Cuidado com o osso!

“Se for dar osso para o seu cão, escolha opções grandes o suficiente para evitar qualquer risco a saúde de seu pet”. Edson Salomão.
Eles podem custar a vida do seu cão
Dar um osso para o cachorro roer é, para muitos tutores, um gesto carregado de tradição. A cena parece natural: o cão entretido, os dentes ocupados, e a sensação de recompensa. O que muita gente não se dá conta, é que por trás desse hábito popular, se esconde um risco sério à saúde dos animais.
Fragmentos de ossos podem se partir em lascas afiadas, capazes de perfurar o estômago ou o intestino, causando hemorragias internas, infecções e até a morte do pet se o socorro não for imediato.
“Essa tradição vem de tempos remotos. Os primeiros lobos domesticados recebiam restos de caça em troca de proteção e ajuda na sobrevivência do homem. Essa relação milenar criou o vínculo entre o cão e o osso, perpetuando esse hábito até hoje, principalmente para higiene dental e fonte de cálcio”, destaca o médico veterinário Edson Luiz Salomão, 71.
Atenção aos perigos
Segundo o profissional, nem todos os ossos fazem mal à saúde do pet, já que o cão possui um suco gástrico que ajuda na digestão de ossos e cartilagens em pequenas quantidades. Mas para ele, a melhor forma do cão consumir o osso é cru, pois cozido ele pode lascar com mais facilidade.
No entanto, é importante ficar atento: ossos como os de fêmur de aves, por exemplo, são considerados um dos mais perigosos. Ao lascar, eles podem causar perfurações no intestino, fecaloma (acúmulo de fezes endurecidas e compactas no intestino), além de machucar as gengivas e fraturar os dentes.
Os tutores também devem ficar em alerta em relação aos ossos pequenos, como de costela suína ou ovelha, pois eles costumam trancar no céu da boca. Outro ponto de atenção deve ser com ossos grandes e que geralmente são serrados em pedaços para colocar em sopas. “Eles podem encaixar na mandíbula inferior do cachorro e trancar. Nesses casos, só levando ao veterinário para anestesiar o animal e serrar o osso”, explica.

E se o cão enterrar o osso?
Por instinto natural de sobrevivência, os cães têm o hábito de enterrar os ossos, como forma de guardar o alimento e até de protegê-lo de outros animais. Nesse sentido, Salomão alerta para outro risco grave: “O animal pode ingerir ossos ou restos de comida em decomposição, que estejam contaminados com a bactéria Clostridium botulinum, que produz a toxina botulínica. Nesse caso, o cão pode adoecer severamente, pois essa toxina é responsável pela paralisia progressiva nos animais, sendo uma das substâncias mais letais já conhecidas”, alerta.