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Reportagens EDIÇÃO 17 - SETEMBRO 2008

Etiqueta não é frescura, tchê!


Semana Farroupilha é o momento ideal para ficar atualizado com a cultura gaúcha e evitar gafes

 

Assim como nas mais variadas culturas existem regras de etiqueta, com o povo do Rio Grande do Sul não é diferente. São pequenos cuidados que podem evitar grandes deslizes e fazer mesmo quem é gaúcho de origem não cometer gafes, especialmente nas principais tradições: entoar hinos, indumentária e com o chimarrão. Confira as dicas do pesquisador da história do RS, Otávio Peixoto de Melo, popularmente conhecido como Maragato, 69 anos, sobre as situações mais comuns vividas pela gauchada e atualize-se para fazer bonito a partir da Semana Farroupilha.



 

 

Moda gaudéria: lenço é item obrigatório da indumentária, mas precisa ser adequado às tradições



 


Na hora do hino


Gafes dos mais variados tipos são comuns na hora de entoar hinos, mas alguns cuidados são fundamentais para não fazer feio.


. Não se deve aplaudir depois de entoar o hino, seja o do Rio Grande do Sul ou do Brasil. No máximo, se tiver sido executado por uma banda ou conjunto, aplaudir os músicos. Aplausos quando for tocado por equipamento eletrônico é uma grande gafe.


. Quem não sabe a letra, deve ficar calado para não correr o risco de não conseguir acompanhar.


. A postura deve ser ao estilo militar, de forma respeitosa, sem nunca ficar displicente.


 

Chimarrão


Uma roda de chimarrão é um momento de descontração, fazendo parte de um ritual para unir gerações e fortalecer amizades. Mas também possui suas regras de etiqueta
 
. A cuia sempre deve ser entregue e recebida com a mão direita. Quem enche o chimarrão pode ficar o tempo todo sentado, sendo de quem toma o dever de levantar para buscar e entregar a cuia.
 
. O primeiro chimarrão deve ser sempre de quem fez. Essa é uma tradição antiga que prova que o chimarrão não possui veneno. Além disso, o pior mate é o primeiro, e quem toma está te prestando um favor.
 
. A roda deve ter no máximo quatro mateadores. Se tiver mais do que isso é necessário duas cuias.
 
. Se você chegou após ter iniciado a rodada, sente-se no lado esquerdo de quem está com a cuia na mão, assim aguardará a vez de todos até chegar a sua. A propósito, a roda deve ter seguimento sempre pela direita.



Indumentária para fandangos


Assim como a moda do cotidiano, as vestimentas gaúchas também possuem regras que vão desde cores até combinações.


. Homens: a camisa deve ser de preferência da cor branca, seguindo as tradições. No máximo cores claras e se quiser com listras finas. Camisa xadrez não deve ser usada nunca, pois faz parte da cultura alemã. A regra é seguir os padrões, sem improvisar.


. Botas só nos tons de marrom ou na cor preta e deve ser combinada com a guaiaca, o cinto da indumentária. Aliás, esses são os únicos itens que precisam combinar na indumentária.


. A cor do lenço, item obrigatório da vestimenta gaúcha masculina, mostra a ideologia de quem usa. O lenço vermelho (maragato) e o lenço branco (ximango) são os mais tradicionais, identificando, na Guerra dos Farrapos (1835-1845), na Revolução Federalista (1893-1895) e na Revolução de 1923 os diferentes lados envolvidos nas contendas. O uso dessas cores demonstra simpatia com maragatos ou ximangos. Apesar de muito comum, o lenço preto nunca deve ser usado para ir a um fandango. Ele significa luto e deve passar longe de festividades. Outro lenço que deve passar longe é o multicor, conhecido como lenço argentino, que não mostra ideologia.


. Uso de esporas em fandangos vai contra as tradições.


. Para mulheres: deixe os vestidos muito armados para as baianas. As prendas devem usar modelos com armação modesta e se tiver camadas de babados, opte por no máximo três.






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