
Greice Tomazetti, 42, hoje mentora de carreiras, lideranças e negócios
A rotina das mulheres em cargos de liderança
Elas ocupam espaços que, durante muito tempo, foram negados. Hoje, estão no comando de empresas, negócios e decisões que transformam realidades. À frente da gestão, carregam consigo marcas em comum: a coragem de assumir responsabilidades, a intuição que enxerga além dos números, a capacidade de escutar e engajar pessoas, e a determinação de seguir adiante mesmo diante dos desafios. Nesta reportagem especial, a Linda conta a trajetória de cinco mulheres em suas áreas de atuação.
Espírito de liderança desde a infância
Desde criança, Greice Tomazetti, 42, hoje mentora de carreiras, lideranças e negócios, já demonstrava um perfil de destaque e protagonismo. Para ela, o diferencial de sua liderança está em ter um interesse genuíno e profundo pelas pessoas, tornando a rotina menos investigativa, e mais propositiva e natural.
“Para o meu modelo de negócio, o formato hierárquico não funciona. Quanto mais um líder gostar de pessoas, querer saber sobre a vida delas, seus interesses, escutar sobre sonhos e metas, mais próximo ele será. Assim, o vínculo, a cooperação e a confiança serão consequência”, destaca.
Greice utiliza como estratégia os feedbacks contínuos com o seu time, com diálogos seguros e suporte constante. “Sou a primeira a iniciar a jornada e a última a terminar, mesmo no formato híbrido. Por isso estou sempre presente, independentemente de ser on-line ou presencialmente”, explica.
Um caminho de muita dedicação
Adriana Porto é diretora da Ulbra Cachoeira do Sul
Adriana Porto, 54, é administradora e há cinco anos ocupa o cargo de diretora da Ulbra Cachoeira do Sul. Ela destaca que o caminho trilhado hoje, é fruto de dedicação, aprendizado contínuo e aperfeiçoamento. Em 2008, ela assumiu a coordenação do curso de Administração; a partir de 2018, a coordenação de Pesquisa e Extensão da universidade; e em 2019, fez a transição para a coordenação acadêmica. Esses desafios, segundo ela, ampliaram sua visão estratégica e habilidades de liderança.
“A rotina de quem lidera é desafiadora e dinâmica, sem um ‘padrão fixo’. É preciso ser flexível, ter foco na resolução de problemas e saber manter a calma mesmo diante de situações difíceis”, conta. Sobre o tipo de liderança que exerce, ela afirma que acredita no equilíbrio entre proximidade e respeito à hierarquia. “É importante existir uma relação de confiança entre liderança e equipe, onde todos sintam que sua voz é ouvida e valorizada”, diz.
Para ela, uma estratégia infalível é a escuta ativa. “Essa abordagem não só demonstra respeito pelo trabalho de cada colaborador como também favorece a construção de soluções mais robustas e colaborativas”, destaca. Sobre os desafios já enfrentados por ser uma liderança feminina, ela confirma que já passou por situações onde seu profissionalismo foi questionado por barreiras de preconceito, em contextos ainda dominados por uma visão tradicional.
Uma trajetória de 30 anos
.jpeg)
Jaqueline atua na gestão do colégio Marista Roque
Jaqueline de Freitas Quandt, 57, carrega uma trajetória de 30 anos na Educação. Há cinco, atua na gestão do Colégio Marista Roque. Ela conta que inicialmente, nunca teve pretensão de assumir cargos de liderança, mas que sua dedicação ao longo do caminho, aliada aos anos de experiência, trouxe a ela essa oportunidade.
Para ela, a rotina de quem lidera exige muita organização, escuta ativa, metas e critérios bem definidos, ética, transparência e cuidado. “O relacionamento entre liderança e colaboradores deve ser de respeito e clareza. Toda instituição tem valores que são inegociáveis e isso deve estar evidente na relação, onde o acordo de expectativas entre as partes necessita ser retomado nos momentos de feedback e ajustes de rota”, explica.
Resultados são a melhor resposta
Mariane Labres é CEO na Companhia Tischler
Para Mariane Labres, 47, o caminho também foi árduo, desafiador e exigiu coragem diversas vezes. Há sete anos, ela ocupa o cargo de CEO na Companhia Tischler, mas revela que no início da sua trajetória profissional, era comum perceber olhares de desconfiança em reuniões com fornecedores ou parceiros, principalmente quando era a única mulher na mesa. “Já ouvi comentários sutis, questionando minha capacidade de ‘dar conta’ de um negócio desse porte. Mas sempre respondi com resultados”, conta.
Ela crê que ninguém nasce pronto para isto ou aquilo. “Vamos aprendendo e construindo o que pretendemos profissionalmente”, diz. Hoje, sua rotina é dinâmica e intensa, exigindo tomadas rápidas de decisões, planejamento estratégico e acompanhamento próximo das equipes diariamente.
“Gosto de estar acessível, conhecer as pessoas pelo nome, ouvir suas ideias e reconhecer seus esforços. Essa proximidade gera confiança e pertencimento, o que reflete diretamente no clima organizacional e nos resultados”, conta.
Para ela, o segredo é a comunicação transparente e constante. Por isso, afirma que faz questão de compartilhar com as equipes os objetivos da empresa, os resultados alcançados e os desafios que precisam ser enfrentados. “Quando as pessoas entendem o ‘porquê’ por trás das decisões, passam a agir com mais propósito”, explica.
Liderança flexível e respeitosa

Lourdes Steindorff é administradora e trabalha numa empresa familiar
Lourdes Steindorff, 61, é administradora há 28 anos de uma empresa familiar. Sua caminhada até o cargo de liderança não foi exatamente planejada, mas sem dúvidas foi inspirada no seu pai, Adão Steindorff. “Trabalhei em diversos lugares que foram me preparando para assumir a gerência da empresa. O exemplo do meu pai também foi muito importante nesta construção”, diz.
Para desempenhar a função, ela afirma que é preciso se atualizar constantemente, ser flexível e, ao mesmo tempo, ter pulso firme. Sobre os desafios por representar uma liderança feminina, ela afirma já ter enfrentado alguns, e conta o segredo para superar esse tipo de adversidade. “Nossa sociedade ainda é muito machista. Mulheres que têm uma renda superior à do marido ou estão no comando ainda sofrem bullying. Já fui desencorajada algumas vezes nesse sentido, e nem sempre o desafio veio do sexo oposto. Quando somos jovens, gostamos dos desafios, mas hoje, busco estar em paz”, destaca.