TEA em adultos

“Para quem recebe o diagnóstico tardio, o sentimento costuma ser uma mistura de luto pelo tempo que viveu sem suporte e alívio por não ser culpado”. Miriane Nunes Dias.
Sinais ajudam a identificar o diagnóstico tardio
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) ainda é uma condição muito associada à infância. Muitos adultos chegam a essa fase da vida sem diagnóstico, com anos de dúvidas e dificuldades não entendidas, vivendo um sofrimento invisível. “Por mais que seja impactante, receber o diagnóstico traz um sentimento de alívio. A pessoa passa a entender que não é ‘estranha’ ou ‘inadequada’, e que suas dificuldades têm uma explicação neurobiológica”, explica a neuropsicopedagoga e especialista em TEA, Miriane Nunes Dias, 60, sócia-proprietária da Desafios Corpo Mente há 10 anos.
Além de favorecer aspectos de identidade e pertencimento, o diagnóstico também melhora sintomas de ansiedade, depressão, burnout e baixa estima. “O adulto, sabendo que tem TEA, pode ser submetido a intervenções assertivas que podem vir a minimizar os seus prejuízos em todos os seus ambientes, seja familiar, escolar ou profissional”, diz Miriane.
Sinais que dificultam o diagnóstico
Para a profissional, sem dúvidas, o mascaramento e a capacidade do adulto em se “adequar” ao que esperam que ele faça é um dos fatores que mais impactam na detecção do diagnóstico, assim como dificuldades com emoções, dentre outros aspectos.
Como é a avaliação em adultos?
As principais diferenças na avaliação em crianças e adultos para investigar um TEA é que em crianças o foco principal está na fala, no comportamento, na socialização, nos marcos do desenvolvimento e na interação espontânea. Já em adultos, o foco está no funcionamento atual (social, emocional, familiar e profissional), na história de vida (desde a infância até os dias atuais), e nas estratégias que utiliza para adaptação.