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Reportagens EDIÇÃO 07 - NOVEMBRO 2007

Juventude ilustrada


A tatuagem já foi considerada um sinal de rebeldia. Hoje, com a redução do preconceito, elas são vistas pela maioria apenas como decoração do corpo

 

Foi-se o tempo em que as tatuagens eram consideradas símbolos de rebeldia, marginalidade ou drogadição. Exibir o corpo tatuado já foi uma moda quase exclusiva de punks e roqueiros. Hoje, de tão comuns, elas já viraram um acessório do corpo, principalmente entre os jovens.  Discretas ou chamativas, as tatuagens conquistaram a pele de modelos, estudantes, patricinhas, jovens com estilos alternativos... Enfim, dos adolescentes em geral.
A estudante Andreli Deicke, 23 anos, é uma das adeptas dessa moda. A jovem fez sua primeira tatuagem aos 16 anos e hoje coleciona 23 desenhos pelo corpo. E não pretende parar por aí: “Tatuagem é como um vício, quando se faz uma não se quer mais parar”, comenta. Com boa parte do corpo coberta por ilustrações, Andreli chama a atenção por onde passa. “É comum as pessoas ficarem apontando na rua. Enquanto uns elogiam outros criticam, e assim vai”, observa a estudante. Seu gosto pelas tatuagens sempre foi aprovado pela família, tanto que em seus aniversários sempre a presenteiam com dinheiro para mais tatuagens.
Assim como Andreli, muitos jovens começam a se tatuar e não param mais. Porém, apesar de tatuar-se ter se tornado uma moda, é claro que o preconceito, mesmo que pequeno, ainda existe e que o exagero, muitas vezes impensado durante a adolescência, se torne uma dor de cabeça na vida adulta. “Já enfrentei preconceito e sei que tenho dificuldades de encontrar emprego por causa das minhas tatuagens. Mas em nenhum momento eu me arrependo de ter feito”, observa Andreli. Em muitas carreiras, principalmente as mais conservadoras ou em empresas com regras mais rígidas, a tatuagem pode ser encarada como desatino ou sinal de desleixo. Isso não quer dizer que um médico, por exemplo, não possa ter tatuagens.
O ideal para não enfrentar problemas é, na hora de se tatuar, optar por lugares no corpo que sejam mais fáceis de esconder com a roupa. Para os arrependidos existe a possibilidade de apagar a tatuagem com métodos a laser. Esse procedimento, porém, custa caro e seu resultado nem sempre é perfeito. Os tons mais claros são os mais difíceis de serem removidos, ficando sempre manchas avermelhadas na pele. Por esse motivo, em alguns casos a sentença de que, uma vez feita a tatuagem, é para sempre ainda vale. De acordo com o cirurgião-plástico Márcio D'Elia, em Cachoeira do Sul não existe nenhum profissional que realize esse tipo de procedimento. Em Porto Alegre, a Clínica Goldan é uma das que faz a remoção. Cada sessão custa em média R$ 400,00. Dependendo da tatuagem pode ser necessário até mais de 10 sessões para apagá-la.

 

Eu fiz 


Aos 18 anos o jovem Lucas de Loreto Alves fez sua primeira tatuagem: uma teia de aranha no cotovelo. Hoje aos 20 anos, ela já possui 13 tatuagens espalhadas pelo corpo. Lucas, assistente de restaurante, afirma que a maioria dos clientes que ele atende elogia suas tatuagens, à mostra principalmente no braço esquerdo. “Somente uma vez um cliente chamou o gerente e disse que não tinha sido agradável ter sido atendido por uma pessoa tatuada, porém ele não deixou de freqüentar o restaurante”, comenta Lucas. Apoiado pelos pais, ele influenciou a mãe, que também já fez duas tatuagens depois que o filho aderiu à moda.



Lucas: 13 tatuagens em dois anos


Alisson Gaspar do Nascimento, o DJ Gordo, 31 anos, já possui 10 tatuagens e planeja fazer mais. Seu próximo passo deverá ser um dragão, assim como o de Fernanda Comasseto, nas costas. “Comecei a me tatuar há sete anos e gostei tanto que não quero mais parar”, afirma. Como ninguém na família de Alisson é adepto das tatuagens ele já enfrentou muitas críticas, mas garante que nunca o abalaram. “Apesar da família não gostar muito eles nunca me discriminaram e como sou DJ também nunca sofri preconceitos nos ambientes de trabalho, por isso pretendo seguir me tatuando”, comenta. Além dos desenhos, Alisson possui dois piercings: um na língua e outro no queixo.



 

DJ Gordo: tatuagens não são mal vistas em sua profissão

 

A servidora pública Fernanda Comassetto, 23 anos, foi mais longe na arte de se tatuar e está terminando de fazer um dragão que cobrirá suas costas. Questionada sobre a possibilidade de se arrepender do desenho, ela garante que fazer uma tatuagem desse tipo sempre foi um sonho. “Tenho cinco tatuagens, mas todas em lugares que posso esconder com roupa, por isso não me preocupo em vir a me arrepender”, comenta. Ela garante que mesmo trabalhando diretamente com o atendimento ao público nunca sofreu preconceito. “Antigamente as pessoas achavam que tatuagem era somente coisa de marginal, mas esse preconceito foi se desmistificando. Eu, por exemplo, levo a vida normalmente mesmo tendo minhas tatuagens", garante. O tatuador Secco Tatoo está sendo o responsável pela conclusão do dragão nas costas da Fernanda.



 

Fernanda e Secco Tatoo: depois de pronto, dragão cobrirá toda as costas


 

FIQUE DE OLHO


Meninas são as campeãs de tatuagens
De acordo com o tatuador Anderson Saim Pierre, o Secco Tattoo, 29 anos de idade e 11 de profissão, a panturrilha, a parte interna do antebraço e o ombro são as regiões preferidas dos garotos. Já as meninas tatuam mais o tornozelo, a nuca e a base da coluna vertebral. Secco faz em média 60 tatuagens por semana durante os meses do verão e 20 durante o inverno, 70% delas em meninas. “Em geral, as mulheres são mais corajosas, mas preferem desenhos menores, como borboletas, estrelas, beija-flores”, comenta.


Quanto custa uma tatuagem
Desenhos pequenos e simples costumam sair em média por R$ 35,00. Já uma tatuagem que ocupe as costas inteiras pode custar de R$ 800,00 a R$ 2 mil. Em geral, esse tipo de tatuagem grande demanda, pelo menos, 30 horas, divididas em sessões que podem durar de duas a cinco horas. De acordo com o tatuador Secco, as sessões não podem ser feitas em intervalos de menos de 15 dias, por causa dos riscos de infecções que o procedimento oferece. “Como primo muito pela higiene e todos os materiais que utilizo são descartáveis, nunca aconteceu de uma tatuagem infeccionar, mas é bom prevenir”, observa. Para injetar o pigmento que forma a tatuagem, as agulhas do equipamento próprio para esse trabalho perfuram, ponto a ponto, cerca de 3 milímetros da pele a ser desenhada.


Menores só com autorização
Na maioria das cidades brasileiras, assim como em Cachoeira do Sul, as tatuagens só podem ser feitas em maiores de 18 anos. Menores de idade só podem realizar o procedimento com autorização dos pais. “Costumo cobrar muito isso para evitar futuras dores de cabeça. E apesar de menores de 16 anos também poderem se tatuar com o consentimento dos pais, eu evito fazer esse trabalho, pois considero que não há maturidade suficiente para tomar essa decisão e o corpo ainda pode passar por transformações, alterando os desenhos”, comenta o tatuador. Além disso, mesmo os maiores de idade devem ficar atentos para não escolher um tatuador mal preparado para fazer o trabalho. Observar a higiene do estúdio também é muito importante, pois embora sejam poucas as chances, há risco de se contrair doenças como aids e hepatite B se não forem utilizados materiais descartáveis.


 

Henna como tira-dúvidas
Para quem tem medo de fazer uma tatuagem definitiva, as de henna são uma boa alternativa para tirar a dúvida. Esses desenhos são feitos com uma tinta especial e duram em média de uma a duas semanas. A moda surgiu há alguns verões e ainda ganha adeptos por todo o Brasil.






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