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Reportagens EDIÇÃO 11 - MARÇO 2008

Mãe e profissional


A difícil tarefa de se dedicar ao mesmo tempo à carreira e à maternidade

 

A difícil tarefa de se dedicar ao mesmo tempo à carreira e à maternidade Profissional eficiente, com planos de ascensão na carreira e ainda mãe dedicada. Conciliar esses dois papéis sem sentir culpa por estar deixando um deles de lado continua a ser o maior desafio da mulher moderna. Desde sempre as mulheres têm filhos, entretanto antigamente a maternidade dividia espaço somente com as tarefas da casa e com a vida pessoal da mulher. Hoje, cada vez mais conquistando seu espaço no mercado de trabalho, a gestação traz um dilema: como equilibrar de forma correta o tempo dedicado aos filhos e à carreira, sem prejudicar nem a educação das crianças e nem a ascensão profissional?
A gerente administrativa, Juliana Jaeger Beckel, 34 anos, mãe da Maria Carolina, 5, e do João Manuel, 1, adiou a gravidez até ter certeza que estava estabilizada profissionalmente e conseguiria dividir com igualdade seu tempo entre ser mãe e a carreira. “Comecei a trabalhar com 12 anos na empresa do meu pai e fui subindo degrau por degrau até chegar na gerência. Casei com 18 anos, mas senti a necessidade de planejar com cuidado a gestação para não atropelar nada”, conta.



Juliana, Maria Carolina e João Manuel: flexibilidade nos horários ajuda a conciliar a profissão com a educação dos filhos

 

Assim como a maioria das mulheres, ela não pensou em parar de trabalhar, apesar de ter uma situação econômica estável. “Precisava ser mãe, mas também não podia deixar meu lado mulher de lado. Tenho que continuar trabalhando para ser completa”, ressalta. Mesmo tendo direito a quatro meses de licença-maternidade, Juliana optou por ficar em casa somente dois e entre as duas gestações ela fez pós-graduação. “Quando voltei a trabalhar ainda estava amamentando. Só fiquei mais tranqüila porque sabia que teria pessoas para me ajudar no cuidado dos dois e também por que meu horário é flexível. Não preciso estar lá o dia todo para manter tudo em ordem”, observa.
Assim como para Juliana, para muitas mulheres a licença-maternidade não passa de alguns dias, especialmente as profissionais liberais que com medo de perder espaço afastam-se do trabalho somente o tempo necessário para se recuperar do parto. Foi isso que fez a ginecologista e obstetra Leila Spanemberg, 32 anos, que 15 dias depois de ganhar João Pedro, hoje com 1 ano e dois meses, ela voltou a atender suas pacientes. “É claro que voltei num ritmo menos acelerado. Como tinham gestantes que estavam para ter seus bebês eu não podia deixar de atender. Vinha em horários alternativos. Atendia duas ou três pacientes e voltava”, conta. O problema de conciliar a maternidade com o trabalho veio mesmo quando Leila precisou voltar aos plantões.  “Foi uma confusão de sentimentos. Fiquei até meio depressiva, porque pela primeira vez iria ter que ficar 24 horas longe dele. Eu cheguei a pensar em não voltar, mas tive o apoio do meu marido. Ele me deu muita força pra eu não parar e também me deu segurança de ficar com ele. Nessa hora, a mulher precisa de um empurrão, de alguém que diga: - O que é isso, vamos continuar! Então eu voltei, mas ainda dói ficar esse tempo sem poder ver meu filho”, lembra.
A tendência das mulheres profissionais é adiar a gestação. Se antes aos 25 elas já eram mães, agora os planos de gravidez passam, muitas vezes, dos 30. Nesse tempo elas buscam fortalecer a vida profissional para conseguir fazer a parada que a maternidade exige. Assim como grande parte das mães, a ginecologista Ana Paula D’Elia, 35, esperou ter a garantia de que a carreira estava bem encaminhada e já havia segurança financeira para engravidar. A gestação foi muito bem planejada ao lado do marido, cirurgião-plástico Márcio D’Elia. “Casamos durante a residência médica, depois montamos o consultório e só decidimos que era a hora certa de ter um filho quando vimos que estava tudo encaminhado e estávamos estabilizados”, observa.
Mesmo tendo essa garantia, ela trabalhou até duas semanas antes do parto. “A pior parte é voltar, tanto é que eu vejo no consultório muitas pacientes que quando acaba a licença não voltam a trabalhar e eu compreendo perfeitamente. Se afastar do filho é doloroso”, conta. O que tem ajudado Ana Paula a conciliar os cuidados com o Pedro, de 10 meses, com o trabalho é a estrutura de apoio, com uma babá de confiança e assistência dos avôs do bebê. “Eu quero ter um segundo filho, mas não sei se vou voltar tão cedo quanto eu voltei nesse. Agora eu vejo que passa tudo muito rápido. Então numa segunda gestação eu vou tentar ficar um pouco mais em casa ou de repente vou fazer aquele horário reduzido por mais tempo porque eu acho que a criança precisa disso”, opina.

 


Leila e João Pedro: licença-maternidade de apenas 15 dias para não perder espaço no mercado de trabalho

 

Ana Paula e Pedro: Segunda gestação planejada para 2008, mas com a meta de dedicar mais tempo ao filho


 

Flexibilizar para não perder a funcionária

 

Muitas empresas já estão se adequando a necessidade das funcionárias em se dedicar aos filhos e a carreira ao mesmo tempo. Entretanto, nem todas conseguem flexibilizar a carga-horária. Quem trabalha em empresas que precisam ou exigem o cumprimento do expediente à risca após o fim da licença-maternidade e do período de amamentação acaba tendo que se afastar durante todo o dia dos seus filhos. Assim é a rotina da técnica em enfermagem Marilete de Franceschi, 32 anos.
Atuando como secretária ela só consegue se dedicar aos filhos Gabriel, 10 anos, e ao Murilo, 11 meses, à noite. “Quando tive o Gabriel eu não trabalhava, e então tudo foi mais fácil. Já com o Murilo pude ficar o tempo da licença em casa e depois deixá-lo com a babá. Não é fácil ter que ficar tanto tempo afastada, às vezes sinto como se estivesse abandonando meus filhos, especialmente o mais novo que ainda depende muito de mim”, conta. Apesar de reconhecer a dificuldade de ser mãe e profissional ao mesmo tempo, Marilete garante que não tem idéia de parar de trabalhar. “É cansativo mas ao mesmo tempo prazeroso chegar em casa depois de um dia inteiro de trabalho e encontrá-los. Só me arrependo de ter adiado tanto a segunda gravidez por causa do trabalho. Acho que seria mais fácil educá-los se eles tivessem a mesma faixa etária”, observa.

 


Marilete e Gabriel: trabalho durante todo o dia e dedicação aos filhos à noite



Duas gestações, duas histórias

 

Mãe do Fábio, 8, e da Manuela, 3, a gerente administrativa Patrícia Hoffmann, 31 anos, vivenciou dois momentos bastante diferentes em suas gestações. “Trabalho desde os 15 anos. Quando tive o Fábio, acabei não encontrando uma pessoa de confiança para cuidar dele e decidi parar de trabalhar”, lembra. A decisão de Patrícia não foi fácil e ela acabou ficando três anos afastada do mercado de trabalho. “Não me sentia feliz estando somente em casa. Tinha a necessidade de cuidar do meu lado profissional e quando ele entrou na escolinha decidi voltar a trabalhar”, conta Patrícia.
Quando engravidou da Manuela, Patrícia decidiu que não iria mais parar de trabalhar e tentaria conciliar a maternidade com a profissão. “Na época já tinha uma babá de confiança, que está comigo até hoje e vi que poderia seguir na minha carreira. O apoio do meu marido também foi fundamental. Ele sempre esteve presente: desde os embalos à noite até a troca de fraldas. Vejo que a maternidade não impediu o sucesso. Só consegui crescer e amadurecer depois de ser mãe. A única coisa ruim é não poder acompanhar passo a passo o desenvolvimento da Manuela como acompanhei o do Fábio”, comenta.

 


Patrícia com Fábio e Manuela: trabalhar a faz ser uma mulher completa


 

Mãe até dentro da empresa


A empresária Andréa Moraes, 34 anos, teve que se virar para conseguir ficar perto da filha Antônnia, hoje com um ano e oito meses, e não abandonar o comando da sua empresa, a Andréas Acessórios, que conta com duas lojas. “Trabalhei até um dia antes da cesárea e quando ela estava com 15 dias eu comecei a vir para a loja com ela junto”, lembra. Antônnia ganhou um berço no local de trabalho e passou os quatro primeiros meses de vida ao lado da mãe.
Entretanto, ao chegar o mês de dezembro, como o movimento no comércio aumenta, não havia mais como Andréa conciliar o cuidado com ela e o atendimento aos clientes. “Hoje ela se divide entre meu pai e minha madrasta pela manhã e à tarde com minha sogra e minha cunhada”, conta. Apesar de se dedicar durante o dia inteiro à empresa, à noite Andréa garante que sempre tira forças para dar atenção a Antônnia e quando necessário tenta flexibilizar seu horário para atender a menina. “Nós ficamos três anos tentando ter ela, por isso que eu não vejo nenhuma dificuldade na minha vida. Faço questão de brincar e ficar ao lado dela quando posso”, revela Andréa.

 


Andréa e Antônnia: primeiros meses da filha foram vividos dentro da loja



 

FIQUE DE OLHO

 

A Clas Psicologia realizou em janeiro uma pesquisa qualitativa com cinco mães/profissionais de Cachoeira do Sul para tentar desvendar o mistério de vivenciar uma gestação, a chegada e a criação dos filhos. Confira parte do resultado, com base nas entrevistas dessas mães:


Como vivenciar uma gestação tranqüila e conciliá-la com o trabalho:
. Planejar a chegada do filho


. Preparar–se psicologicamente para as mudanças necessárias da maternidade e suas responsabilidades


. Preparar sua rede de apoio: financeira – mesmo com a parada necessária não terá dificuldades, pois existiu o planejamento e pessoal – poder contar com pessoas de confiança (babá, avós, companheiros ou creches) para os cuidados necessários com o bebê, proporcionando com isso o seu retorno no prazo desejado.



Quais os medos mais comuns para as mulheres profissionais quando decidem serem mães:
. Não conseguir ser uma boa mãe se optar por continuar trabalhando


. Não conseguir conciliar as atividades profissionais com os cuidados maternos imprescindíveis a um bebê


. Dúvidas em relação à rede de apoio, com quem poderá contar quando necessário para cuidar do bebê.


. Medo de perder seu espaço profissional já conquistado, diminuindo assim seu potencial para crescimento na carreira.






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Edição 136 - junho de 2019

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