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Reportagens Edição 140 - outubro de 2019

MENTE ATIVA na maturidade


Leitores dão dicas para viver mais e melhor após os 50 anos


 
Sara Jardim: “Noto a importância do meu legado no retrocesso que o mundo vive”
 
 
O dito popular “Mente sã em um corpo são”, derivado de um antigo poema romano, é mais atual do que nunca. A expressão simboliza o bem-estar físico e mental, a complementaridade existente entre o corpo e a mente. Para desvendar os segredos da longevidade e de como manter a mente ativa após os 50 anos, conversamos com seis leitores de diferentes idades. Confira!
 
 
À FRENTE DE SEU TEMPO
Sara Jardim: “Noto a importância do meu legado no retrocesso que o mundo vive”
Amanda Prestes
 
A dois anos de completar um século de vida, a artista plástica Sara Claveaux Jardim esbanja inteligência, elegância e bom humor. Nascida em Montevidéu, no Uruguai, chegou ao Brasil em 1945 e na cidade atuou como professora de idiomas – espanhol e francês – nas escolas Liberato Salzano e João Neves da Fontoura durante 28 anos. Ministrou aulas de arte, pintura e porcelana por décadas.
“A leitura é permanente. Meu companheiro de cabeceira é o livro – leio de uma hora a uma hora e meia antes de dormir”, conta. Sara foi eleita em 2011 mulher do ano em cultura e foi homenageada pelo Jornal do Povo como cidadã honorária de Cachoeira do Sul em 1981. “Minha primeira leitura do dia é o JP. Gosto demais. Me põe em dia com a cidade”, declara. Poetisa, participou de várias publicações do “Poetas do vale”. Sara também faz do artesanato outra grande ocupação, assim, continua produzindo obras de arte e peças decorativas, como pinturas manuais e pedrarias aplicadas. Ela é mãe de Mônica Jardim Lermen, 67, dona de casa (rainha da 2ª Fenarroz).
 
 
MÉDICO MAIS ANTIGO
 
“Nós construímos o nosso caminho. Sou grato pela minha contribuição até aqui”
 
Aos 92 anos de idade, Geraldo Salzano ostenta o título do médico com maior tempo de atuação em Cachoeira do Sul. Clínico e cirurgião geral, despertou a vocação pela área da saúde aos 15 anos.
 
Dr. Geraldo tem seu consultório particular e ainda este ano atendia cerca de 10 pacientes diariamente, porém precisou se afastar há quase dois meses devido a complicações de saúde, mas espera retornar em breve. Para ele, o segredo de seu sucesso pessoal e profissional está no bom trato com as pessoas: “Gostar de si, das pessoas, de atender, do que faz... Muito estudo, ser agradável, bem educado e atencioso”, declara.
 
“A convivência com os amigos e a família faz com que a gente se sinta bem”, analisa ele, motivo de inspiração para a sua família de médicos: a filha Rosele Salzano (56) é médica ginecologista e obstetra e sua neta Gabriela (21) é estudante de Medicina na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
 
O médico é casado com Célia Leal Salzano (84, dona de casa) há 64 anos. São pais também de Rejane (63, advogada), Ricardo (62, engenheiro mecânico e empresário) e Rosane (59, zoóloga e professora). 
 
 
ACADÊMICOS DE FILOSOFIA
 
Uma turma de cachoeirenses nas ditas meia e terceira idade aproveita o leque de cursos superiores que nossa cidade disponibiliza. Colegas, eles encontraram no curso de bacharelado em Filosofia na modalidade de educação à distância (EAD) uma forma de exercitar o cérebro, adquirir mais cultura e sair da zona de conforto. A LINDA conversou com eles, e abaixo você vai conferir depoimentos inspiradores: 


"Nelson dos Santos Blaya, 75, advogado, graduado e pós-graduado em direito, com 42 anos de atuação. Casado com Neuza Maria Luchsinger Blaya (72, bacharel em direito, administradora e empresária) há cinco décadas, pai de Rafael Blaya (48, bacharel em direito) e Denise Luchsinger Blaya Rocha (53, médica psiquiatra em POA, princesa da 6ª Fenarroz) 
 

"Sempre ouvi dizer que devemos praticar exercícios físicos e que eles mantêm a saúde. A mente é parte do corpo e certamente ela deverá ser ativada também. Que tal iniciar caminhando uma quadra por dia e lendo um capítulo de ‘Em busca do tempo perdido’, de Marcel Proust, ‘Crime e castigo’, de Fiódor Dostoiévski, ou ‘Crítica da razão pura’, do Immanuel Kant? Adquirir conhecimento é a melhor forma de exercício para a mente que eu conheço. Sempre fui um leitor apaixonado, tenho uma curiosidade enorme, gosto de confrontar o que aprendo nos livros da vida com as obras dos que viveram antes de mim e nos deixaram ensinamentos preciosos. Meus familiares e as pessoas das minhas relações estranham, se posso dizer assim, o fato de com 75 anos de idade estar cursando uma graduação em Filosofia. Sempre respondo com o auxílio filosófico de Cícero: ‘Filosofar não é outra coisa senão preparar-se para a morte’.E a solução é uma só: ou cresce ou morre. Se possível, podemos fazer da existência uma obra de arte. O ser humano transforma em arte o que quiser, por que não a própria vida?”.
 
 
Eliane Schuch, 67, professora aposentada com 30 anos de atuação na rede estadual de ensino. É técnica em radiologia médica pelo HCB (1999) atuante na Clínica Schuch. Vice-presidente da Amicus, é formada em desenho e plástica pela Escola Superior Santa Cecília (1976), com pós-graduação em folclore e planejamento estratégico empresarial pela Ulbra/Cachoeira. Casada com José Alberto Schuch (73, médico radiologista), mãe de Eduardo (47, médico radiologista), Cibelle (45, empresária), Camille (43, designer de joias e empresária) e Alice (38, médica radiologista no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre)

"A palavra certa para este momento é desafio. Sair da rotina, ter convivência com outras pessoas e ler, ler muito, pois nossas discussões em sala de aula são extremamente enriquecedoras. Tenho certeza que morrerei um dia, mas de tédio, jamais. Busco hoje satisfação pessoal que o conhecimento me propicia, assim como todos os eventos culturais que sempre fizeram parte da minha vida. Cada pessoa sonha em estar estabelecida nesta faixa etária, mas a vida te surpreende. Esta é a mensagem que gostaria de deixar para quem gosta de desafios, surpresas e novos horizontes. Tentarei sempre buscar motivos para empreender uma vida saudável e promissora”.
 
 
Dariely de Barros Gonçalves, 54, advogada, pós-graduada em direito processual civil, com 32 anos de formação. É conselheira da Associação Cachoeirense de Amigos da Cultura (Amicus) e da Sociedade Rio Branco, membro titular da Junta Eleitoral e cronista do Jornal do Povo. Casada com o médico pediatra Marcos Rogério Seelig Gonçalves (56), mãe de Vinícius (22, formado em realização audiovisual) e Diogo (16, estudante)
 
"A importância de manter-se sempre ativa está ligada ao aprendizado constante, troca de conhecimento e experiências e sentir-se útil. Para isso, continuo exercendo minha profissão de advogada, porém, com tempo para dedicar-me a outras atividades que também agreguem prazer, satisfação, bem-estar e autoconhecimento. O estudo da Filosofia, em especial, tem me proporcionado, além de conhecimento e aprendizado, a transformação da minha perspectiva em relação a questões relevantes como política, arte, ética, moral, relações sociais, cultura, humanidade... o que, por sua vez, também tem gerado minha transformação como indivíduo parte de um todo. Leio muito, estudo muito, converso muito com meus colegas. Trocamos experiências, conhecimento e ideias. Fui convidada a integrar a Academia de Artes, Ciências e Letras Castro Alves, de Porto Alegre, para ocupar a 13ª cadeira como correspondente, cuja cerimônia ocorrerá na Câmara de Vereadores de Porto Alegre em 20 de novembro. Essa minha nova fase de vida fez com que eu saísse da minha zona de conforto e estou enfrentando novos desafios. Eu aconselho a todos que sempre é tempo de começar, recomeçar, desafiar-se, melhorar e aprender. A vida é um eterno rejuvenescer”.
 
 

Zilda Maria Corrêa Gomes, 66, médica com especialização em endocrinologia há 41 anos. Casada com Tadeu Gomes (68, médico urologista), mãe de três filhos: Eduardo (37, médico infectologista em Porto Alegre), Fabio (35, produtor musical em São Paulo) e Fernando (24, cursando Ciência da Computação na Ufrgs)
Sérgio Ellwanger
 
"Sempre li muitos diferentes tipos de literatura, com interesse também por música e cinema. Regularmente participo de cursos de atualização na minha área de atuação médica. No último ano iniciei uma nova faculdade, bacharelado em Filosofia, totalmente diferente de minha atividade profissional, como um desafio e não como um projeto de vida. Esta nova prática se tornou uma busca de mais conhecimento e aprendizagens que permitem uma análise mais crítica da atualidade, convivência com pessoas de diferentes idades e visões, troca de experiências e novos relacionamentos. De todos, recebi apoio e estímulo incondicional. Eu diria às pessoas de qualquer faixa etária que não se acomodem, saiam de sua zona de conforto, busquem sempre atividades de interesse que desafiem a mente e proporcionem convivência com jovens”.





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