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Reportagens EDIÇÃO 11 - MARÇO 2008

Salva-vidas do futuro


Sangue do cordão umbilical pode ser o trunfo da medicina no futuro e nisto vem a dúvida: vale a pena armazená-lo?

 

Rico em células-tronco capazes de se diferenciar nos mais variados tecidos e de vir no futuro a regenerar órgãos, o sangue do cordão umbilical é a grande aposta da medicina. Até há pouco tempo seu único destino era o lixo, mas hoje ele já é armazenado por muitos pais na esperança do avanço das pesquisas. No entanto, estudos sobre seu poder ainda estão na fase inicial e atualmente de concreto sabe-se apenas que essas células podem curar doenças hematológicas (do sangue) como a leucemia. Assim, surge a dúvida entre os pais: o investimento de cerca de R$ 5 mil, mais anuidade de R$ 500,00 em média, cobrado pelos bancos privados para armazenar o material vale a pena?
Segundo a professora do curso de Farmácia da UFRGS e membro do Instituto de Pesquisas com Células-tronco, Patrícia Pranke, 40 de idade e 13 de profissão, não há necessidade de os pais fazerem esse investimento, pois em breve os bancos públicos poderão dar conta da demanda. “Hoje, esse tipo de serviço existe no país somente no Rio de Janeiro e em São Paulo. A expectativa é que o Rio Grande do Sul ganhe seu banco público de sangue do cordão umbilical ainda em 2008”, explica.
Esse banco será abastecido com sangue doado por gestantes que fizerem seu parto nas maternidades conveniadas. As pesquisas indicam que quando o estado tiver quatro mil doações haverá material compatível para todos os gaúchos que precisarem do transplante. “Por isso, como todo o material estará disponível para pacientes que precisarem, não há necessidade de armazenar”, observa Patrícia. Nesse banco o sangue será doado, portanto não sendo guardado para uso exclusivo do doador e sim para quem necessitasse dele.
“Hoje já se sabe que as chances são mínimas de alguém vir a usar seu próprio sangue. Se a doença for genética é obrigatório usar sangue de outra pessoa”, garante. Outro ponto que põe dúvida na hora de decidir pelo armazenamento ou não é o tempo de duração dessas células congeladas. Como o primeiro banco de armazenamento surgiu em 1993, ainda não é possível garantir que elas poderão ser usadas daqui a 30 ou 40 anos.
A questão ainda é nova, pois os estudos sobre o assunto iniciaram há pouco mais de 10 anos, porém paises da Europa, como Itália, Bélgica e França já proibiram o estabelecimento de bancos privados de sangue de cordão umbilical. “O que me preocupa é que tem sido vendida uma idéia de que é muito importante para o futuro da criança ter esse sangue congelado, aterrorizando os pais que não optaram por esse procedimento, como se eles estivessem deixando de oferecer um futuro seguro ao seus filhos”, observa. Entretanto, os especialistas também reconhecem que faltam dados científicos sobre o assunto que possam dar um ponto final na questão.


 

As células-tronco são encontradas apenas no cordão umbilical?


Não. Elas são encontradas em adultos também, porém em quantidades bem menores. A vantagem de usar as do cordão umbilical é que por serem imaturas oferecem menor possibilidade de rejeição. Enquanto a chance de encontrar um doador compatível de medula óssea é de uma para 20 mil, no caso do cordão umbilical é de uma para quatro mil.


 

FIQUE DE OLHO


De acordo com o professor emérito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e especialista em genética, cachoeirense Francisco Salzano, 79 anos de idade e 45 de profissão, a questão do armazenamento das células-tronco contidas no cordão umbilical é complexa e ainda depende de muitas pesquisas. “A expectativa é que se, por exemplo, um adulto estiver com cirrose e tiver guardado suas células-tronco poderá utilizá-las para regenerar o órgão”, explica. Hoje as células são armazenadas na esperança de uma facilidade de tratamento ainda não cientificamente comprovada. Francisco faz parte de um grupo de pesquisa da UFRGS que estuda os benefícios dessas células no tratamento de doenças cardíacas.

 


Francisco: pesquisas com células-tronco para o tratamento de doenças cardíacas

 

Aposta no futuro


A bioquímica Cítia Machado Trevisan é uma das tantas mães brasileiras que optou por armazenar as células do cordão umbilical da sua filha, a Isadora, hoje com três anos. Na época ela contratou a Criogênes, uma empresa de São Paulo, especialista na coleta do material. Cítia vê o investimento como um seguro não só para a filha, mas para os demais membros da família que o material possa ser geneticamente compatível. “Busquei muitas informações sobre o assunto antes de decidir. Os bancos públicos são uma boa alternativa, mas em caso de uma necessidade pode acontecer de não conseguirmos material compatível, por isso optei por armazenar em um banco privado”, observa.
 
A aposta da família é a rapidez com que os estudos e pesquisas sobre as células-tronco estão avançando. “Armazenar ou não é uma decisão muito pessoal. Com certeza é um investimento incerto, sem garantia de retorno, mas é uma possibilidade única de colher as células. Meu sonho é nunca precisar desse material por causa de uma doença”, ressalta Cítia. De acordo com a chefe da maternidade do Hospital de Caridade e Beneficência (HCB), enfermeira Elisiane Maciel da Rosa, 29 anos de idade e quatro de profissão, esse é o único caso de mãe que fez seu parto na casa de saúde e optou pela coleta.

 


Cítia e Isadora: familia decidiu pelo armazenamento das células-tronco apostando nos avanços da medicina



 

As mães que tiverem seus filhos em Cachoeira do Sul e decidirem armazenar o sangue do cordão umbilical do seu bebê têm a opção de contratar o Hemocord (www.hemocord.com.br), único banco de cordão umbilical do estado, com sede em Porto Alegre ou ainda empresas especializadas em São Paulo e no Rio de Janeiro. Seus profissionais fazem a coleta no hospital onde a gestante decidir fazer o parto. A coleta do sangue de cordão é fácil, indolor e não oferece riscos para o recém-nascido ou para a mãe. Não se trata de um procedimento cirúrgico como a retirada de células-tronco da medula óssea.



 

Tanques de nitrogênio onde são armazenadas as células tronco






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Edição 134 - abril de 2019

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