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Reportagens Edição 205 - Outubro de 2025

O corpo avisa


“Reconhecer os riscos e se prevenir são as melhores armas contra o AVC”. João Victor Sampaio

Reconheça os sinais do AVC antes que seja tarde 


O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma das principais causas de morte e incapacidade no Brasil. Ele ocorre quando há interrupção do fluxo sanguíneo para o cérebro, resultando na morte de células cerebrais. Contudo, o mais assustador é que ele pode acontecer de forma súbita, sem aviso... ou quase.  

 

Em muitos casos, o corpo emite sinais silenciosos ou ignorados que poderiam ser decisivos para evitar o pior. Pressão alta descontrolada, má alimentação, sedentarismo e estresse estão entre os principais vilões dessa condição que, embora grave, pode ser prevenida.

  

“Por isso, ao reconhecer os sinais de um AVC, é crucial agir rapidamente, porque o tratamento precoce aumenta significativamente as chances de recuperação e reduz complicações e sequelas”, afirma o médico cardiologista João Victor Silva Sampaio, 40. 


 

Sintomas mais comuns 

A dica do médico é utilizar a sigla SAMU para memorizar os sintomas mais comuns de um AVC: 


S (Sorriso):
O rosto pode ficar assimétrico ao sorrir ou uma parte pode estar paralisada. 

A (Abraço): Fraqueza ou dificuldade para levantar um dos braços. 

M (Música): Alteração na fala, como dificuldade na pronúncia, frases desconexas ou incapacidade de falar. 

U (Urgente): Se qualquer um desses sintomas ocorrer, deve-se buscar ajuda imediatamente.  

 

Qual a diferença? 

AVC Isquêmico (mais comum – cerca de 80% dos casos) 

É causado por um entupimento de uma artéria cerebral, geralmente por um coágulo. Ex: trombose ou embolia. 

 

AVC Hemorrágico 

Ocorre quando um vaso sanguíneo se rompe dentro do cérebro, causando sangramento. É mais grave, geralmente ligado à hipertensão ou aneurismas.  


 

 Exames de rotina 

Segundo João Victor, normalmente os sinais de um AVC aparecem horas ou até dias antes. Isso pode ocorrer especialmente se houver episódios de ataques isquêmicos transitórios (AITs). “Essa janela de tempo pode representar uma oportunidade de prevenção”, diz.

  

Ele ainda explica que alguns fatores de risco podem ser identificados em exames de rotina, mas que não há um exame específico que preveja diretamente o evento. “Eles servem para monitorar condições que aumentam o risco, como hipertensão, diabetes, colesterol alto e arritmias”.  

 

Os exames úteis em acompanhamento e avaliação do risco de AVC são: pressão arterial, teste de glicemia e HbA1c, perfil lipídico completo, eletrocardiograma e ecocardiograma, ultrassonografia doppler das carótidas, ressonância magnética ou tomografia computadorizada (quando indicado) e exames para coagulação sanguínea. 

 

 

Outros possíveis sinais

Sentir um formigamento ou dormência em um dos lados do corpo é um dos sinais mais conhecidos para indicar AVC. Pode acontecer também confusão mental ou dificuldade para entender, perda súbita de visão em um ou ambos os olhos, tontura, desequilíbrio ou dificuldade de andar.

 

Sinais silenciosos 

- Episódios de confusão mental leve ou desorientação. 

- Perda transitória de um sentido, como visão borrada ou perda da fala. 

- Dificuldade de coordenação motora. 

- Formigamentos intermitentes em uma parte do corpo (como rosto ou mão). 

- Mini-AVCs (ou ataques isquêmicos transitórios – AITs): sinais muito leves que duram minutos ou horas e desaparecem espontaneamente. Eles são perigosos porque frequentemente passam despercebidos, mas são alertas importantes de um risco iminente de AVC mais grave. 

- Forte dor de cabeça repentina (sem causa aparente), especialmente para AVC hemorrágico. 

 

 

AVC em jovens 

Embora o AVC seja mais comum em pessoas com mais de 60 anos, ele pode afetar pessoas mais jovens, especialmente aquelas com fatores de risco. Por isso, fique atento a eles: 
 

- Estilo de vida sedentário, tabagismo, obesidade, uso de anticoncepcionais em mulheres (especialmente na presença de enxaqueca combinada com tabagismo), consumo excessivo de álcool e drogas. 

- Doenças genéticas ou condições específicas, como trombofilia ou má-formação arteriovenosa. 

- Mudanças no perfil populacional: consumo de alimentos ultraprocessados e altos níveis de estresse. 






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