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Reportagens EDIÇÃO 14 - JUNHO 2008

Que tribo é essa?


Metaleiros, grupo que se reune às voltas do Chateau D’Eau, mostra que é do bem

 

Certamente você já deve ter se perguntado quem são aquelas pessoas de preto que ficam reunidas às voltas do Chateau D’Eau nas noites dos finais de semana. Esses jovens de cabelos longos, usando roupas escuras, com olhos pintados e com muita energia para mudar o mundo são os chamados metaleiros, uma tribo formada em Cachoeira do Sul nos anos 90 e que se reúne para confraternizar o rock metal. Assim como em outras vertentes do rock, os metaleiros afirmam ter costumes e ideologias diferentes da maioria da sociedade. Além disso, gostam de sons com batidas pesadas.
Segundo um dos pioneiros do movimento em Cachoeira, Gerson Ferreira Bittencourt, 28, quem é metaleiro não gosta de se misturar com os outros: “Nós gostamos de curtir o som, temos outros valores e uma visão diferente do mundo. Somos realmente anti-sociais", admite. Vocalista  da banda cachoeirense Alma Oculta, ele afirma ter conceitos diferentes dos que são seguidos aqui no Brasil. “Às vezes não me considero brasileiro, porque aqui as pessoas têm uma visão muito fechada, diferente de outros lugares do mundo”, observa Gerson. O grupo reúne mais de 50 integrantes, com idades democráticas, cultua o mesmo gosto musical e o interesse pelo rock, incluindo todas as variáveis do metal, como new metal, heavy metal e gothic metal.
Para Diego Darlan Goulart, 20, integrante da tribo há oito anos, ser metaleiro é um estilo de vida. “Sou feliz porque faço parte disso”, afirma o seguidor. Outros integrantes do grupo são mais enfáticos e revelam que para fazer parte da tribo é preciso ter atitude própria. É o caso da jovem Monique Rodrigues, 16, estudante da Escola Borges de Medeiros, que resume: “Ser metaleiro é não puxar o saco de ninguém.  Gostamos de ser diferentes justamente para acabar com qualquer tipo de preconceito”.
Mas ao contrário do que muitos pensam, a tribo dos metaleiros se define como um grupo tranqüilo e que se isola por gostar de paz: “Gostamos de ficar no Chateau D’Eau justamente porque é um ambiente calmo. A gente curte ficar escutando um bom som e bebendo. Não somos drogados e pervertidos como muitos falam”, observa Gerson. O jovem Maicon Nunes Ayres, 16, ainda ressalta: “A Brigada Militar já fez mais de 10 batidas aqui e nunca encontraram nada. Somos da paz e não gostamos de incomodar ninguém”, garante o jovem.
A harmonia e até mesmo a preservação do local por parte dos metaleiros são confirmadas pelo vigia do Chateau D'Eau, que geralmente acompanha os encontros. O metaleiro Gerson ainda faz questão de lembrar que o local é público e o interesse em preservá-lo é comum: “Certa vez, vi um cara usando a porta da catedral como banheiro e fui correndo tirar ele de lá. Valorizamos muito a estrutura e a   paisagem do Chateau D’Eau, então tentamos contribuir de alguma forma”, observa o vocalista. Os integrantes revelam o orgulho de utilizar o local como ponto de encontro e brincam: “Somos os guardiões daqui. Temos o papel de conservar os monumentos da Praça da Matriz”.



 

Metaleiros ou emos?


Pela semelhança no jeito de se vestir, geralmente com roupas escuras, os metaleiros muitas vezes são confundidos com emos, jovens com idade entre 12 e 20 anos que apreciam o emotional hardcore, vertente do punk que mescla som pesado com letras românticas. Mas o que distingue os emos não é só a música, e sim as atitudes. O grupo dos emos se autodefine como pessoas carinhosas, sensíveis, calmas e querem apenas amar e serem amados.


Isa: uma das poucas que levanta a bandeira dos emos em Cachoeira








 

Acompanhados pelo preconceito


Como em todas as tribos alternativas, o preconceito existe, às vezes de forma mais explícita, outras vezes de forma mais sutil. A estudante do ensino médio da escola Borges de Medeiros Tamara Souza, 16 anos, está há nove meses no grupo e revela sentir essa discriminação em algumas situações: “Quando entramos nas lojas as pessoas acham que vamos roubar. Nos olham com uma certa preocupação”, observa. O técnico de informática Alisson Estrázulas, 21, confirma que o preconceito ainda é muito vivo no dia-a-dia e defende a bandeira dos metais: “Não gostamos de falar mal dos outros. Deixamos que os outros falem mal da gente”.
Alisson incorporou o metal em sua vida há nove anos, depois de ganhar uma camiseta da banda Motor Head. Ele reafirma o caráter do grupo: “Assim como os pagodeiros, os sambistas e os funkeiros, nós curtimos o metal e seguimos esse perfil. Não nos reunimos apenas para falar de rock. Também conversamos sobre espiritismo, religião, política e muitos outros assuntos”, conta. O grupo de metais que já foi pré-julgado como ateu, drogado e até mesmo sujo faz questão de apresentar uma imagem positiva. “Somos pessoas normais e todos aqui tem família, estudam e tem algum tipo de atividade durante o dia”, enfatiza Alisson, que está se preparando para o próximo concurso da Brigada Militar e deseja cursar Educação Física. A estudante Tamara convida: “Quem quiser chegar e conversar é só se aproximar. Será muito bem-vindo”.



 


"Faço parte dos metaleiros porque não gostamos de copiar. Não seguimos o sistema."

                       Tamara 


Gerson: “Os metais não são uma moda. Estamos dominando Cachoeira”

 






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