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Reportagens EDIÇÃO 06 - OUTUBRO 2007

Beleza em outras versões


Cheias de curvas e de charme, muitas mulheres não ligam para a ditadura da magreza e afirmam estarem muito felizes com seus quilinhos extras


"Coisa bonita, coisa gostosa, quem foi que disse que tem que ser magra para ser formosa?" O trecho da conhecida canção de Roberto Carlos que fez sucesso entre as mulheres que estavam acima do peso no início da década de 90 até hoje serve de inspiração para quem está longe dos atuais símbolos de beleza, encarnados por modelos magérrimas. Lutar contra a balança é a rotina diária de muitas, mas existe também aquelas que já cansaram da guerra contra os quilinhos extras e resolveram se assumir com todas as suas formas e curvas.
Uma delas é a acadêmica do quarto semestre do curso de Odontologia, Keli Leites da Silva, 23 anos. Keli diz não se sentir nem um pouco incomodada com seus 110 quilos, distribuídos em 1,68 metro de altura. “Aprendi a me aceitar do jeito que sou, mas não vou dizer que o meu excesso de peso nunca me fez mal. Na adolescência era muito difícil ser a gorda da turma, enquanto minhas amigas arrumavam namorado eu estava sempre sozinha”, revela. Lidar com os apelidos pejorativos também foi uma dificuldade. “Graças ao meu jogo de cintura não deixo mais essas coisas me abalarem e não é só porque sou gorda que deixo minha vaidade de lado. Gosto de me maquiar e uso roupas justas numa boa”, completa.
Um dos problemas que Keli enfrenta é o mesmo de muitas mulheres que estão acima do peso: encontrar roupas com manequim acima do 48. Existem poucas lojas voltadas para esse público. Outra grande reclamação é que marcas famosas não fabricam roupas grandes. “Muitas vezes não me visto bem não por falta de  dinheiro para comprar e sim por não achar roupas com manequim 52”, lamenta Keli. A acadêmica mostra que realmente aprendeu a lidar com os quilos a mais, tanto que faz parte de uma agência de São Paulo especialista em modelos gordinhos, a Criaturagg. "Ainda não fiz nenhum trabalho, mas como esse mercado está cada vez crescendo mais, espero conseguir fazer alguma campanha publicitária em breve", planeja.

"Aprendi a me aceitar do jeito que sou"
Keli da Silva



Dieta milagrosa

 

Mesmo sem perguntar, qual o gordinho que nunca foi abordado por alguém se oferecendo para ensinar uma dieta milagrosa ou um chá que promete exterminar todos os seus quilos em excesso? A arte-finalista Priscila Machado Nunes, 18 anos, diverte-se ao lembrar de casos que viveu como esse. “É impressionante, a maioria das pessoas não acredita que eu vivo bem e com minha auto-estima lá em cima mesmo sendo gordinha. Elas chegam e já vão falando sobre o que fizeram para emagrecer ou que conhecem alguém que com tal regime conseguiu diminuir o peso”, conta.  
Como a maioria das mulheres, Priscila também não escapou de fases de sofrimento por causa do peso. “Gosto de tomar refrigerante e comer doces. Cansei de lutar contra a balança, então tive que aprender a me aceitar como sou”, comenta. Com 1,60 metro e "63 quilos", uma estimativa dela, já que Priscila não sobe em uma balança há pelo menos um ano, a arte-finalista diz que tenta compensar os quilinhos extras se vestindo bem. “Visto o que gosto. Uma vez estava passeando com um blusa bem curta e uma menina olhou para mim e disse: "Tem gente que não se enxerga mesmo. Gorda e com a barriga de fora". Na hora fiquei muito chateada, mas hoje até acho graça da situação”, observa Priscila.


"Uma vez estava passeando com uma blusa bem curta e uma menina olhou para mim e disse: Tem gente que não se enxerga mesmo."
Priscila Nunes



Recepcionista perfeita

 

Tão bonita de rosto, que pena que é gorda. Muitas mulheres acima do peso já devem ter ouvido essa frase. Para a secretária Alessandra da Rosa Maciel, 27 anos, isso é comum. “Uma vez trabalhando como recepcionista meu chefe chegou para mim e disse: você é uma ótima profissional e seria perfeita se emagrecesse um pouco. Ri e respondi para ele: então pode esquecer, nunca vou ser perfeita”, conta. Alessandra garante que não se sente infeliz por estar acima do seu peso ideal. “Pelo contrário, me sinto muito feliz. Há alguns anos emagreci bastante, me olhava no espelho e parecia que tinha perdido até minha personalidade. Resultado: engordei tudo de novo”, observa.
Para Alessandra, o maior preconceito contra as gordas vem mesmo é por parte das mulheres. “Homem não gosta de mulher muito magra, eles gostam mesmo é das mais cheinhas”, brinca. Com 1,64 metro, ela acredita que pese cerca de 75 quilos, já que há muitos anos não passa nem perto de uma balança para evitar aborrecimentos. “Cuido para não engordar mais do que isso baseada somente nas minhas medidas”, observa a secretária.

 


"Uma vez trabalhando como recepcionista meu chefe chegou para mim e disse: você é uma ótima profissional e seria perfeita se emagrecesse um pouco."
Alessandra Maciel

 


Sem problemas com a balança

 

Hoje, a ditadura é da magreza e do corpo sarado, mas ser gordo já foi moda e símbolo de status. Por esse motivo, muitas pessoas, e especialmente as mulheres, sofrem tanto por estarem acima do peso ideal. Bem sucedida profissionalmente e sempre de bem com a vida, a psicóloga Fernanda Tollens, 30 anos, encara com naturalidade seus quilos a mais. Com 1,65 e 78 quilos ela afirma que não vive às voltas com a balança e se sente bem mesmo estando acima do peso ideal. Mesmo quem não a conhece logo percebe isso, já que Fernanda está sempre bem arrumada e de alto astral.
“Já cheguei a pesar 93 quilos, hoje me cuido muito para não ganhar mais peso do que tenho agora. Apesar de me sentir bem como sou, não nego que, como todo mundo, tenho meus períodos de baixa estima, mas tenho facilidade em contornar essas crises”, conta. Segundo Fernanda, dificilmente ela sofre algum tipo de preconceito ou brincadeiras pejorativas por ser gordinha. “Tem gente que reclama porque já viveu situações comuns, como chegou em uma loja e ao olhar uma roupa a vendedora disse que não tinha para o seu tamanho. Eu não faço coisas desse tipo, não fico namorando uma blusinha, por exemplo, tamanho P. Chego e já vou pedindo: me mostra o que vocês tiverem de maior aí”, brinca.

"Não fico namorando uma blusinha, por exemplo, tamanho P. Chego e já vou pedindo: me mostra o que vocês tiverem de maior aí."
Fernanda Tollens

 






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