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Reportagens EDIÇÃO 27 - JULHO 2009

Língua solta


Cuidado com o que você diz na frente das crianças

 

"Mamãe falou que seu cabelo parece uma espiga de milho, tia Joana”, ou então, “Papai disse que iria fazer bastante comida, pois você come muito, tio Pedro”. Essas situações soam familiares? Saiba que até os cinco anos a criança não entende a diferença entre espaço público e privado e pode repetir em qualquer lugar o que ouviu em casa. Por isso, atenção ao que é dito. Claro que nem todas as inconfidências infantis têm consequências, mas costumam causar alguns constrangimentos aos pais até que ela aprenda a manejar as regras de convivência social.
De acordo com a pediatra Josane Freitas Dutra, 49 anos de idade, sendo 23 de profissão, essa franqueza espontânea, que é um dos mais típicos comportamentos infantis, tem pelo menos dois fatores. Um deles é que os filhos, nessa fase, ainda levam ao pé da letra tudo o que ouvem dos pais, outro é que entre as normas de convívio, uma das mais enfatizadas é a importância de se falar sempre a verdade. Então, no momento da franqueza, a criança está falando a verdade e, portanto, seguindo a regra. O que ela ainda não domina são as sutilezas do código social, que dão flexibilidade à regra: algumas coisas devem ser ditas, outras não.




 


Evite micos prestando a atenção ao que é dito no ambiente familiar

 


Evite os micos com as crianças


Na intimidade
Até os cinco ou seis anos, a criança não percebe que a intimidade da família é um espaço mais livre, até mesmo para fazer comentários que não devem sair dali. Isso porque até essa idade, a família é o núcleo da vida da criança, seu universo. Só por volta dos sete anos o mundo externo ganha mais significado, diferenciando-se da vida familiar. “Qualquer que seja o motivo da saia-justa quando a criança falar o que não devia, o melhor é não improvisar desculpas para não aumentar o risco de piorar a situação. Depois, é preciso conversar com ela, explicando porque o comentário não deveria ter sido feito. Ainda assim, pode ser que outras gafes ocorram, antes que ela amadureça”, observa Josane. 


Não force situações
A espontaneidade da criança ao revelar uma verdade inconveniente é incontrolável, mas os pais às vezes contribuem para ouvir o que não querem. “Alguns pais têm uma expectativa muito alta sobre o desempenho social do filho, considerado um espelho da educação familiar, mas nem sempre a criança está pronta”, diz a pediatra. Quando se insiste para que beije um parente idoso que ela mal conhece, por exemplo, o risco é ouvir um não e pronto. É melhor ser realista e respeitar o amadurecimento da criança.


Pequenas mentiras
Há quem diga que criança não mente. Bobagem. Gente pequena não fala a verdade sempre, também distorce a realidade. Só que no caso delas não é problema de caráter, faz parte do crescimento. “Por volta dos três ou quatro anos, a criança descobre a possibilidade de não contar tudo que sabe, depois de dizer o que não é, e a inventar uma história. Na cabeça dos pequenos, não está clara a distinção entre o mundo imaginário e o real”, ressalta Josane. Existe ainda um outro fator que contribui para a mentira: o nível de exigência da criança com ela mesma. Se for muito alto, ela vai considerar inadmissível cometer um erro. Vai jogar a culpa no outro. Puxe conversa para descobrir o que ocorreu e diga que mentir não é legal. Preocupe-se apenas quando a mentira se tornar parte da rotina.




 

 

É importante também dar atenção ao sentido das palavras. A família pode falar safadinho, por exemplo, como sinônimo de travesso, mas na hora em que a criança for usar a palavra, poderá não ser entendido da mesma forma. Se ela falar algo inapropriado na escola, deve-se analisar o contexto em que a palavra foi dita e explicar para ela porque não deve se referir aos amigos assim.







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