, isso vai desgastando a relação e, por mais que as duas pessoas ainda se gostem, ela entra em crise”, completa.




Sinais de alerta

. As desavenças nunca são resolvidas e sempre geram brigas.
. O casal que antes se dava bem de repente começa a ter grandes discussões.
. Desentendimentos surgem com frequência em relação à criação dos filhos.
. Há diminuição do desejo sexual ou grandes diferenças no comportamento sexual.
. Começa a haver dificuldade para conversar, mesmo assuntos triviais.
. Suspeitas de traição, mesmo não confirmadas, geram desconfianças e crises.
. Todas as decisões começam a ser tomadas por um dos parceiros sem que o outro seja consultado.
. Um dos parceiros apresenta grande dificuldade de se desvincular da família de origem.
. Problemas financeiros afligem o casal.
. Estilos de vida muito diferentes (nível de instrução, objetivos e visões de mundos distintos) prejudicam o relacionamento.




Mantendo o diálogo

. Espere a hora certa, evite chamar para conversar logo que ele (a) chegar do trabalho ou quando estiver na presença de outras pessoas.

.
Não acuse o outro e prefira utilizar a primeira pessoa. Frases como “eu não me sinto bem com essa situação” são bem mais eficazes do que “você está fazendo isso”.

. Crie momentos para conversar. Ter uma hora fixa para conversar, sem filhos ou amigos por perto, ajuda o casal a se abrir mais.

. Não tenha medo de falar. Dizer o que está sentindo é sempre a melhor opção. Tentar ignorar os próprios sentimentos só gera mágoas e ressentimentos.

. Seja educado. Muitas pessoas não tratam o parceiro da mesma forma como se relacionam com outras pessoas, o que é prejudicial para qualquer relacionamento.

. Tenha tato. Um conteúdo pode ser apresentado de várias formas, por isso, na hora de conversar, fale de maneira a não magoar seu parceiro.








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