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Reportagens Edição 209 - Março de 2026

Memórias Afetivas em Família


“Viajar em família é permitir que a criança viva experiências de qualidade”. Taiane Corrêa

Viajar exige conexão e tira pais e filhos do “modo automático”

 
uais são as lembranças mais marcantes da sua infância? Um lugar que visitou, uma comida especial, uma brincadeira divertida? Pesquisas em desenvolvimento humano mostram que memórias afetivas se formam, com mais força, em experiências vividas com intensidade emocional e presença real; algo que tem sido cada vez mais raro na rotina acelerada da maioria das famílias. Mas o segredo pode estar em algo simples: pegar a estrada e viajar.
 
Segundo Taiane Baltezan Corrêa, 28, psicóloga especialista em Psicologia Infantil, sair do cotidiano, conhecer novos lugares e vivenciar diferentes experiências estimula a curiosidade e a linguagem da criança, além de favorecer o desenvolvimento da autonomia, da interação social e das habilidades emocionais.
 
“Outro ponto positivo é que viajar em família também oferece situações em que a criança precisa lidar com emoções de forma positiva, enfrentando expectativas, ansiedade e, por vezes, frustrações. Esse tipo de experiência vale o tempo e cada investimento, pois contribui para a formação de uma infância saudável”, explica.
 

Marcella com a família em Fernando de Noronha, em janeiro deste ano
 
Destinos com significados
 
Na família da Marcella Chaves Paludo, 9, cada viagem é pensada com significado. E as experiências começaram cedo, quando ela tinha apenas três meses de vida. Para os pais, Taniara Paludo, 44, e Vitor Hugo Paludo, 47, ambos sócios da Paludo Engenharia, proporcionar esses momentos para a filha é replicar os valores que aprenderam na infância. “Viajávamos todos juntos! Família reunida, primos, convivência, estrada. Isso nos marcou profundamente, e hoje faz muito sentido mantermos esses valores com a nossa filha”, contam.
 
Para eles, os passeios vão muito além do lazer: eles também são oportunidades de aprendizado. “Sempre pensamos nas viagens como parte da formação da Marcella. Na época em que ela estava estudando o descobrimento do Brasil, fomos para Porto Seguro, para que ela pudesse ver de perto e compreender os marcos históricos que aprendia na escola. Mais recentemente, fomos para Fernando de Noronha. Ela havia aprendido sobre a formação vulcânica da ilha, e estar lá ajudou a transformar esse conhecimento em experiência concreta”, relatam os pais.
 
Explorar o entorno, conhecer as pessoas, entender o ritmo local, a história e a identidade do destino também fazem parte dos planos da família Paludo. “Existe algo que, para nós, é inegociável: tempo de presença real. Viagem é convivência, conversa, vínculo, escuta e construção de memória afetiva, longe do automático da rotina e das distrações do dia a dia”, afirmam.
 
Quando questionados sobre os investimentos necessários para proporcionar todos esses passeios, eles se associaram a uma reflexão do comunicador Marcos Piangers: “Ele diz que temos ‘13 verões’ com os filhos. O tempo passa rápido e, em algum momento, naturalmente, deixaremos de ser a pessoa favorita deles”, destacam. E sobre os valores e qualidades que essas experiências despertam na Marcella, eles falam, orgulhosos: “Ela é curiosa, aberta, segura e sensível às pessoas e ao diferente. Ela não estranha o novo, ela se interessa”.
 

Catarina e seus pais na cidade de Big Bear Lake, na Califórnia, em 2024

Oportunidade de descobertas

Para a família da Catarina Rohde Almeida, 12, as experiências também se transformam em oportunidades de crescimento e aprendizado. Em 2022, quando ela tinha apenas nove anos, viajou para os Estados Unidos, onde ficou por um mês. “Foi muito significativa essa viagem, porque fizemos um curso de inglês neste período e curtimos a experiência de viver o dia a dia americano, com estudo e muitos passeios”, contam os pais Gabriele Freitag Rohde Almeida, 47, advogada; e Tiberio Torres Almeida, 47, advogado.

 
Para eles, a viagem ideal é aquela que tem como destino cidades ricas em cultura, com gastronomia diferenciada e atrações históricas. “Saímos com destino principal certo, mas vamos escolhendo rotas alternativas, onde descobrimos lugares e cidades que não são as mais procuradas, as mais óbvias e famosas; mas que reservam grandes experiências e memórias inesquecíveis”, lembram.
 
 
A família conta que, assim que chegam de uma viagem, já começam a organizar a próxima. “Amamos descobrir coisas novas. Viajar é um aprendizado inigualável! Estamos estudando os próximos destinos, mas um que está nos nossos planos é uma aventura de motorhome pelos Estados Unidos”, revelam. Os pais acreditam que esses momentos proporcionam uma importante bagagem cultural para Catarina e que, no futuro, será muito bem aproveitada tanto em sua vida pessoal como profissional.





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