Psoríase

Betty Medinilla Perez é natural de Villa Clara, uma das províncias de Cuba, e mora em Cachoeira do Sul desde 2021
Doença que afeta a pele e a autoestima
Vermelhidão, descamação, coceira e, muitas vezes, constrangimento. Apesar de afetar milhões de pessoas no Brasil, a psoríase, doença inflamatória crônica da pele, ainda é cercada por dúvidas e preconceitos. Para além do incômodo estético, a condição pode impactar profundamente a qualidade de vida e a saúde emocional de quem convive com ela.
Betty Medinilla Perez, 36, médica especialista em dermatologia clínica, esclarece as principais dúvidas sobre a doença — que não é contagiosa e tem tratamento. Entenda mais sobre as causas e os cuidados para devolver bem-estar e autoestima aos pacientes.
A pessoa já nasce com psoríase?
Nem sempre. Ela pode se manifestar em qualquer faixa etária da vida e existem vários fatores que contribuem para desencadear a doença, dentre eles, o principal, que é o estresse. Outras causas estão relacionadas ao tabagismo; algum trauma cutâneo; infecções por bactérias específicas; o clima, alimentos com muito glúten e alguns medicamentos.
“A pessoa nasce com a predisposição à doença, mas ela pode nunca se manifestar ou ser apresentada ao longo da vida, dependendo da exposição aos fatores mencionados. Sabe-se que existe um fator genético, mas a causa específica ainda é desconhecida”, alerta a médica.
Como é o tratamento?
A psoríase não tem cura, pois é uma doença imunologicamente mediada (quando os nossos próprios anticorpos atacam o corpo). Por isso, segundo Betty, a principal forma de tratamento é o uso de medicações que diminuem essa resposta imunológica.

Psoríase palmo-plantar
Dificuldades para além da estética
Na maioria dos casos, a psoríase afeta significativamente a autoestima e a qualidade de vida das pessoas, fatores que podem ser ainda mais impactantes dependendo do tamanho das lesões e da região do corpo onde a doença se manifesta.
“As principais barreiras enfrentadas até hoje são as respostas ao tratamento que, muitas vezes, podem ser demoradas, além das medicações utilizadas, que podem causar reações secundárias. Um fator que auxilia é o uso de imunobiológicos (medicamentos produzidos a partir de células vivas ou de processos biotecnológicos avançados), no entanto, trata-se de medicações com custos elevados e de difícil acesso, seja por meio do sistema público de saúde ou por planos privados”, afirma.
Principais sintomas:
- Placas avermelhadas na pele, com bordas bem definidas.
- Descamação esbranquiçada ou prateada sobre as placas.
- Coceira nas áreas afetadas (em alguns casos).
- Ressecamento e rachaduras na pele, que podem até sangrar.
- Sensação de ardor ou queimação.
- Unhas deformadas ou espessas, com descolamento da lâmina.
- Rigidez e dor nas articulações.

Psoríase manifestada no couro cabeludo