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Reportagens Edição 163 - Dezembro de 2021

Elas representam


Competidoras são destaque nos tatames e nas passarelas

 

Existe preconceito na luta para as mulheres?

“No tatame nunca sofri. Mesmo treinando por muitos anos só com homens, existe muito respeito e ética. Porém, sofro muito preconceito por quem não pratica e não conhece a arte. Julgam ser algo masculinizado e me olham torto. Por isso quero seguir quebrando tabus, sendo uma mulher hétero, forte, que luta, casada e mãe de três filhas”.


A lutadora 

Através do jiu-jítsu, Marcela mostra a força da mulher cachoeirense pelo país

 

Marcela Mello, 38, é funcionária pública municipal, mas encontrou-se realmente ao vestir um quimono pela primeira vez. Ela pratica jiu-jítsu há cinco anos e há quatro participa de competições. Grande incentivadora dessa modalidade de luta, ela se destacou na região por mostrar para outras mulheres que elas podem lutar na vida e no tatame. “Iniciei por incentivo do meu marido, Elisandro Rodrigues Mello, 42, que também é fã deste esporte. Tenho várias metas em relação a títulos que ainda vou conquistar”, contou ela. No estado, Marcela já foi 26 vezes Campeã Gaúcha. Ela coleciona títulos, como Campeã Mundial (2020), em São Paulo, Campeã Sul Brasileira (2021), Campeã Sul-Americana (2021) e, por último, Campeã Brasileira Peso e Absoluto (2021), no Rio de Janeiro.
 

O objetivo da jiujiteira é inspirar mulheres a praticar o esporte e mostrar a importância da atividade física. “Apesar de a grande maioria dos praticantes e competidores serem homens, o público feminino vem ganhando força. Hoje em dia, as mulheres buscam também uma ferramenta de defesa pessoal e de empoderamento. Nos treinos trabalhamos a autoestima, a ansiedade e o alívio do estresse. Quando falamos de lutadoras, falamos de força, garra e determinação”, disse.

 

 

A miss 

“Eu queria ser freira na adolescência, pois não entendia o motivo de não gostar de meninos”. Josiele Marques


No contraponto de Marcela temos Josiele Rocha Marques, 32, que está longe dos tatames e representa Cachoeira do Sul disputando títulos nas passarelas. A miss participa de concursos de beleza desde os 8 anos de idade e há três trabalha como micropigmentadora de sobrancelhas. Nos últimos anos ela começou a acompanhar desfiles com foco no público LGBTQIA+ e, recentemente, conquistou em Santa Cruz do Sul o título de Miss Lésbica Diversidade 2021. “Me assumi lésbica na adolescência e foi bem complicado no início, pois a minha família é tradicional e católica. Atualmente me aceitam como eu sou e me dão bastante suporte. Já os amigos me apoiaram incondicionalmente desde o primeiro dia. Antes de eu descobrir que gostava de outras mulheres, acreditava que isso só existia em novelas e não era real. A maioria das pessoas que conviviam comigo levaram um choque quando souberam, pois eu sempre fui extremamente feminina e, naquela época, uma revelação destas era tabu”, contou Josiele.
 

 

Cachoeirense, mas morando atualmente em Santa Cruz do Sul, Josiele tem vindo frequentemente a Cachoeira do Sul a trabalho e por conta do namoro com a massoterapeuta Ana Dias, 25. As meninas estão montando uma casa e têm planos de casamento para o próximo ano. A conquista desse título de beleza a incentivou ainda mais na luta pelos direitos LGBTQIA+. “Sou muito grata a esta oportunidade e espero ser porta-voz desta causa onde, infelizmente, existe muito preconceito ainda”.






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