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Reportagens Edição 204 - Setembro de 2025

Crianças precisam se frustrar!


“A maneira como lidamos com as frustrações na infância nos molda por toda a vida. E tudo começa nos pequenos ‘nãos’ do dia a dia”. Amália San Martin

As decepções preparam para a vida adulta


Quem nunca viu uma criança emburrada porque o brinquedo quebrou, porque não venceu a competição na escola ou simplesmente porque a mãe ou o pai disse “não” para mais um doce? A frustração é uma das primeiras emoções fortes que sentimos na vida — e, na infância, ela costuma vir com tudo, sem manual de instruções para lidar. Para os adultos, pode ser difícil assistir a essas explosões e não saber bem o que fazer; acolher? Corrigir? Ignorar?

 
O fato é que aprender a lidar com a frustração faz parte do crescimento e, mais do que isso, ajuda a construir adultos mais fortes, pacientes e confiantes no futuro. “Ensinar isso desde cedo, com amor e acolhimento, pode ser um dos maiores presentes que damos às crianças. Embora desconfortável, a frustração é uma oportunidade de aprendizado. Ela ensina que nem tudo acontece como se quer, que existe o outro, que há limites, e que tudo isso pode ser enfrentado com segurança emocional”, explica a psicóloga Amália San Martin, 39.

 

Por que evitar a frustração faz mal?        

De acordo com a profissional, crianças que são constantemente poupadas de frustrações podem se tornar mais ansiosas, impulsivas ou dependentes. Em alguns casos, até apresentam dificuldades escolares e sociais por não saberem lidar com limites ou “nãos”.

 
“A criança cresce acreditando que o mundo sempre se adaptará às suas vontades, o que não condiz com a realidade. A superproteção pode dificultar o desenvolvimento de habilidades emocionais importantes, como a tolerância à frustração, o autocontrole, a resiliência e a autonomia”, destaca.

 
De forma prática, se a criança quiser um brinquedo no mercado, diga que entende que ela ficou com vontade, mas mantenha o limite, afirmando: “Mas não vamos comprar agora”. “Pequenas frustrações do cotidiano, como perder um jogo, esperar a vez ou não conseguir o que se quer, funcionam como ‘ensaios emocionais’ para a vida adulta”, exemplifica.

 
No entanto, é imprescindível que esse processo aconteça de forma acolhedora. Do contrário, quando há negligência, excesso de exigência ou falta de atenção de adultos para conduzir as situações, ele pode se tornar prejudicial. “O trauma não vem da frustração em si, mas da ausência de suporte emocional. Frustração com presença, escuta e orientação fortalece o emocional da criança”, afirma.

 

E quando os pais se sentem culpados?

Para Amália, a culpa por parte dos pais é bastante comum, mas precisa ser transformada em responsabilidade afetiva. “A culpa é um sentimento natural em pais cuidadosos, mas é importante ressignificá-la. Permitir que a criança se frustre, com apoio emocional, é um gesto de amor e preparo para a vida”, diz.

 

Sinais comuns da superproteção:

- Resolver todos os problemas pela criança, antes mesmo que ela tente;

- Evitar qualquer situação que possa causar frustração ou esforço;

- Dificuldade em dizer “não” ou impor limites;

- Substituir constantemente a criança em tarefas ou falas.






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