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Reportagens Edição 205 - Outubro de 2025

Nem sempre é birra


Luiza da Silva Lima é especialista em Psicologia Educacional e Análise do Comportamento Aplicada (ABA) para o Autismo

Crianças se recusam a obedecer e desafiam autoridade


Quando os momentos de teimosia das crianças se repetem de forma intensa, é preciso olhar com atenção para este comportamento, que tem um nome: é o Transtorno Opositivo Desafiador (TOD). Diferentemente de birras ou rebeldia, ele envolve um padrão de atitudes hostis, que impactam a rotina da família, da escola e do próprio desenvolvimento da criança. “No TOD, esses comportamentos são recorrentes por pelo menos seis meses, incluindo irritabilidade, recusa em obedecer, tendência a culpar os outros e até comportamentos vingativos”, destaca a psicóloga Luiza da Silva Lima, 29, que atua há quatro anos na área.

 

Quando os sinais aparecem?

Eles podem se manifestar já nos primeiros anos de vida, mas costumam ficar mais evidentes na idade escolar, quando as demandas sociais e acadêmicas aumentam e a criança precisa lidar com mais regras e limites. 

 

Punição

Não é recomendado punir a criança porque pode aumentar a intensidade das reações e gerar ainda mais oposição. O ideal é que os pais se coloquem como parceiros, estabelecendo um vínculo de confiança que ajude a enfrentar juntos as dificuldades do dia a dia”, enfatiza.

 

Diagnóstico e tratamentos

Segundo a psicóloga, quando o diagnóstico é feito cedo, pais e profissionais podem oferecer à criança intervenções no período de maior neuroplasticidade, ou seja, quando o cérebro cria e fortalece conexões. 


Ela reforça que o tratamento é ainda mais eficaz quando família, escola e profissionais de saúde atuam juntos. Em algumas situações, a equipe pode ser multidisciplinar, já que o transtorno, muitas vezes, está associado a outras condições, como TDAH, autismo, dificuldades de comunicação ou motoras e sensoriais.


Alguns casos também podem incluir o uso de medicações, indicadas por médico neuropsiquiatra ou psiquiatra, como suporte para reduzir sintomas mais intensos e facilitar o engajamento da criança nas terapias.

 

3 mitos sobre o TOD:

- “Não é transtorno, é falta de limites”. Isso atrasa os pais a buscar ajuda por receio de serem julgados.

“Punição é a forma mais eficaz de lidar com os comportamentos desafiadores”.

“O diagnóstico está na moda”. Não, este é um transtorno reconhecido cientificamente. 






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