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Reportagens Edição 174 - Dezembro de 2022

Lizandra é dura na queda


Lizandra Frantz entrou no hospital com a expectativa de ficar seis meses, e saiu em 17 dias, voltando a trabalhar em apenas dois meses

Ela teve o corpo em chamas e a vida de volta

 

 

Apenas 40 dias separam o momento em que Lizandra chegou ao Hospital de Pronto Socorro em Porto Alegre pedindo para se despedir de seus pais de quando pôde tomar um banho de chuveiro e se sentir viva com a sensação de deixar a água escorrer pelo corpo. Um acidente em casa, com uma lareira elétrica, fez toda a sua vida mudar em segundos.  

 

Lizandra Frantz tem 23 anos, é natural de Pantano Grande e se mudou para Cachoeira no início deste ano. Formada em Estetacosmetologia pela Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), ela começou a trabalhar na cidade e conquistou seu espaço cuidando da estética e autoestima das mulheres.  


Lizandra Frantz não esconde as cicatrizes que a fizeram ressignificar muitas coisas em sua vida 


 

Sempre muito vaidosa, acostumada a receber elogios e sendo inspiração em beleza para suas clientes, teve que aprender a se aceitar e olhar suas cicatrizes no espelho sem derrubar uma lágrima. “Quando eu cheguei ao hospital, eu escutava as pessoas falando: ‘Esta menina não vai sobreviver’, e, naquele momento, tudo que eu queria era ver meus pais e poder me despedir deles”. 

 

Deus coloca anjos o tempo todo perto da gente. Anjos que chamamos de amigos, e são eles que nos socorrem no desespero. Lizandra reconhece que só está viva hoje, porque Deus permitiu e enviou seus guardiões para que ela pudesse se livrar das chamas que queimavam seu corpo e chegar a Porto Alegre com vida. 

 

 

No dia seguinte ao acidente, ela foi acordada para fazerem a limpeza dos curativos, e a dor que sentia só não foi maior que a alegria de ver que seus pais já estavam ali (Andréa Frantz, 51, e Carlos Augusto de Freitas, 54). “Vi meu pai chorar, como nunca pensei ver, enquanto dizia: ‘Meu pinto, seja forte’, e minha mãe, também chorando muito, dizia: ‘Tu vai ficar bem, filha’. Por momentos, eu acreditava que eu ia mesmo sobreviver, mas meu medo de ficar fisicamente dependente dos outros era muito grande”. 

 

Lizandra, mesmo com 20% do corpo queimado, fazia “graça” no hospital e inspirou muitas pessoas a lutarem pela vida 


 

Neste momento, a família teve a notícia de que Lizandra teria que fazer uma cirurgia e, posteriormente, outra para enxerto de pele. O estado das cicatrizes era gravíssimo, com estimativa de ficar internada, pelo menos, seis meses no hospital. De um lado, ela ficou apavorada, mas, de outro, criou força e tomou a decisão de que em um mês sairia de lá. “Me davam comida na boca, porque o meu braço não se movimentava, e mesmo sem vontade nenhuma de comer, eu comia, pois sabia que fazendo todas as orientações dos médicos, eu ia melhorar mais rápido”, conta. 

 

Lizandra saiu do hospital no décimo sétimo dia e teve autorização para seguir com o tratamento em casa. Durante a internação, ela teve inúmeras manifestações de pessoas do Brasil todo que lhe davam força e se solidarizavam, contando experiências próprias. “O carinho da equipe do hospital foi também motivador para mim, e estando ali, eu vi várias pessoas lutando pela vida e em situações muito piores que a minha”, conta. 

 

Já nos primeiros dias de internação, várias correntes de oração começaram a se formar. Uma amiga próxima a ela contou que pessoas de todas as religiões a procuravam para dizer que estavam torcendo por Lizandra e mobilizando igrejas e outros grupos para ficarem em constante oração. “Nos primeiros dias internada, intercederam por mim no centro mediúnico do Marlon Santos e recebi uma cirurgia espiritual à distância”, revela. 

 

 

A recuperação rápida da Lizandra, a ponto de sair do hospital muito antes do tempo previsto e de não precisar ter feito a cirurgia para enxerto de pele, é daqueles casos que só Deus tem a resposta. Já vivenciamos em Cachoeira situações parecidas, onde houve correntes fortes de oração, e vimos pessoas desenganadas sobreviverem.  

 

Lizandra, no momento em que teve alta do hospital, foi homenageada pela equipe que cuidou dela 


 

“A cena do incêndio é como um filme que passa diariamente na minha mente. Deus me deu uma nova oportunidade de viver e, com o tempo, vou entender o propósito Dele com tudo isso. Lógico que às vezes me paro questionando: ‘Por que comigo?’, porém, sou muito grata por estar aqui, pela minha recuperação rápida, por todos que estiveram ao meu lado, tanto em oração quando presentes, pelos aprendizados que tive, pela equipe do hospital, que foi excepcional, e pelos novos amigos que fiz”, desabafa.

 

“Sou grata a Deus por estar viva e acredito que tenho uma missão bem grande pela frente” 

 

! Todas as fotos da Lizandra foram produzidas em Porto Alegre com o publicitário e fotógrafo Vitor Ceolin, especialista em fotos para branding pessoal.

 

 

O presente que é estar vivo 

Assim como Lizandra, eles também viveram experiências marcantes que os colocaram de frente com a morte. Gabriela Schirmer, 34, esteticista, teve em 2018 um aneurisma cerebral que a levou a uma cirurgia de alta complexidade. Na UTI do hospital em Lajeado, ela só conseguia pensar na família e no filho, que estava prestes a completar 5 anos.  

 

“A lembrança que mais me marca é do dia da cirurgia. Toda a minha família estava lá, na porta do bloco cirúrgico, formando um corredor humano cheio de esperança. Ouvia-os dizendo no meu ouvido que os amigos e conhecidos estavam junto em uma corrente de orações. Demorei muito tempo pra externar o que senti, mas vi uma luz tão forte sobre meus olhos, que eu tive a certeza de que Deus estaria agindo naquele momento”, relembra. 

 

 

Depois de ter ganho a vida de volta, ela diz que seu relacionamento com a família passou a ter um novo significado. Hoje, sem a presença de seu pai, ela afirma refletir sobre a importância de viver o presente sem tanta ansiedade pelo futuro. “Posso afirmar que sou a Gabi que, no fundo, sempre esteve aqui. Com a certeza da força da vontade de viver e com a obrigação de fazer a vida valer cada segundo vivido, depois dessa nova chance que recebi”.  


 

Alisson Marques, 33, gerente comercial e produtor de eventos, apaixonado por atividades físicas, foi acometido pela covid-19 no auge da pandemia, há dois anos. Tudo foi muito rápido. Sete dias após manifestar os primeiros sintomas, o quadro piorou e comprometeu 80% do seu pulmão. Foram 22 dias entubado e, depois, mesmo em casa, mais de dois meses sem caminhar sozinho. “Quando soube que a intubação seria a única forma de tentar sobreviver, pedi o celular e liguei para as pessoas mais próximas para me despedir”. 

 

Ele conta que só não quis ligar para os filhos, para que eles ficassem com a imagem do pai sorrindo e brincando. Mas lembra de ter pedido para que a família cuidasse bem deles. “É verdade que passa um filme diante dos olhos. Você se questiona se está vivendo de forma correta, se vale a pena toda a procrastinação, se é só de trabalho que se vive. Hoje, já mudei esse ponto de vista. Continuo trabalhando, mas também aproveito pra viver cada dia”, diz.  


 

Em 2009, aos 8 anos de idade, Nathalia Jagnow, 21, hoje cirurgiã-dentista, foi diagnosticada com LLA (leucemia linfoide aguda). Foram cinco anos de tratamento, incluindo a colocação de um cateter, até que ela estivesse completamente curada. “Apesar de ser uma criança, demorou até a ficha cair e eu entender o motivo de ter que passar por isso. O medo de nunca mais voltar a ter minha vida normal era muito forte. Estar em casa, mas não poder ter contato com ninguém, devido à baixa imunidade, fazia parecer que aquela fase nunca iria passar”, diz.  

 

Apesar da infância difícil, ela relata que a experiência trouxe maturidade e um novo olhar à vida. “A palavra que define meu caminho é vitória. Depois do que passei, busco sempre me sentir vitoriosa, persistente e capaz em tudo que me proponho a fazer. O principal ensinamento que ficou é que devemos nos cercar de pessoas que nos amem e estejam conosco apesar de qualquer situação, pois, assim, a jornada se torna mais leve”.  






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