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Reportagens EDIÇÃO 18 - OUTUBRO 2008

100% PAI


Nova geração de homens descobriu que o importante mesmo é participar da vida dos filhos

 

Antigamente a função do pai em uma família era basicamente garantir o sustento dos filhos, mas as mudanças na sociedade fizeram mudar também essa forma de pensar. Depois que a mulher saiu para a rua em busca do sucesso profissional, o homem precisou ficar mais atento à vida e ao cotidiano dos seus filhos. Se antes a criação era apenas delegação delas, hoje as obrigações são divididas e divididos também o sustento e os cuidados com a casa e ainda com a educação das crianças. Esse novo comportamento traz ganho não só para os pequenos, como para o pai, que se torna um grande companheiro. É hora de deixar definitivamente para tras a figura do homem durão, muitas vezes herdada dos pais e avós.

O fisioterapeuta Robson Petrucci, 40, leva ao pé da letra o jargão que já foi slogan de propaganda comercial: não basta ser pai, tem que participar! Quando perguntado se ele é um pai participativo sua resposta foi objetiva: sim. “Hoje a mulher ajuda no orçamento de casa, por isso temos que contribuir com ela as tarefas domésticas", observa. Dividir as atividades com a companheira demonstra cumplicidade entre o casal. Ele faz questão de ressaltar que tem muito prazer em cuidar das crianças.
Com os filhos já crescidos, Robson Petrucci é presente na vida do Pedro, 11, e da Júlia, 8, desde que nasceram. “Não sei se eles me admiram tanto, mas eu sou fã deles. Vibro a cada vitória e por sempre ter acompanhado suas vidas, temos uma cumplicidade muito grande”, conta alegre junto à esposa, a fisioterapeuta Mirian Petrucci, 42. “Espero que essa ligação que temos hoje siga no futuro. Procuro sempre nutrir essa amizade através de programas juntos, para que na adolescência eles não se afastem da família”, observa.

 


Petrucci com os filhos e a esposa: família unida em todos os programas

 

Assim como Robson, o pai de primeira viagem Manoel Félix, advogado de 30 anos, tem acompanhado cada dia da pequena Alicia, de apenas um mês. “Faço questão de participar. Ajudo a trocar fralda e até dar banho. Claro que a vida muda, mas mesmo ficando cansado, estou achando ótima essa rotina de pai”, observa. A esposa Marivan Trojan Félix, 31, testemunha com satisfação a participação do marido. “Sou psicóloga e em breve terei que voltar a trabalhar, por isso estou achando ótima a presença dele. À noite, é ele quem acorda para acalmar o nenê enquanto eu descanso para começar tudo de novo no outro dia”, conta Marivan.


Manoel: ao lado da esposa Marivan, ele divide os cuidados da pequena Alicia, de apenas um mês

 

Super pai


Eles têm um dia corrido, mas sempre arrumam tempo para se dedicarem à família


“Faço tudo o que uma mãe faria, só não amamento porque isso a natureza não me permite”, diz o empresário Pelópidas Bernardi, 37, para resumir com seu jeito brincalhão como é ser pai do Pitágoras, dois anos, e da pequena Penélope, dois meses. Mesmo contando com o auxílio de uma babá, ele não deixa de participar, se fazendo presente em todos os momentos das crianças. “Em tempos modernos, os homens trocam fraldas, contam histórias para dormir e participam mais da vida familiar. A postura do homem mudou com certeza. Meu pai passava pouco tempo comigo por causa do trabalho. Os problemas diários cabiam todos a minha mãe cuidar”, observa.
Também pudera essa dedicação toda. A esposa dele, Roberta Bonamigo Bernardi, 27, nem mesmo esperou o fim da licença-maternidade e já voltou a se dedicar à profissão de dentista. Essa divisão é boa tanto para a mulher, que alivia o peso da jornada tripla de trabalho, como para o homem, que se sente mais tranqüilo por não ser o único responsável pelo sustento das crianças. Além de ser presente quando está em casa, Pelópidas faz questão de levar o filho ao seu trabalho. “Poderia deixar com a babá ou em uma escolinha, mas prefiro que esteja por perto. Não vejo como sacrifício e sim como um bem para ele, que se torna mais sociável”, comenta. Pelópidas faz parte do grupo de homens focados na carreira, mas embora o sucesso profissional ainda seja fundamental para a felicidade, cada vez mais a realização pessoal é valorizada.


 

Sempre presente: Pelópidas faz questão de dividir a criação dos filhos com a esposa Roberta

 


Rodrigo Coelho, 37, segue o mesmo caminho. Médico oftalmologista e com uma agenda cheia, ele não deixa a carreira de lado, mas também não abre mão de passar algumas horas do dia ao lado dos filhos Pedro Augusto, 5, e Sophia, 2. “A família unida se torna uma âncora para o resto da vida. A mãe é naturalmente próxima dos filhos, mas o pai precisa se esforçar para conciliar a vida profissional com as crianças e não deixar que o elo de ligação se rompa”, observa. Para Rodrigo não é só a presença que deve ser tida como importante. “É preciso que o pai também administre todas as necessidades, cuidando da educação, escola e orientações”, ressalta o médico.
Casado com a psicóloga Gleice Rezende Coelho, 36, Rodrigo vê em sua família um modelo ao qual não estava acostumado. “Meu pai sempre trabalhou muito e minha mãe era a responsável por tudo o que dizia respeito aos filhos. Hoje vejo que a família moderna exige um pai presente, porque a mãe também tem um dia cheio. Sempre procuro acompanhar e dividir meu tempo, sem esquecer a vida pessoal”, observa o oftalmologista.


Rodrigo: agenda de médico não é empecilho para conviver com a família



 Ser pai é ser presente


Os laços entre pais e filhos estão tão estreitos que não é difícil encontrar cenas como homens de negócios, cheios de compromissos, arrumando um tempinho para deixar o filho na escola, acompanhá-lo no esporte ou brincando no parquinho. Claro que falar em família unida é fácil quando os pais estão casados, mas nem sempre a separação significa distanciamento dos filhos. O advogado Alexandre Hollweg, 40, é separado da mãe de Pedro Proença Hollweg, 6 anos, mas nunca deixou de participar da vida do filho. Ele acompanha o desenvolvimento do menino diariamente. “Não quero nunca me afastar do meu filho, acredito que essa cumplicidade é fundamental”, observa o advogado.
Entre as atividades está levar e buscar Pedro nas aulas de tênis, inglês e natação. “Lógico que é trabalhoso, muitas vezes acaba interferindo na atividade profissional, mas é tão prazeroso ver a evolução do meu filho que acabo abrindo mão até mesmo do tempo que usaria para mim”, conta. A alegria de Pedro ao lado do pai pode ser percebida por quem se aproxima. “Priorizo sempre esse tempo juntos. Eu mesmo não lembro de meu pai acompanhando os filhos em atividades escolares ou no dia-a-dia, antes era tudo mais distante e como eu sentia falta dessa proximidade, hoje não me afasto nunca do meu filho”, conta.

 


Alexandre: mesmo depois da separação, ele segue participando da vida do filho Pedro



 

A história de Alexandre e outros pais modernos remete à pergunta: afinal, quem garante que a presença do pai é tão importante para o bom desenvolvimento de uma criança? Uma série de estudos revela que se o papel da mãe é o de acolher o filho investindo muito afeto nesta relação, ao pai cabe servir como ponte para apresentação e aceitação da realidade à criança. Então, para os pais que fazem questão de participar do crescimento do seu filho: parabéns! E para aqueles que ainda não fazem isso, sempre é tempo de começar a fazer a diferença na vida do seu filho.



 

Mães



Já está no instinto da mulher demonstrar seus sentimentos, mas para os homens pode não ser tão  simples assim. Confira dicas para aproximar seu parceiro dos filhos


Programa a dois

Estimule programas só de pai com os filhos, isso favorece a cumplicidade e o homem aprende a se virar sem a mulher por perto e pode também ser mais espontâneo com as crianças.


Ouça ele

Peça a opinião do parceiro até mesmo quando já saiba o que quer fazer. Isso fará ele se sentir importante na participação das decisões familiares.


Deixe-o tentar

Para eles, crianças e tudo o que vem delas é novidade. Deixe tentar e não socorra a cada dificuldade, afinal, ele é tão capaz quanto as mulheres.


Hora de brincar

Estimule as brincadeiras, mas também delegue algumas broncas para que ele dê aos filhos. Equilibre tarefas e lazer.


Pais


Dicas para ser um pai exemplar


.  Equilibrar seu tempo entre o lar e o trabalho


Acompanhar o mais próximo possível esses primeiros meses de vida, dando apoio, carinho, seu tempo para a criança


.  Procurar estar em sintonia com as necessidades de seus filhos na medida do seu crescimento. Reconheça seus progressos


. Demonstrar interesse pela vida escolar. Converse, troque idéias, e não o chame somente para fazer-lhe uma crítica ou chamar atenção por um comportamento inadequado


Interessar-se pela vida diária de seus filhos, integrando com o seu dia-a-dia

 

.  Envolver-se com a criança desde o momento da gestação, acompanhando todo o processo da gravidez


. Estar sempre presente nos momentos importantes de seus filhos

Independente da separação ou de seu estado civil, seu filho sempre precisará da sua presença


.  Não use seu filho como um motivo de divergência entre você e sua ex-esposa


Lembre-se que ser pai é um papel que você nunca deixará de exercer. Bem ou mal


. Estar presente em todos os progressos que seu filho demonstre, acompanhando com amor a sua evolução

 






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Edição 136 - junho de 2019

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