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Reportagens EDIÇÃO 16 - AGOSTO 2008

Vovôs com todo o gás


A nova geração que chega à terceira idade está derrubando a imagem de que ser idoso é viver de meia e chinelo

 

Quando se fala em idosos, para muitos ainda surge a imagem de vovós com seus cabelos branquinhos, assistindo televisão em suas cadeiras de balanço, tricotando meias de lã, fazendo pão caseiro e cuidando carinhosamente dos netinhos. Entretanto, esse conceito ficou para trás há algum tempo. Os idosos já não são mais os mesmos. Antigamente a chegada à terceira idade era sinônimo de descanso e uma vida rotineira, mas hoje eles dão show de energia e mostram que idade não é motivo para perder o pique. A turma da “melhor idade”, como eles mesmos se definem, está viajando, participando de festas, estudando e também namorando.

Renita: “Terceira idade é a melhor fase da vida, os filhos estão encaminhados e acabaram as preocupações com a construção de um bom futuro. Agora é a fase ideal para eu me curtir”

Aos 65 anos, mas com corpinho de 50, Renita Kirsch Trojahn representa bem os novos vovôs do século XXI. Com o corpo e a mente acompanhando as mudanças causadas pela idade, ela se mostra de bem com a vida e com uma saúde de dar inveja a muitos jovens. Também pudera, Renita não se descuida. Faz academia três vezes por semana e duas vezes hidroginástica. A senhora de fisionomia alegre consegue com seu bom humor movimentar os ambientes por onde passa. “Meu único problema de saúde é um desgaste na coluna, no mais, continuo como há 50 anos”, garante. Com três filhas e dois netos, ela afirma que preguiça e tristeza passam longe da sua vida. “Trabalhei muito durante a vida toda e durante todas as fases não sobrava tempo para cuidar de mim. Primeiro a juventude e a busca por um bom futuro, depois casa, marido e filhos para cuidar. Só agora que as três estão formadas e bem encaminhadas tenho tempo para curtir a vida e é isso que estou fazendo”, observa.

Para Renita, as atividades físicas que pratica são fundamentais para manter o corpo e a mente saudáveis. “Não me imagino dentro de casa esperando pelo fim da vida. Não é por que se chegou à terceira idade que não há mais nada para fazer, ainda temos muito que aproveitar”, aconselha. O que Renita afirma já foi provado por diversos estudos e pesquisas: toda essa movimentação só tem a fazer bem para quem já viu seus cabelos branquearem. Além de melhorar a auto-estima, ela é responsável pelo aumento da expectativa de vida dos idosos em todo o país.
No Brasil, há 100 anos vivia-se até uma média de 37 anos de vida. Hoje a expectativa de vida está na casa dos 72 anos de idade. Vivendo mais, é preciso manter alguns cuidados para manter a qualidade de vida. Manter uma alimentação equilibrada, praticar exercícios e fazer o acompanhamento da saúde é fundamental, até porque com o passar dos anos ficamos mais suscetíveis às doenças. Esse aumento da expectativa de vida, graças aos avanços da medicina, urbanização, saneamento, educação e nutrição é o grande responsável pela mudança de comportamento dos idosos. É cada vez mais comum encontrarmos exemplos como o de Renita, em plena aposentadoria mas ainda na ativa.


 


Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil cerca de 10% de toda a população tem mais de 60 anos. De acordo com o censo realizado em 2007, em Cachoeira esse percentual é de 15,84%, ou seja, dos 84.629 habitantes estimados, 13.048 já passaram dos 60 anos de idade.



 

Ficando para trás


Se você tem a impressão de que há mais mulheres do que homens na terceira idade, acertou. Segundo o Ministério da Saúde, as mulheres vivem em média sete anos a mais: para elas a expectativa de vida chega a 75 anos, enquanto para os homens é de 68. Isso porque na corrida pelo bem-estar na terceira idade, as mulheres estão disparadas na frente dos homens. A prova disso é o número de integrantes do Clube Sesc Maturidade Ativa. O maior grupo de idosos da cidade, com 160 integrantes, possui somente 10 homens.
Aos 82 anos, o comerciário aposentado Bruno Osmar Furstenau é um dos poucos que participam do grupo. Apesar de ter um pequeno problema nos ossos, ele não perde um baile. “Não entendo como os homens ainda não se deram conta que precisam participar. A prova desse sedentarismo está aí: as mulheres acabam vivendo muito mais”, ressalta. Em plena forma, seu Bruno mora sozinho, mas tem uma namorada de 79 anos que lhe acompanha em suas atividades. Ele ainda dirige quando precisa ir a algum lugar longe de sua casa e faz hidroginástica. “Percebi que ficar parado em casa o dia todo faz mal à saúde. Nesses momentos de solidão quem está mais velho começa a reviver o passado e acaba entrando em depressão, por isso é fundamental ter atividades e muitos amigos”, observa.

 


Bruno: um dos poucos homens que busca qualidade de vida através da interação e atividades físicas

 


Vovós esportistas

 

Os vovôs mostram que estão se interessando por atividades que anos atrás passavam longe de suas vidas. Um exemplo é o grupo de integrantes do Maturidade Ativa que pratica toda a semana o jogo câmbio, uma espécie de vôlei, mas sem movimentos bruscos. A comerciária aposentada Iolanda Lacerda, 67 anos, é participante da atividade. Divorciada e mãe de sete filhos, ela diz que se não fosse o esporte e o grupo provavelmente nem estaria mais viva. “Eu passava em depressão e depois que comecei a me movimentar nunca mais tive problemas de saúde. Se pudesse voltar o tempo, com certeza teria começado mais cedo a me movimentar”, observa. Assim como muitos que chegam à terceira idade, Iolanda sentiu na pele a dor do vazio deixado pelos filhos que em busca do seu caminho foram embora para viver suas vidas. “Só encontrei preenchimento fazendo atividades que nunca me imaginei, como o câmbio, que jogo todas as quintas-feiras com meu grupo”, comenta.

 


Iolanda: preencheu o vazio de ver os filhos irem embora para trilharem seu caminho através do esporte e grupo de convivência


 

Vaidosa e trabalhando


Quem pensa que só porque a pele já não é mais tão lisinha como quando era na juventude e por isso não precisa de maquiagem, tem que conhecer a vaidosa Julita Bessow, 74 anos. Julita não sai do quarto sem estar impecável e toda essa disposição não é desperdiçada por ela. Julita não perde um baile da terceira idade, chegando a participar de dois eventos por semana. Casada por três vezes e namoradeira assumida, ela já chegou a terminar um relacionamento porque o namorado não aceitava que ela se maquiasse. “Terminamos porque ele achava desnecessário que a mulher se sentisse bonita e de bem consigo mesma”, ressalta.
Além da rotina de cuidados em casa, Julita é assídua nos salões de beleza para cuidar das unhas e cabelo. Sua beleza recentemente foi reconhecida com a eleição dela para princesa do grupo de terceira idade Esperança. Aposentada há 26 anos, ela segue trabalhando como costureira, sem perder em nada para os mais novos. Famosa pela qualidade de seu trabalho, muitas vezes ela segue o expediente até a madrugada para dar conta do serviço. Cheia de saúde, ela se dedica a suas tarefas e não toma um remédio sequer. “É claro que nem todos têm a sorte de serem saudáveis, mas garanto que se movimentar e ser atuante livra de muitas doenças, especialmente da depressão, o grande mal que leva a enfermidades graves, muitas vezes”, observa.

 


Julita: idade não é empecilho para trabalhar, se cuidar e acima de tudo namorar



 

Preta e Dulce: professora com uma das alunas da academia pioneira em ginástica para terceira idade


A terceira idade comanda

 

Pensando nesses novos consumidores, as academias da cidade vêm adaptando seus programas de exercícios para os alunos da terceira idade. A pioneira da cidade especializada em programas de exercícios para a terceira idade, a Viva Vida, conta com 120 alunos entre 60 e 85 anos. De acordo com a proprietária, a professora de educação física Rosana Souza, apesar de trabalharem com jovens, o foco são os idosos. Além dos exercícios, eles participam de encontros, bailes e brincadeiras. Uma das mais antigas alunas, Dulce Ries Feldmann, 85 anos, participa das aulas desde que a Viva Vida foi fundada, há 16 anos. “Claro que quem tem um ritmo mais tranqüilo durante a vida não vai mudar completamente só porque chegou à terceira idade. Isso não funciona, mas é preciso não se deixar cair no marasmo. Depois da aposentadoria é óbvio que nossas atividades diminuem, porém precisamos estar envolvidos em alguma coisa para que as doenças não tomem conta de nós”, ensina. Além das academias, hoje Cachoeira do Sul possui 10 grupos de convivência voltados para idosos. Eles estão espalhados pelos bairros da cidade e buscam a integração com a sociedade.



 


90 anos?

 

Quem já não ouviu dizer que a vida começa na terceira idade? Para muitos essa afirmação é realmente verdadeira. Às vésperas de completar 90 anos, Vitória Plautz Prade garante que a velhice, se bem aproveitada, realmente pode ser a melhor fase da vida. “Quando paro para pensar, nem parece que já vivi quase 90 anos de tão bem que me sinto. Essa é a fase que podemos nos curtir, já batalhamos, criamos os filhos, enfim, cumprimos a missão e podemos aproveitar a aposentadoria e curtir nossa vida”, comenta.
Com a memória de um jovem, Vitória atribui sua saúde aos cuidados que tem com alimentação, estar sempre se movimentando, especialmente praticando caminhadas e por ser uma pessoa de muita fé. “Me cuido, claro que não em exagero. Viver bastante é muito bom, acredito que todos querem isso, mas é preciso estar saudável para poder aproveitar, caso contrário, se torna difícil”, ressalta.

 


Vitória: aos 90 anos, ela tem saúde e memória de dar inveja a muitos jovens

 


 






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Edição 134 - abril de 2019

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