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Reportagens Edição 149 - setembro de 2020

Bebê e pet juntos: PODE?


À espera de Vicente, o casal Aline Vargas e Vinícius Corneli: “Percebemos o quanto nossos bichinhos já sentem que a família vai aumentar”

Mães falam sobre a convivência de recém-nascidos com animais de estimação 

 

Dizem que mãe de pet também é mãe. E quando o filho de quatro patas deixa de ser único para receber um irmão humano em casa? Entre latidos, miados e choros, nem sempre é uma tarefa fácil estabelecer uma convivência harmoniosa com uma agenda de cuidados. A relação entre crianças e animais é cercada de dúvidas, sobretudo no que se refere a questões de saúde e de segurança. Diante disso, perguntamos: eles podem conviver bem? Convidamos três mamães com pets em casa para dividirem suas experiências!


 
LIVRE DE ZOONOSES 

Com a chegada de um filho, nem sempre é possível dar a mesma atenção aos pets. Mas este momento requer a reorganização da rotina, principalmente quanto aos cuidados de saúde – levando em consideração as doenças que podem ser transmitidas para adultos ou crianças, chamadas de zoonoses (giardíase, sarnas ou fungos). É o que salienta Aline da Rosa Vargas, 36, médica veterinária, grávida de sete meses, do Vicente. Casada com Vinícius Corneli, 36, administrador.
Proprietário da clínica veterinária São Francisco, o casal tem seus filhos pets: os cães da raça maltês Joca, 15, e Juquinha, 4, e as gatas (sem raça definida) Chiquinha, 5, e Leona, 2. Conforme Aline, quando saudáveis, eles podem conviver tranquilamente com toda a família e grávidas. “O veterinário orienta sobre as vacinas e os medicamentos que devem estar em dia, não somente na chegada de um bebê, mas também ao longo da vida do animalzinho”, diz.

 
É PERIGOSO TER GATOS 
DURANTE A GRAVIDEZ? 

Não, grávidas não precisam se distanciar de seus gatos. Isto é, desde que alguns cuidados sejam tomados, como orienta a profissional: 

1) Pedir para que outra pessoa da casa limpe 
a caixinha de areia com frequência

2) Não ingerir alimentos que não sejam 
devidamente higienizados ou cozidos. 
A principal via de transmissão da 
toxoplasmose se dá pela ingestão de 
alimentos crus ou água contaminada

3) A realização de exames, ao longo da 
gestação, é importante para identificar 
o contato ou não com a doença. O risco 
é maior para a gestante que não 
apresenta anticorpos para a doença

NADA DE MAUS-TRATOS!

E quando as crianças têm certa dificuldade de cuidado e de relação com o pet – muitas vezes, devido também à negligência e/ou ao estímulo dos próprios pais. Como lidar com esta situação?
De acordo com Aline Vargas, a criança costuma “imitar” o que os pais fazem, normalizando práticas de violência ou de abandono. “É difícil conscientizar o adulto, mas qualquer informação positiva que a criança receber, ela vai alimentar para o futuro. Animal não é briquendo”, frisa.



Jenifer Schütz, grávida de Estela,  e Ticiano Lovato juntos de Penélope: “Só amor”

 
AMIGAS DESDE
A BARRIGA

Recém-papais de Estela, com um mês de vida, a psicóloga Jenifer Curto Schütz, 35, e o empresário Ticiano Ortiz Lovato, 41, dividem seu amor e alegria com Penélope, a shih tzu de três anos. Durante a gestação, a cachorrinha sempre fez questão de acompanhar Jenifer. 
“Ela ficava próxima à barriga, sentindo a Estela mexer e nos fazendo companhia”, conta a mamãe, que aproveita este momento para conversar com Penélope. “Tentamos mantê-la ao máximo próximo de nossa rotina, desde a organização do quarto até as fotos da gestação, impondo alguns limites. Ela é carinhosa, porém muito ativa”, comenta Jenifer. 

 
ESTABELECENDO LIMITES 

Conforme o casal, essa relação com o pet é super saudável e benéfica para o desenvolvimento infantil. Contudo, requer cuidados básicos: “Deixamos Penélope cheirar a bebê logo que se conheceram, mas evitamos deixá-las a sós, por exemplo”.  


3 PERGUNTAS PARA 
LENISE DIAS, 
médica veterinária /Ernani Marques 


1) Gatos podem transmitir doenças? 

“Gatos não são o maior vilão para a toxoplasmose – doença infecciosa causada por um protozoário encontrado nas fezes de gatos e outros felinos. O maior vilão é a falta de higiene ao lavar as verduras e legumes e ao manipular a caixinha de areia dos gatos contaminados – não é todo gato que tem toxoplasmose, eles são a minoria. Não justifica se desfazer de um gato se você nem sabe se ele tem ou não o protozoário e quais os cuidados poderia tomar”. 

2) Como lidar com o “ciúme” do pet? 

“O instinto de proteção do território e a disputa pela atenção de seus proprietários é que estão por trás de qualquer alteração de comportamento. Se você conseguir dar um passeio com o seu pet ou um carinho, a tendência é a situação melhorar”. 

3) Quais os benefícios dos animais para as crianças? 

“Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a relação com os animais faz com que as crianças tentem várias vezes a realização da mesma atividade, o que aperfeiçoa habilidades motoras. Estudos recentes apontam que as crianças que convivem com animais, diferente do que se falava antigamente, desenvolvem uma melhor imunidade. 
A longo prazo, essa interação de crianças e animais desenvolve outras habilidades, como senso de responsabilidade, habilidade motora (através de passeios e brincadeiras), noção de limites e regras e enfrentamento de eventuais frustrações e perdas. Além disso, os animais oferecem companhia, ainda mais durante a pandemia, em que muitas vezes acabam sendo os únicos”. 


MINI ZOO EM CASA 

Dois filhos, três cães, duas gatas e uma tartaruga. Assim é formada a família da médica veterinária Lenise Flores Dias, 37, e do engenheiro agrônomo Rodrigo Franco Dias, 40. Pais de Pedro Vanderlei e Luíse Flores Dias, de três anos e de três meses de idade, eles dividem a casa com os shih tzu Mithyue e Lara, de dez e quatro anos, e os vira-latas, o cãozinho Morocha e as gatas Gigi e Abigail, de 12 e 13 anos, mais a anciã da trupe, a tartaruga Jezebel, de 21 anos. 


PRESENÇA DE 
HORMÔNIOS 

Conforme Lenise, os animais são muito sensitivos e, por isso, costumam sentir todas as mudanças no ambiente, sendo capazes, inclusive, de perceber que sua tutora está gestando. Devido à presença de hormônios, o cheiro da mulher muda durante a gestação – é aí, então, que os pets captam os primeiros sinais da gravidez. 


Família reunida: Lenise e o esposo Rodrigo Dias com os filhos Pedro e Luíse e os pets Mithyue e Morocha 


"Infelizmente, pessoas se desfazem do animal por alegarem não ter mais ‘tempo’ ou por falta de informação. Se tomarmos todos os cuidados, com tempo e paciência, dificilmente teremos problemas de adaptação de qualquer parte”. 
LENISE DIAS 


5 DICAS DA ESPECIALISTA 

Mamãe e médica veterinária, Lenise Dias recomenda cinco táticas para auxiliar na adaptação dos pets com as crianças, sendo essas:

HORA DAS “BOAS-VINDAS”: apresente a criança aos poucos ao animal, sempre com supervisão e sem movimentos bruscos. Qualquer rosnado ou algum outro sinal de agressividade, separe os dois imediatamente e aguarde outra oportunidade.

DEIXE-O PARTICIPAR: inclua o animal na rotina da criança, como nas trocas de fralda. Mostre onde estão os brinquedos e seus pertencentes. Evite mudar comedouros e caminhas de lugar. 

ATENÇÃO DIVIDIDA: lembre-se de dar atenção ao animal também. A mãe fica com o bebê e o pai ou outro membro da família com o pet, por exemplo, e vice-versa. Leve-o para passear e alimente-o no horário habitual. Caso ele se sinta abandonado ou esquecido, poderá manifestar ansiedade, depressão ou problemas de pele.
USO DE COMPOSTO QUÍMICO: para tranquilizar os gatos, funciona bem usar um feromônio artificial no ambiente.

SAÚDE EM DIA: mantenha as vacinas anuais do pet em dia, vermifugação e cuidados com higiene e banhos. Use antipulgas na frequência recomendada pelo veterinário, seja mensal ou trimestralmente. Aspire os pelos e lave as caminhas regularmente.

 
Momentos de interação: “Patrício sempre ronronava próximo à barriga e Liz respondia com movimentos”, conta Paola, na foto com o gato


UMA IRMÃZINHA 
PARA PATRÍCIO 

Pais de primeira viagem, Paola Colbeich, enfermeira, e Lucas Faccin, bombeiro militar, de 32 anos, vibram com a chegada de Liz, nascida no dia 8 de agosto. Da mesma forma Patrício, o gato rajado de dois anos e meio, que divide a rotina com a bebê e até o colo do papai – um em cada braço, como mostra uma foto compartilhada por Paola. “Essa é a prova que deu super certo”.

 
BONECA DE “TESTE” 
Para acostumar o gatinho à bebê, o casal adotou algumas práticas, que incluem desde literalmente uma conversa com o pet até o contato com uma boneca.  
“Todos os dias conversamos com o Patrício em relação ao que está acontecendo... Colocamos uma boneca bebê com as roupinhas, fraldas e o perfume que seriam usadas na Liz”, diz Paola.

 
“Patrício foi acolhido e envolvido com a chegada da Liz desde o início”, diz o casal Paola Colbeich e Lucas Faccin /FOTOS: JOICE BERNARDI 


CHEIRO NA COMIDA 

O casal também colocou lencinhos umedecidos perto do prato da ração do gatinho como forma de habituá-lo ao cheiro da pequena, seguindo a orientação de um artigo científico. Paola também garantiu o livre acesso de Patrício ao quarto de Liz, inclusive ao guarda-roupa e ao berço – “ele adora ficar por lá”. 
Para isso, a família, que reside em um apartamento, mantém uma série de cuidados, como escovação com luva magnética (para remover o excesso de pelos), além de limpeza de pelo semanal com xampu seco e banho a cada quatro meses. 
“Ele faz uso de vermífugo (contra as verminoses). Também protegemos as janelas e a sacada com tela, e dispomos de um playground para ele não ficar estressado”, contam os pais, que pretendem repassar todos esses cuidados e responsabilidades à Liz para com o bichano. 





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