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Reportagens EDIÇÃO 31 - NOVEMBRO 2009

Desconstruindo o não


Respostas negativas não deve ser empecilho para alcançar o sucesso

 

Ouvir um não de alguém pode trazer marcas profundas a quem não espera uma negação como resposta. No entanto, esta palavra tão pequena, mas cheia de significado não deve ser encarada como o fim do túnel e sim somente um obstáculo que pode ser transposto. Quem entra no site oficial de Gisele Bündchen fica sabendo que a bela ouviu muitos nãos até se consagrar como a mais poderosa top model do mundo. Albert Eisntein chegou a ouvir de um dos seus professores no ensino secundário que ele nunca serviria para nada. Se essas personalidades que inscreveram seu nome na história tivessem dado ouvido às vozes externas, o mundo certamente seria mais pobre em beleza e cultura científica. A exemplo deles, LINDA foi buscar a história de alguns cachoeirenses que não desistiram de alcançar seus objetivos mesmo depois de respostas negativas. E você quantos nãos já ouviu?




"Me acostumei a ouvir nãos”


A história de vida do presidente do Instituto Padre Reus (IPR), o cachoeirense Jorge Luiz da Rocha Bueno, 57 anos, é um bom exemplo de como um homem realizado profissionalmente se tornou mais forte a cada não que recebeu em sua vida. "Todo o ser humano houve não. Que fatores contribuem para isso? Beleza visual, beleza interior? Nunca fui um menino bonito e por isso me acostumei a ouvir muitos nãos", relembra. No entanto, Bueno afirma que foi um felizardo, pois teve uma mãe amorosa e um pai que o desafiava todos os dias. Ele afirma que sempre buscou transformar os nãos em sim através da autoconfiança que adquiriu ao ser desafiado constantemente.
Rocha Bueno, que recentemente organizou o movimento Pró Visite Cachoeira, buscando alavancar o município como cidade turística orgulha-se de contar sua história de vida até chegar ao reconhecimento que tem hoje. "Sempre começo minhas palestras contando que aos oito anos de idade vendia pão e que essa foi minha rotina até os 15 anos. Hoje, depois de muitos obstáculos e nãos, sou presidente da maior organização educacional de ensino a distância da América do Sul. Mas uma coisa eu tenho certeza: somente sou o presidente do IPR porque fui um entregador de pães e acreditei que respostas negativas podiam servir para meu amadurecimento”, conta.

FOTO:
JE Mídia Visual


O jardineiro que virou empresário


O hoje empresário e artista plástico Jair da Silva Oliveira, 36 anos, nunca se imaginou pintando quadros ou trabalhando com moda, mas enquanto era jardineiro tinha o pensamento fixo de que poderia fazer bem mais para crescer na vida. Porém, até conquistar o sonho de ser um profissional realizado, a trajetória não foi nada fácil. Ainda na adolescência, para ajudar em casa, ele trabalhou como engraxate e mais tarde como entregador de
jornais. Um dia ele decidiu que queria uma profissão melhor e foi para Porto Alegre. Porém, bateu de porta em porta em várias empresas da capital e só recebeu não como resposta. Depois de 45 dias estava em Cachoeira do Sul novamente.
Como também procurou trabalho e não teve resposta positiva em nenhum lugar na cidade, acabou voltando à profissão de jardineiro, indo trabalhar na residência de Clarice Biscaglia, proprietária da loja DeCoração. Clarice resolveu lhe dar uma oportunidade e o convidou para trabalhar em sua loja como serviços gerais. A partir daí sua história começa a tomar um novo rumo. Depois de um mês trabalhando na empresa, que produz quadros para decoração, ele pediu para pintar uma tela. "Meu primeiro quadro foi uma obra abstrata. Era tudo intuitivo. Descobri ali meu dom e já estou na profissão há sete anos", conta ele. Mesmo fazendo sucesso com seus quadros, Jair sabia que poderia ir mais longe. Há quatro anos, junto com sua irmã Elisângela ele abriu a loja Via BR, no Bairro Bom Retiro. Hoje a loja conquistou clientes de toda a cidade e faz sucesso com seu estilo. "Sempre fui uma pessoa muito otimista e com pensamento para frente. Todos passam por dificuldades, mas isso nunca foi motivo para eu desistir", ressalta.



Desânimo não pode tomar conta


Hoje a jovem Mariane Brasil Chaves, 22 anos, é técnica em radiologia médica, mas antes de conseguir andar com as próprias pernas, a jovem gastou muita sola de sapato atrás de um trabalho. "Perdi as contas do número de currículos que deixei em diversas empresas de Cachoeira do Sul. Fui chamada para apenas duas entrevistas mas não cheguei a ser contratada", relembra. A mudança começou quando sua mãe começou a incentivá-la a fazer um curso técnico. Mariane iniciou o curso de Radiologia sem nem mesmo saber direito do que se tratava, mas logo se encantou com a profissão que começava a ser traçada. Em dezembro de 2008 ela se formou mas, mesmo assim, não foi tão rápido conseguir o retorno financeiro. Durante 10 meses ela atuou como voluntária no serviço de tomografia do HCB, uma insistência que valeu a pena. Desde o início do mês de outubro Mariane exerce a função remunerada de técnica em tomografia no hospital através de uma empresa terceirizada. "Cada vez que recebia um não ficava cada vez mais desanimada. Quando vi que o que faltava era qualificação para que eu desse meu primeiro passo, as coisas começaram a mudar e as portas se abriram", conta ela.





 

Confira as dicas da psicóloga Lísia Noal Vieira da Cunha sobre o não


. Dizer não a uma criança, quando necessário, terá efeito por toda a sua vida, dando-lhe condições de distinguir seus deveres, direitos e desejos. Uma criança que nunca recebeu limite dos pais vai ter dificuldades de ouvir não quando for um adulto.

. A falta de limite algumas vezes pode soar como descaso e até falta de amor. Então um adulto que na infância teve seus limites falidos, ou seja, não estabelecidos, quando recebe um não na vida adulta percebe isso como um descaso. Vai se culpar, se achando incompetente e incapaz.






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