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Reportagens EDIÇÃO 15 - JULHO 2008

Amigas para toda a vida


Muito já se falou sobre amizade entre mulheres, mas qual o verdadeiro significado dela?

 

Há quem diga que quem tem um amigo verdadeiro jamais terá depressão, pois juntos conseguem dividir suas tristezas e também multiplicar as alegrias. Em especial, está a amizade entre mulheres, que de tão complexa a cumplicidade que nutrem é constantemente alvo de pesquisas. Um estudo realizado pela Universidade de Los Angeles, nos Estados Unidos, concluiu que ter amigas não é importante somente para a auto-estima, como também para a saúde, já que ajuda as mulheres a prevenir o estresse. Se engana quem pensa que isso não passa de bobagem: após 50 anos de investigação, os pesquisadores conseguiram determinar que há substâncias químicas no cérebro que ajudam a criar e sustentar laços de amizade entre mulheres.  Os pesquisadores afirmam que ter amigos não ajuda somente a viver mais, mas também tornar a vida melhor.
Mesmo sabendo disso, há quem ainda duvide da existência de amizade verdadeira entre mulheres que já foram julgadas ciumentas e incapazes de aceitar que a amiga é mais bem sucedida. Mas temos muitos exemplos de que esse conceito não é verdadeiro. Está cheio de mulheres que acabam encontrando ao longo da vida amizades que as tornam inseparáveis da companheira de jornada. Lisiane Larrondo, 34, e Luiza Tavares, 42, são um exemplo de amizade que começou através de uma relação de trabalho e ultrapassou fronteiras, as aproximando inclusive do restante da família.

Lisiane e Luiza: para amizade se manter, elas revelam que o respeito à individualidade é fundamental

 

Histórias vividas por elas é o que não falta e a cada lembrança uma nova diversão. Com humor, elas se apóiam, dão conselhos e ainda ajudam no cuidado de suas filhas, especialmente quando viajam. "Sempre juntas, mas nunca deixando de respeitar os limites da outra. Amizade é tudo na vida, mas para dar certo é preciso muito respeito às diferenças", opina Luiza. Uma das histórias que marcou a trajetória das amigas foi a operação cupido realizada por Lisiane quando o promotor de Justiça João Ricardo Tavares se interessou por Luiza. "Sempre buscamos a nossa felicidade e a da outra e mesmo depois de casadas nosso carinho não diminuiu. Estive por seis anos morando em Porto Alegre e nossa amizade nunca enfraqueceu. Pelo contrário, somos cada dia mais unidas", conta Lisiane.
Na época que se conheceram, há 14 anos, Luiza era proprietária da butique Garage e há poucos meses quando Lisiane decidiu abrir a sua Santo Expedito, ela não pensou duas vezes em passar toda sua experiência e conhecimento que possui com o comércio para a amiga. Sem deixar de se falar por um dia sequer, as duas garantem que se entendem somente pelo olhar. Muito francas uma com a outra, elas não guardam segredos. "Não escondemos nada, a não ser quando for para o bem, como no meu último aniversário. A Luiza preparou uma grande festa surpresa. Estranhei por ela não ter me ligado e no final da tarde, quando fui buscar minha filha na casa dela, veio a emoção. Ela tinha chamado todas as minhas amigas e fez uma grande surpresa. Nunca vou esquecer desse dia", conta Liziane.


  

De todas, uma sempre marca


É claro que na vida passam muitas pessoas e dessas várias se tornam amigas, mas sempre alguma se torna especial devido ao carinho e afinidade. Amigas há mais de 40 anos, as professoras aposentadas Romilda Lopes da Silva, 76, e Terezinha Maineri Vieira da Cunha, 67, garantem que as amizades são os bens mais preciosos da vida. "Quem tem uma boa amiga jamais estará sozinha, pois poderá compartilhar todas as emoções", diz Romilda. A dupla inseparável ficou amiga através de seus maridos e desde que se conheceram sentiram uma forte ligação. Hoje, se falam diariamente e têm como regra almoçarem juntas todos os domingos.
A história de cumplicidade das duas se fortaleceu quando perderam seus maridos, Romilda há 15 anos e Terezinha há oito meses. "Nesse momento a amizade foi muito importante. Romilda sempre me apoiou, assim como muitos outros amigos. Me considero privilegiada por ter muitas pessoas com quem contar", observa Terezinha. "Amizade é isso, é estar juntas nos momentos difíceis e também nas horas de alegria. Temos muitas histórias e ainda vamos viver muitas coisas, sempre assim, dividindo tudo o que acontece de bom e de ruim também", completa Romilda.


 

Terezinha e Romilda: companheirismo ajudou a superar a morte dos seus maridos



 

Trio inseparável


Geralmente a amizade é mais forte entre um dupla de mulheres, mas as acadêmicas de Psicologia Carla Pereira, 24, e Joice, 23, e a acadêmica de Administração Luciana Frank, 24, se tornaram um trio inseparável desde que cursavam a quarta série do ensino fundamental. Companheiras de todas as horas, elas garantem que entre elas não existe segredos. "Nos identificamos desde o início e ainda temos a Renata Santos, 24, que está morando em Bagé, mas nunca deixa de estar em contato conosco", conta Joice.
Carla, que está com casamento marcado para início de julho, convidou as amigas para serem suas madrinhas. "Nossa amizade também se expandiu para a família, somosamigas dos pais, irmãos e namorados umas das outras", diz Carla. O segredo para elas está no respeito à individualidade e nada de cobranças. "Sabemos respeitar. Se. por exemplo, uma não liga porque quis fazer um programa com o namorado, não ficamos cobrando. Jamais nos julgamos e por isso aprendemos a nos entender somente pelo olhar", observa Luciana.


 

Carla, Joice e Luciana: amizade desde a quarta série do ensino fundamental

 

Para se comunicarem sem que as demais pessoas saibam, elas criaram código de palavras na infância que às vezes ainda usam. Um dos momentos que mais marcou a amizade foi a recente perda do bebê de Carla. "Estivemos juntas, vibrando quando ela descobriu a gravidez e também ficamos juntas quando soube da perda. Para nós, amizade é isso: juntas em todos os momentos", observa Joice. Desde que se conheceram elas sempre comemoram o Dia do Amigo, em 20 de julho.



 

Juntas até no altar


A trajetória de amizade de Iara Costa da Cruz, 76, e Terezinha Alves, 72, tem o capítulo mais curioso quando se casaram com seus maridos, no mesmo dia e mesma igreja, com uma cerimônia depois da outra. Vizinhas desde a infância, elas lembram de cada detalhe da trajetória como amigas. "Sem saber, marcamos nosso casamento para o mesmo dia e para que nenhuma ficasse descontente com a ausência da outra, fomos um pouco na festa da outra, vestidas de noiva", relembra. Até mesmo na lua-de-mel foi escolhido o mesmo destino.
A amizade que nunca perdeu força, nem mesmo quando formaram suas famílias, a cada dia se fortalece. "Nos encontramos diariamente em nosso grupo que joga cartas e ainda conversamos por telefone. Não paramos nunca, estamos sempre combinando passeios. Nos chás beneficentes, então, somos presenças assíduas", conta Terezinha. Para elas, o segredo para uma amizade durar durante mais de 55 anos é amar e admitir a personalidade de cada uma como é, sem querer mudar. "Além disso, é preciso dedicação. Como sou divorciada e a Iara é viúva, nos momentos de doenças cuidamos uma da outra. Nunca deixamos, nesses anos todos, de nos ajudar", observa Terezinha.


 

Iara e Terezinha: foram ao casamento uma da outra vestidas de noiva



 

As duas avós de Francisco


Amigas desde a infância, Zilah Mór Scarparo, 59, e Valquiria Ghiringhelli Castagnino, 61, tiveram seus laços de amizade fortalecidos quando seus filhos Renata, 33, e Tiago, 38, casaram e lhes deram um neto em comum, o Francisco, três anos. "Nunca interferimos em nada desde que eles começaram a namorar. Já tínhamos uma relação muito boa, mas depois de partilhar o mesmo neto, nos aproximamos cada vez mais." A história de Zica, apelido pelo qual Zilah é mais conhecida, e Valquiria começou através de suas famílias, os Mór e os Griringhelli, que eram vizinhos e muito amigos e nunca teve interrupção, nem mesmo quando Zica morou fora de Cachoeira por 11 anos. Diariamente elas dividem suas alegrias e tristezas em conversas durante as caminhadas matinais que fazem.
Integrantes de um grupo maior de amigas, as duas se identificam e se consideram como irmãs. "Não deixamos de nos falar nem um dia da semana. As quintas-feiras são sagradas, sempre saímos com o nosso grupo para jantar", contam. "A amizade é uma das coisas mais importantes da vida. Sempre achei muito triste as pessoas sozinhas, especialmente quando ficam mais velhas.
Precisamos desse companheirismo e de alguém para dividir nossos sentimentos, só assim conseguimos nos sentirmos vivos", observa Zica. As duas amigas garantem que entre elas não existe disputa de nenhuma forma. "Somos avós do Francisco, mas nunca sentimos ciúmes dele, somos amigas e queremos sempre compartilhar todos os momentos bons que vivemos", diz Valquiria.


 

Zilah e Valquiria: pequeno Francisco é quem aproxima ainda mais as amigas






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