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Reportagens Edição 168 - Junho de 2022

Relacionamento aberto: existe traição?


“Esse assunto ainda é um tabu justamente porque a sociedade, de maneira geral, entende que o relacionamento aberto é anormal e representa falta de amor”. Julyelle Conceição.

Especialista fala sobre os acordos para esse tipo de relação

 

 

Têm assuntos que ainda são tabus e considerados modernos demais para boa parte da sociedade. Um deles, sem dúvidas, é o famoso relacionamento aberto. Criticada e pouco compreendida, a modalidade de vida amorosa não monogâmica é sempre motivo de polêmica e curiosidade. A verdade é que com as tantas possibilidades existentes em um relacionamento, fica até confuso saber distinguir os critérios e limites de cada um.  

 

No caso de uma relação aberta, as duas pessoas envolvidas de maneira amorosa decidem se abrir para o envolvimento físico com outras pessoas. Mas a abertura precisa ser somente sexual, não envolvendo laços afetivos e sentimentais. Para Julyelle Conceição, 35, psicóloga, sexóloga e terapeuta de casais, o relacionamento aberto não pode ser encarado como uma tábua de salvação. “Diferente do que muitas pessoas imaginam, o relacionamento aberto pode dar bastante trabalho, assim como o monogâmico, no que se refere à importância da comunicação e o estabelecimento de regras e combinados. Mas, por ser baseado no consentimento das partes envolvidas, ele não é considerado traição. É simplesmente uma outra forma de viver, amar e se relacionar”, explica.  

 

Por isso, ela sugere que essa decisão não seja tomada às pressas, e, sim, com muito diálogo entre o casal, já que os limites estabelecidos precisam ser respeitados e confortáveis para os dois. Alguns acordos podem incluir não sair com pessoas do mesmo círculo de amizade, não promover os encontros na casa do casal e contar – ou não – os detalhes sobre os encontros sexuais. “Há, ainda, uma regra bem importante, que é o uso de preservativo nas relações, a fim de evitar comportamentos de risco que possam prejudicar todas as pessoas envolvidas. A quebra dos acordos, no entanto, é um fator que pode , sim, representar a traição de uma das partes”, exemplifica Julyelle.  

 
 
 
Dica da especialista:  
Para entender mais sobre o assunto, a sexóloga indica a leitura do livro “Novas Formas de Amar”, de Regina Navarro Lins, e a série “Wanderlust: navegar é preciso”, na Netflix.  
 
 
Escolha pessoal X Padrão ensinado 
A psicóloga também alerta para um fator importante: a definição de padrões a serem seguidos baseado naquilo que foi ensinado de geração para geração. Segundo a especialista, é comum encontrar pessoas que tentam se encaixar em uma relação monogâmica apenas porque cresceram ouvindo falar que essa é a maneira certa e ‘normal’ de se relacionar.  Nesses casos, ela afirma que as pessoas podem se utilizar da infidelidade para satisfazerem seus desejos de estar com outras, quando poderiam, na verdade, repensar a forma de viver suas relações.   
 
“É claro que repensar e reconfigurar relações dá trabalho! Assim como lidar com as críticas e os julgamentos quando se procura viver de uma forma diferente. Mas aí é uma questão de escolha: trabalhar para rever a forma de se relacionar com ética e respeito a si e à pessoa que está com você ou trabalhar para esconder os momentos de infidelidade. Eis a questão!”, diz.  
 
 
Meu parceiro(a) manifestou interesse em relacionamento aberto.
Como saber se isso é pra mim?  
 
Segundo Julyelle, algo importante a ser considerado quando se pensa no relacionamento aberto é se, de fato, você quer tentar essa configuração ou se está cedendo somente para agradar o outro. Nesse caso, é fundamental estar atento às emoções e observar reflexões importantes, como: 
 
- O que é amor pra você?  
- Amor e sexo andam juntos ou podem ser separados?  
- Você realmente quer tentar essa configuração de relacionamento ou está cedendo somente para tentar salvar a relação?  
- Que regras seriam importantes pra você em uma relação assim?  
- Que sentimentos podem surgir a partir daí? Insegurança, medo de perder a parceria, ciúmes ao ponto de querer controlar o outro?  





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