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Reportagens Edição 212 - Julho de 2026

Carina por trás dos cargos


“Em um mundo que constantemente tenta nos dizer quem devemos ser, escolhi permanecer fiel à minha própria essência, sempre seguindo meus valores, com minha coragem e autenticidade.” Carina Morais

Ela revela escolhas que moldaram sua trajetória

 

Professora, mestre em Ciências Veterinárias, tecnóloga em Agropecuária e vice-presidente geral da Fenarroz, Carina Morais construiu uma trajetória marcada pelo conhecimento, pela dedicação e pelo propósito. Mas, por trás dos cargos, existe uma mulher que também enfrenta desafios, faz renúncias e encontra na autenticidade sua maior força.
 

Aos 39, divide sua vida entre a formação de novos profissionais, a atuação no agro e a missão que considera mais importante: ser mãe da Clara, 14, e do Martin, 5. Nesta entrevista, ela compartilha as escolhas, aprendizados e valores que definem quem ela é.
 

Quando você se olha hoje, qual parte da sua trajetória mais te orgulha — aquela que quase ninguém viu, mas que foi decisiva para você se tornar quem é?
“A parte que mais me orgulha é ter mantido meus princípios e valores inegociáveis. Muitas vezes, escolher o que é certo não me levou pelo caminho mais fácil, mas me garantiu algo muito mais valioso: deitar a cabeça no travesseiro todas as noites com a consciência absolutamente tranquila, sabendo que fui fiel a quem eu sou.”
 
Se uma menina de 15 anos lesse sua história hoje, que conselho você gostaria que ela levasse para a vida?
“Eu diria a ela: ‘Os cães ladram e a caravana passa’. O mundo vai tentar te dizer quem você deve ser o tempo todo, mas se você estiver convicta do que quer e do que é certo, siga em frente de cabeça erguida, independentemente do ruído ou do julgamento alheio. A sua voz interna importa mais do que o barulho de fora.”
 
Qual foi a maior críticaque você já recebeu — e como ela moldou a mulher que você é hoje?
“Uma grande amiga uma vez me deu um toque doloroso, mas libertador. Ela me disse que eu me explicava demais. Aquilo me deu um estalo. Percebi que quem te conhece não precisa de justificativas, e quem quer te criticar não vai aceitá-las. Depois disso, mudei a postura. Comecei a simplesmente fazer o que precisa ser feito e parei de dar tantas explicações sobre as escolhas que são minhas.”

Qual parte da sua vida você já fingiu que dava conta, quando na verdade estava exausta?
“Com certeza, a maternidade. A sociedade exige que trabalhemos como se não fôssemos mães, e que sejamos mães como se não trabalhássemos. É uma conta que nunca fecha. Teve momentos em que precisei vestir a armadura de que dava conta de tudo perfeitamente, quando, na verdade, por dentro eu estava exausta e equilibrando pratos prestes a cair. Admitir isso não é fraqueza, é pura humanidade.”
 
Qual foi a decisão mais egoísta que você já tomou — e por que ela foi necessária?
“Foi quando decidi me afastar de certas relações e projetos que eu amava, mas que estavam me adoecendo. Eu tinha a mania de querer carregar tudo nas costas e salvar todo mundo. Dizer ‘não’ e escolher a minha saúde mental e a minha paz pareceu muito egoísta na época, e lidei com muita culpa. Mas entendi que eu não conseguiria ser uma boa mãe ou profissional se eu estivesse completamente esgotada.”

Qual foi a escolha que mais te julgaram — e que você faria de novo, mesmo sabendo das críticas?
“Sei que muitos me julgaram quando doei meu tempo e minha energia para a vice-presidência da Fenarroz, uma função voluntária e de extrema responsabilidade. No mundo imediatista de hoje, as pessoas custam a entender quando você se move por algo maior. Mas eu faria exatamente igual. A Fenarroz representa a força da nossa terra, e estar ali me deu uma lição diária de humildade, conexão com as pessoas e superação. Saí dessa experiência uma mulher e uma profissional infinitamente maior. Para mim, o maior ativo da vida são as conexões que criamos e o legado que deixamos, e isso eu conquistei ali.”





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