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Reportagens Edição 175 - Janeiro e Fevereiro de 2023

Hipnose: terapia ou espetáculo?


Conheça mais sobre este fenômeno neurológico que é capaz de controlar a mente

 

 

Estado de consciência, truque, mágica ou algo sobrenatural? Há quem acredite e também há quem desconfie. Mas a verdade é que ela é um fenômeno neurológico que acontece bem no meio do cérebro e que pode ser usada para controlar a própria mente. A hipnose, descoberta no século 18 pelo médico alemão Franz Mesmer, ganhou ainda mais visibilidade na figura de Pyong Lee, ilusionista e influenciador digital que ficou famoso por falar sobre o assunto na internet. Em 2020, ele participou do Big Brother Brasil e hipnotizou alguns participantes ao vivo.  

 

“Podemos entrar em hipnose várias vezes ao dia: quando nos emocionamos com um filme ou dirigimos de forma automática, sem prestar atenção no caminho, por exemplo. Pessoas que conseguem ‘se perder’ em filmes e em um pôr do sol se permitem passar pela hipnose mais facilmente. Crianças que usam muito a imaginação tendem a ser adultos que conseguem passar pela hipnose também de forma mais fácil”, explica Joseane Arena, 47, psicóloga há 19 anos e especialista em Hipnose Clínica e Hipnose Não Verbal. 

 

De maneira mais intensa, a hipnose é um procedimento que, através da indução de um estado de profundo relaxamento (obtido por meio da respiração e do relaxamento muscular progressivo), permite à pessoa acessar conteúdos internos que, em estado de vigília (acordado), demoraria mais tempo para compreender. É como se a pessoa ficasse em um estágio intermediário entre dormir profundamente e estar acordado.  

 

Conforme Joseane, tanto na hipnose quanto no transe hipnótico, o paciente é levado a um estado de hiperfoco, fazendo-o ficar extremamente concentrado e consciente todo o tempo. A sessão é guiada pelo terapeuta, onde são acessadas memórias que, por algum motivo, parecem esquecidas, mas que são responsáveis pela construção de crenças iniciais, podendo estar ligadas a traumas e experiências ruins. 

 

A especialista esclarece que, diferentemente do que muitos pensam, o paciente permanece consciente durante todo o processo e, por isso, não é possível fazer qualquer coisa contra a sua vontade ou que contrarie os seus valores e princípios. “A hipnose é, sim, ciência. Já é reconhecida no meio acadêmico como uma ferramenta extremamente útil, sendo cada vez mais estudada, com milhares de artigos científicos sobre o assunto. Inclusive, pode ser associada a tratamentos terapêuticos”, destaca.  

 

 

Qualquer pessoa pode ser hipnotizada? 
Não. cerca de 2% das pessoas não conseguem entrar em transe hipnótico, sendo chamadas de “insuscetíveis”. São, em geral, pessoas que apresentam alguma patologia psiquiátrica ou que simplesmente não conseguem alcançar nenhum nível de transe, mesmo estando dispostas a isso.  
 

“Com exceção das pessoas que apresentam alguma deficiência intelectual, qualquer um pode ser hipnotizado, desde que esteja disposto a isso. Portanto, não é possível hipnotizar alguém que não queira e, mesmo que isso fosse possível, feriria os princípios éticos de dignidade humana e vontade do indivíduo”, explica.  

 

 


“A hipnose permite compreender a causa do problema mais rapidamente, quebrando as barreiras defensivas que existem quando estamos conscientes. Entendendo essa origem, torna-se mais fácil lidar com o problema e eliminar os prejuízos que ele nos causa - psíquica e emocionalmente”. Joseane Arena

 

 

ATENÇÃO! 
“A hipnose é reconhecida pelos conselhos federais e alguns regulamentam a sua prática em suas atividades profissionais. São eles: conselhos federais de Medicina, Psicologia e Odontologia, Fisioterapia e Enfermagem. Eles conceituam, esclarecem, fundamentam e recomendam o uso científico das técnicas de hipnose clínica como alternativas terapêuticas e coadjuvantes aos tratamentos convencionais”, destaca Joseane. 

 

 

Três perguntas sobre hipnose 

A hipnose realizada em consultório é a mesma dos espetáculos? 
“Não. A hipnose de palco ou de rua tem objetivos de entretenimento. Ela mistura o ilusionismo com formas de indução de transe, fazendo as pessoas desempenharem atividades que as exponham demais. Essa prática, com fins espetaculares, contribuiu para a vulgarização e descrédito da hipnose, fazendo com que surgissem vários estigmas e falsas ideias. Apesar desses fatores, não tem prejuízo algum a quem participa e pode ser até mesmo divertida. Mas, os objetivos e técnicas na clínica, são complemente diferentes”. 
 
É possível induzir para algo ruim? 
“Mais ou menos. A sugestão pós-hipnótica realmente existe – é possível programar o cérebro de pessoas altamente suscetíveis. Mas só com instruções muito simples (como pular ao ouvir um sinal, por exemplo). Ela não funciona com ordens complexas, que envolvam várias etapas de raciocínio ou sejam contra a índole do indivíduo. Ao contrário da crença popular, uma pessoa hipnotizada não vira um robô e nem fica em transe para sempre se o hipnotizador sumir. É possível fazer o hipnotizado dizer coisas que não gostaria ou comer e não sentir o gosto, mas, geralmente, isso é usado em shows de hipnose de palco e sem fins terapêuticos, de forma momentânea e não permanente”.  
 
Como saber se as memórias ativadas são falsas ou verdadeiras? 
“É importante ter bastante cuidado na escolha do profissional. Ele precisa atuar usando as sugestões para a indução ao estado, porém, deve estar extremamente conectado com o paciente para oferecer o acesso às memórias e não interferir no conteúdo a ser acessado. Por ser uma terapia focada no paciente, feita ‘sob medida’, o terapeuta deve estar sempre atento para buscar melhorar a si mesmo, desenvolver a capacidade de observação e estar atento em melhorar as suas intervenções”. 





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