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Reportagens EDIÇÃO 24 - ABRIL 2009

Direto do túnel do tempo


Paixão por carros antigos é mais comum do que se pensa entre os cachoeirenses

 

Que brasileiro é apaixonado por carro todos sabem, mas alguns achoeirenses nutrem uma paixão especial pelos modelos antigos. Carro velho? Que nada! São verdadeiras relíquias que resgatam um pouco da história não só do automóvel, como muitas das vezes da família, de uma comunidade e até mesmo do automobilismo no Brasil.

 

 

Tesouro na garagem




Zeno Vianna Filho
Empresário, 52 anos
Veículo: Pontiac – Pontiac
Ano: 1930
Ano da compra: 2001
Seis anos foi o tempo que Zeno demorou para ver seu Pontiac pronto, exatamente como era no ano em que foi fabricado. “Esse foi meu primeiro carro antigo, então foi um exercício de paciência ter que esperar tanto tempo, mas o resultado compensa”, observa. Hoje, o carro xodó geralmente só sai da garagem para transportar noivas. “Se um amigo me pede, aceito na hora levar a noiva até a igreja”, conta. Na coleção ainda está um Beller (GM), 1951, e um Firline (Ford), ano 1955. “Existe muita fantasia em relação ao preço de um carro antigo. Os meus, por exemplo, nenhum dinheiro compra, pois existe muito valor sentimental envolvido”, observa Zeno.



Pontiac: quando foi comprado por Zeno 



 

Em Cachoeira do Sul são tantos os aficionados por esses carros que foi criado o Clube de Veículos Antigos (Cacvea), presidido pelo engenheiro civil Alceu Mainardi, 62. Hoje, o Cacvea já possui mais de 100 veículos no cadastro e participa de diversas feiras e exposições em todo o estado. Mainardi é o grande motivador dessas participações. Dono de mais 10 modelos todos anteriores à década de 80, ele diz que sua coleção não está perto de chegar ao fim. “Quem tem essa paixão nunca diz que sua coleção está completa, está sempre em busca de um modelo e não mede esforços para comprá-lo”, conta. Entre todos, ele nutre um amor especial pelo SP2, ano 1973, da Volkswagen, carro que está com ele há 35 anos.
“Comprei ele zero-quilômetro e nunca me desfiz, na época foi um sonho realizado. Hoje, mesmo rodando normalmente, uso só para alguns passeios e exposições”, conta. Em sua coleção ainda tem relíquias como um Ford Modelo A, ano 1929, um Fusca (VW) 1965 e um DKW (Vemag) 1964.
Quem pensa em entrar para o time dos colecionadores pode ir preparando o bolso. Se engana quem imagina que por serem antigos custam pouco. Hoje, uma restauração sai de R$ 20 mil a R$ 40 mil e dependendo do modelo pode ultrapassar esse valor. Depois de restaurado, alguns carros passam dos R$ 100 mil, ou seja, o preço de um carro de luxo zero-quilometro. “Alguns veículos antigos podem até ser encontrados por R$ 5 mil ou R$ 10 mil, mas o estado de conservação geralmente é precário e para restaurar o gasto é grande”, ressalta Mainardi.
Diferente dos carros novos, o valor desses modelos não é regulado por nenhuma cotação. Os preços podem variar bastante e muitos donos afirmam que não vendem por oferta nenhuma. “O valor é determinado pelo tamanho da paixão do dono e pelo tamanho da paixão de quem vai comprar”, diz Mainardi. Para os apaixonados o investimento vale a pena. Um dos motivos é ter algo diferente. Dificilmente um carro antigo que circula pelas ruas de Cachoeira passa despercebido. “As gerações mais novas não conhecem a maioria dos modelos e ficam encantadas, os mais velhos gostam de ver para relembrar de momentos das suas vidas. Onde tem um carro antigo, pode saber que tem gente querendo fazer fotos, saber da história ou apenas admirar”, comenta.

 


Mainardi: presidente do clube que possui mais de 100 carros antigos cadastrados

 

 

Tesouro na garagem




Andrélino Dias da Rosa
Vendedor aposentado, 68 anos
Veículo: Galaxie Landau - Ford
Ano: 1980
Ano da compra: 1997
“Fiquei na fila para comprar esse carro por cinco anos. Na época os carros antigos não eram valorizados, por isso consegui comprar por R$ 8 mil”, conta. Depois de muitas modificações para deixar o carro do seu gosto, André diz que não vende por menos de R$ 50 mil. “É um relíquia, mas não posso usar no dia-a-dia, pois ele só faz cinco quilômetros com um litro de gasolina”, ressalta.



 

 

Renor Costabeber
Aposentado, 65 anos
Veículo: GMC – GM
Ano: 1954
Ano da compra: 2004
Renor traz no sangue a paixão por carros e caminhões. “Meu pai já tinha esse gosto, então cresci envolvido nisso”, conta. A compra do GMC foi um desafio e só foi concretizada depois de cinco anos de procura. A restauração ficou pronta recentemente. Seu desejo é comprar um caminhão Ford F6, ano 1951, pois faz parte da história da família. “A busca e o envolvimento não terminam nunca, é preciso paciência para encontrar especialmente esses modelos mais antigos”, observa. Questionado sobre o valor de sua GMC ele diz que não vende nem por uma oferta de R$ 100 mil.



 


Tatiane dos Santos
Comerciante, 29 anos
Veículo: F100 - Ford
Ano: 1960
Ano da compra: 2003
Paixão por carros também é coisa de mulher, e Tatiane é exemplo disso. Além da F100 que é seu xodó, ela possui um Opala Diplomata (GM) ano 89, uma Caravan SS (GM) ano 79 e um Corcel II (Ford) ano 79. Ciumenta com seu carro, como todos que nutrem essa paixão, ela evita sair com a camioneta, para evitar o assédio. “Tem gente que quer subir ou entrar para tirar fotos, acabam estragando mesmo, então para sair só se for ficando todo o tempo perto”, conta. Tatiane avalia em R$ 100 mil sua F100.



 

 


A paixão por carros antigos fez surgir um novo profissional no mercado, o restaurador desses veículos. Em Cachoeira, o empresário João Carlos Silveira é conhecido como o artista que transforma automóveis judiados pelo tempo em verdadeiras relíquias. Fiel às características dos carros que trabalha, João estuda a história de cada um. “Esse é um trabalho artesanal, mas não dá para improvisar. Precisamos deixar como era e isso costuma demorar”, conta. Com 57 anos de idade e há 35 no ramo de oficinas, ele trabalha com carros de todo o estado.

 







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