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Reportagens EDIÇÃO 30 - OUTUBRO 2009

Adultas em miniatura


Cada vez mais vaidosas, as crianças estão trocando os brinquedos por espelhos

 

Brincar de boneca, de casinha, pular corda? Que nada! Muitas meninas têm trocado a diversão da infância por horas em cadeiras do salão de beleza. Muitos vão dizer: que criança nunca vestiu o sapato de salto da mãe ou se borrou de batom? Claro, isso faz parte da infância e da fantasia, mas para muitas meninas fazer escova progressiva, manter as unhas pintadas, maquiagem e pernas depiladas se tornou um hábito. Por sinal, nada saudável para a psicóloga especialista em infância e adolescência Rose Caldas, 50 anos de idade e 25 de profissão.
“É preciso estabelecer um equilíbrio entre os cuidados saudáveis e a valorização excessiva da aparência”, observa. Mas como fazer isso? A resposta é simples: dar limites. Não permitir tudo e explicar por que não, estabelecer uma idade. “Gostar de si e desejar estar bonita é natural e significa uma boa autoestima. O papel dos pais é cuidar para que a criança viva cada fase da vida, sem pular nenhuma etapa. Enfim, é preciso permitir que as filhas se cuidem, mas sem virar obsessão”, alerta.
A pequena Cecília Ávila, seis anos, é uma das que já frequenta o salão de beleza, sempre sob os olhos atentos da mãe. “Ela adora me acompanhar, então temos nosso horário uma vez por semana. No entanto, só permito que faça escova ou cachos no cabelo e pinte as unhas, sem tirar cutícula. Acredito que essa vaidade seja saudável, mas sempre dentro dos limites”, observa a mãe, contato de vendas Janaína Ávila, 32. Processos químicos e tratamentos mais agressivos ficam longe da lista de cuidados permitidos à menina. Para Cecília, além de gostar de ficar mais bonita, a ida semanal ao salão é encarada como uma grande diversão. “Adoro ficar me olhando no espelho e aproveito para ficar mais tempo com minha mãe”, conta.
ORIGEM - Com tanta menina buscando a beleza e cada vez mais cedo, surge a pergunta: de onde vem tanta preocupação com a aparência? Os estímulos para esse comportamento são muitos, vindos da televisão, internet, outras crianças e das próprias mães. Começam com cinco ou seis anos fazendo pé, mão e cabelo uma vez por semana e desemboca muitas vezes nas mesmas garotinhas empenhadas, muito antes do que se espera, em limpar a pele, eliminar gordurinhas e se livrar da celulite. Empresas estão cada vez mais apostando nesse novo mercado. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec) as linhas infantis cresceram mais de 40% nos dois últimos anos.

 

 


Cecília: cuidados com a beleza fazem parte de sua rotina, mas sempre dentro dos limites impostos pela mãe


 


Visão de profissional


A proprietária do salão Perfil de Mulher, Renata Dolianits, 11 anos de profissão, diz que cada vez mais cedo as meninas estão buscando os cuidados com a beleza, na maioria das vezes incentivadas pelas mães. “Noto um crescimento nesse perfil de cliente, entretanto, ainda tímido em Cachoeira, mas bastante expressivo em grandes cidades que chegam a ter salões específicos para os clientes mirins”, conta. Para Renata, os cuidados com o visual são válidos desde que não agridam nem a pele nem cabelo dos pequenos. “Dependendo da idade, orientamos as mães sobre os danos dos procedimentos. Em alguns casos, como em escovas progressivas, que possuem muitos agentes químicos, sempre alertamos o responsável e colhemos uma autorização para o tratamento”, observa.

 

“A mídia influencia e se em grandes cidades já é comum, em Cachoeira é só questão de tempo para a clientela infantil aumentar”
Renata Dolianits




 


Como lidar com a vaidade infantil



Quando geralmente começa


. Desde muito pequenas, por volta de um ano de idade, as crianças começam a imitar o que veem. Basta entrarem no universo da compreensão para adotarem um comportamento imitativo.


. Meninos e meninas, por volta dos cinco ou seis anos, tendem a imitar os pais.


. As meninas podem querer vestir as roupas e os sapatos das mães e usar maquiagem.


. Meninos podem sentir vontade de se barbear e admirar os "músculos" no espelho.



É saudável quando


. Trata-se de uma brincadeira.


. A menina vai treinando para ser mulher.


. Os meninos procuram ganhar referências de figuras masculinas.


. A vaidade tem limites impostos pelos pais.



É prejudicial quando


. A vaidade se torna obsessiva.


. A criança quer se parecer com um adulto na forma de se vestir no dia-a-dia.


. A preocupação com a imagem passa a ser a prioridade da criança.


. Existe um impulso consumista por roupas e cosméticos.


. A criança deixa de comer com a preocupação de emagrecer.



O papel dos pais


. Os pais são as primeiras referências de uma criança. Eles devem dar o exemplo e ficar atentos com exageros em relação à sua própria vaidade.


. É importante diferenciar o que é uma brincadeira de se maquiar em casa e o que é sair de casa para ir à escola, todos os dias, de maquiagem.


. O acompanhamento do dia-a-dia da criança é fundamental.


. O diálogo é sempre o melhor caminho. Converse com seu filho e mostre que há coisas mais importantes do que a supervalorização da beleza física.


. Incentive a criança a se aceitar como ela é.


. Saiba dizer não. Se a situação for recorrente e a conversa não for suficiente, aplique um castigo, deixando a criança sem um brinquedo que ela gosta por uns dias. Mas se lembre sempre de ter bom senso.







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