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Reportagens EDIÇÃO 21 - JANEIRO 2009

Mulher também manda no trabalho


Elas mostram que também podem vencer no mercado profissional

 

Tá certo que no competitivo mundo empresarial e da escalada profissional os homens ainda são a maioria nos postos de comando, basta olhar ao redor para perceber. É o resultado de uma cultura em que muitas organizações ainda acreditam que as mulheres precisam de condições especiais para trabalhar e crescer. O motivo é a sobrecarga de trabalho que ela enfrenta com a vida doméstica, ou seja, ela é diferente do homem por ainda exercer dois papéis: o profissional e o doméstico. Entretanto, se por um lado eles ainda se destacam mais dentro das organizações, por outro muitas mulheres estão mostrando que dão conta do recado e exibem seu crescimento. Graças a elas, ao que tudo indica esse quadro de valorização masculina será equilibrado. Mesmo sendo poucas ainda a alcançar a tão sonhada ascensão na carreira, essas mulheres que já chegaram lá mostram que conquistar um lugar ao sol é possível sim, basta ter garra e dedicação.


 

Ana Paula: vida pessoal nunca atrapalhou a profissional



 Do alto de seu 1,58 metro, Ana Paula Iores Bernardes, 36, olha pra o início de sua carreira e por todos os postos de trabalho que passou até chegar a chefe de higienização e coordenadora dos voluntários do Hospital de Caridade e Beneficência (HCB) de Cachoeira do Sul. Responsável por uma equipe formada por quase 100 pessoas, entre funcionários e voluntários, ela já soma 18 anos no mercado de trabalho. “Iniciei como vendedora nas lojas Benoit, passei por outras empresas do comércio até iniciar meu estágio da faculdade de Ciências Econômicas, na qual sou formada”, conta. Somente depois de ter o diploma na mão que Ana Paula viu sua carreira decolar, porém não na sua área de formação. “Depois de formada iniciei como secretária executiva do HCB, após sete anos fui promovida ao cargo que ocupo hoje”, conta orgulhosa.
Além do posto mais alto, a mãe do Bruno, 6, e da Laura, 2, viu seu salário e responsabilidades crescerem. “Assumir um cargo de comando e ainda ter a dupla jornada com os cuidados com a família não é fácil, mas o esforço é gratificante”, revela. Nos seus planos está fazer uma pós-graduação voltada para sua área e seguir galgando postos mais altos. “O segredo para uma mulher alcançar o sucesso profissional é se dedicar e estar sempre capacitada para o que faz. Minha visão é sempre estar envolvida com a empresa e não fazer somente o que sou paga”, observa. Ana Paula atribui o sucesso ao seu dinamismo e comprometimento. “Apesar de ainda ser mais difícil para uma mulher alcançar postos de chefia, uma regra vale para ambos os sexos: não dá para esperar que a empresa te valorize se você não tiver um diferencial. É preciso se destacar em alguma coisa para poder crescer”, ensina ela, que convive com grande parte dos colegas de chefia homens.
Quando o assunto são oportunidades, Ana Paula garante que nunca se sentiu prejudicada na competição com colegas homens. “Alguns ainda olham com receio a mulher em cargo de chefia, já que precisa se dedicar ao trabalho e a toda a rotina familiar, mas essa divisão nunca foi problema para mim. Trabalho minha carga horária e sempre que é necessário extrapolo a jornada, seja para resolver questões do trabalho ou para buscar aperfeiçoamento. Assim como no meu caso, as mulheres estão provando que dá sim para conciliar a carreira com a vida pessoal, mesmo sendo atribulada”, ressalta.



 

Esforço recompensado


Mudar de cidade foi a principal exigência para que Elaine Alves Nunes, 42, alcançasse a meta de ser gerente de uma das lojas do grupo Grazziotin. Quando apareceu a oportunidade, ela não pensou duas vezes, arrumou suas coisas e saiu de Esteio para ir morar em Guarapuava, no Paraná. Depois de oito meses, ela conseguiu transferência para a loja de Cachoeira e encurtou a distância, que mesmo assim ainda pesa na sua vida. “Deixei meu filho de 21 anos em Esteio e vim morar sozinha aqui, foi um desafio que valeu a pena”, conta. Elaine, que tem 18 anos de casa, já foi auxiliar de escritório, vendedora e subgerente. Hoje ela coordena 18 funcionários e esse ano ainda pretende dar seguimento ao curso de Administração de Empresas, o qual trancou para se dedicar integralmente à empresa. Guerreira e otimista, como ela mesmo se define, Elaine segue na luta pelo seu crescimento através de muito trabalho e dedicação. “Sempre me mantenho motivada pelo sucesso para poder passar isso também a minha equipe. Quem quer crescer tem ser assim: não ter medo de desafios e nem de trabalho pesado, mesmo que extrapole muitas vezes a jornada diária de oito horas”, ensina seu segredo.

 

Elaine: troca de cidade foi exigência para ganhar a promoção







 


Receita de sucesso


Garantir destaque e um posto de chefia em uma empresa com mais de 600 funcionários requer muita dedicação e foi com esse atributo que Isabel Cristina Batista Moraes, 37, conseguiu chegar ao cargo de gerente de recursos humanos da rede de supermercados Tischler. Foi no seu primeiro emprego, iniciando carreira aos 16 anos, que ela viu que tinha oportunidade de crescimento. “Comecei como operadora de caixa, depois fui promovida à secretária do diretor José Tischler e ao seu lado fui aprendendo a rotina da empresa. Passei por fiscal de caixa, gerente e chefe de loja até chegar onde estou”, conta. A busca por aperfeiçoamento sempre foi constante em sua carreira e o próximo passo será dado esse ano, quando ela inicia a faculdade de Processos Gerenciais.
Com 21 anos de casa e uma escalada vitoriosa, Isabel diz que para crescer é preciso ter em mente que se está vivendo sempre em período de contrato. “É preciso ter a mesma dedicação, comprometimento e amor pelo trabalho de quando iniciou a carreira. Não dá para parar  no tempo só porque já tem uma história dentro da empresa, se não o crescimento pára também”, observa. Mãe dos gêmeos de 15 anos Lucas e Luís, e da pequena Laísa, de três anos, ela se sente realizada, mas nem por isso se acomodou no cargo que ocupa. O objetivo maior é sempre continuar crescendo.

 

Isabel Cristina: ao lado da primeira caixa registradora que trabalhou, ela olha para trás com orgulho de sua carreira




 


Hora de se qualificar


Aos 24 anos, Lúcia Redin Patel é chefe do departamento de recursos humanos (RH) da empresa Screw Metalmecânica. Com um quadro de 233 colaboradores, cada recrutamento passa pelas mãos e olhos atentos de Lúcia. Formada em Administração pela UniRitter, ela iniciou como auxiliar de RH e logo incorporou o cargo de chefia graças a dois atributos: persistência e sede por conhecimento. “Minha meta agora é consolidar experiência e ir abrindo caminhos para o crescimento profissional”, conta. A vontade de buscar conhecimento é tanta que, mesmo formada, Lúcia está fazendo especialização em comunicação empresarial e cursando o terceiro semestre do curso de Direito.

 

Lúcia: segundo curso superior para garantir melhores oportunidades









 

Assim como Lúcia, Daniele de Siqueira, 29, aproveita a fase de solteira e ainda sem filhos para se dedicar aos estudos e busca por aperfeiçoamento. De estagiária à gerente de conta de pessoa física, ela orgulha-se em falar sobre sua ascensão profissional. O pontapé inicial da carreira foi dado aos 16 anos quando ela entrou como estagiária na extinta Caixa Econômica Estadual. Hoje no posto que ocupa no Banco Bradesco ela se sente realizada e também desafiada a alcançar novos cargos, como gerente de pessoa jurídica e gerente de unidade, nem que para isso seja preciso mudar de cidade. Cursando o sexto semestre de Administração, ela aposta nas especializações e cursos de qualificação para chegar onde quer. “O conhecimento é fundamental, assim como a dedicação e comprometimento. Sempre tenho metas para minha vida e sei que sendo mulher ou homem, sempre é possível realizar o que queremos”, conta.

 

Daniele: buscar conhecimento é fundamental para quem quer ser promovida






As oportunidades ainda estão longe de ser as mesmas para homens e mulheres, segundo apontam estudos realizados em todo o país, na questão do salário o quadro também não é tão diferente. Segundo dados apurados pelo IBGE em 2005, elas recebem, em média, 83% do salário pago a eles. Porém, não são somente afirmações negativas que constituem esse universo. Em 2004, elas ocupavam 20% dos cargos de chefia das Melhores Empresas para Trabalhar do país. Já em 2006, esse número passou para 31% .







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