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Reportagens EDIÇÃO 05 - SETEMBRO/2007

Agressividade controlada


Identificar quando esse comportamento infantil é apenas uma fase ou se já saiu do normal é fundamental para resolver o problema


Quando pensamos em crianças, logo vem à cabeça uma imagem angelical de pureza e doçura. Por esse motivo, deparar-se com atitudes agressivas vindas dos pequenos causa tanta surpresa. É cada vez mais comum encontrarmos na rua, no supermercado, em festas e nos lugares públicos crianças aos gritos, chutando os objetos que encontra pela frente, batendo nos amigos e até mesmo nos pais, quebrando brinquedos ou maltratando animais. Nesse momento vem a pergunta: qual o motivo de tanta revolta? Entender esse comportamento requer paciência e sabedoria dos pais e educadores para olhar um pouco para o desenvolvimento da criança e por que se comporta agressivamente.


Descontrole: vários fatores podem motivar a agressividade infantil. Um deles é a imitação do comportamento agressivo do pai ou da mãe


De acordo com especialistas no assunto, a agressividade infantil pode ser causada pela necessidade de atenção, disputa de poder com os pais, problemas de relacionamento, ansiedade ou imitação do comportamento agressivo dos familiares. Para a psicóloga especialista em psicoterapias na infância e juventude Rose Mary Caldas, 49 anos de idade e 24 de profissão, ataques temperamentais, crises de birra e desodebiência são comuns nos anos pré-escolares. “Brigar de vez em quando é normal, mas quando a criança começa a passar dos limites e se meter em muitas confusões é importante começar a prestar a atenção”, observa.
Segundo Rose, normalmente o problema se resolve com a contenção adequada. Caso contrário, a agressividade pode acabar se transformando em um transtorno com o passar do tempo. O papel dos pais nesse caso é ficar atento para detectar se aquele sintoma é transitório e que tipo de prejuízos está causando. “Quando a agressividade apresentada pela criança passa a prejudicar o ambiente em que convive e vai evoluindo dia a dia é hora de buscar ações mais enérgicas, impor limites com mais firmeza ou buscar a ajuda de um profissional para canalizar as energias e utilizá-las de maneira produtiva", ensina a psicóloga. A diferença de sexo também pode indicar um aspecto da agressividade. Pesquisas apontam para uma capacidade precoce das meninas, em relação aos meninos, para adaptarem-se em grupo e socializarem-se com maior facilidade. Meninos sempre tendem a apresentar mais problemas para essa adaptação.

 

Como ajudar seu filho para não se tornar agressivo

. Proporcionar um ambiente familiar tranqüilo

. Ser um bom espelho para o filho, pois o principal modelo é dos pais

. Demonstrar estabilidade emocional. Crianças de dois e três anos absorvem o sentimento que principalmente a mãe está sentindo

. Sempre tentar descobrir porque ela está braba, triste ou decepcionada

. Não permitir que a criança dê ordens ou bata nos pais. Contê-la na hora da raiva fará com que se sinta mais segura


O que pode levar a criança ou adolescente a apresentar agressividade excessiva

. Falhas nos vínculos afetivos, como ausência do pai ou da mãe

. Manejo inadequado por parte dos pais (pais excessivamente autoritários ou muito permissivos)

. Imitação do comportamento agressivo de familiares

. Dificuldade de tolerar frustrações



"Brigar de vez em quando é normal, mas quando a criança começa a passar dos limites e se meter em muitas confusões é importante começar a prestar a atenção”   

Rose Caldas

 














 Bater ou não?

Assunto causa polêmica, mas especialistas afirmam: a agressão é sempre a pior solução


Quando uma criança começa a apresentar ações agressivas e desobedecer as ordens dos pais é comum escutar frases do tipo “umas boas palmadas irão botar ela na linha”. Muita gente ainda pensa dessa maneira e nem sabe que bater não ajuda em nada, na maioria das vezes até piora a situação. No momento em que um adulto agride uma criança ela passa a se tornar passível de agressão e começa a associar violência à resolução de problemas. É uma pedagogia baseada na intimidação e no medo. Todo mundo já deve ter feito travessuras quando pequeno e levado uns tapinhas quando teimava em não obedecer aos pais. Mas o nível passa a ser outro quando essa atitude se transforma em uma forma de escape ou um despejo de raiva e estresse do agressor.
É isso que ocorre em muitas famílias, principalmente naquelas onde os pais são sobrecarregados, trabalham o dia inteiro e quando chegam em casa continuam no trabalho doméstico. “Bater na criança não resolve, só intensifica sua agressividade. Retirar algo de que ela gosta muito pode funcionar melhor. Lembrando sempre que o castigo deve ser imediato e proporcional a sua idade”, comenta Rose. Usar a punição física como forma de escape pode levar a violência a níveis incontroláveis, transformando os “tapinhas” em um caso de abuso, refletindo um comportamento agressivo e ensinando a criança a enfurecer-se. É uma situação desagradável para ambas as partes.
O adulto pode procurar na agressão uma forma desesperada de transmitir autoridade e o filho sentir uma sensação de fraqueza. Especialistas defendem que a palmada, o puxão de orelhas, os beliscões e os xingamentos devem ser abolidos dos lares brasileiros. Entendem que esse tipo de punição, além de covarde, pode evoluir para o espancamento. Ou seja: a violência só reproduz violência. A criança que hoje é agredida fisicamente tende a cometer esse mesmo crime quando crescer. Essa forma de “educação” ainda está enraizada na cultura do povo brasileiro, pois existe a idéia de que bater é uma forma de botar o garoto ou a garota na linha. Pelo contrário, isso torna a criança mais agressiva e com dificuldades para se relacionar com a sociedade.

 

Veja como a agressividade se manifesta em cada fase e qual a melhor forma de agir

Até quatro anos
Nessa fase a agressividade se manifesta com choro, birras, tapas, mordidas e destruição de objetos e brinquedos.
Como agir: é nessa fase que os limites deverão ficar claramente estabelecidos. Por isso quando seu filho estiver fazendo algo errado diga não com firmeza, mas não esqueça de dar atenção e pequenas recompensas, como beijos e carinhos quando o comportamento for correto. É nessa fase que ela aprenderã a diferenciar o que é certo e o que é errado.

Dos quatro aos 10
Além dos comportamentos apresentados na primeira fase, a criança tende a cometer pequenos atos maldosos para demostrar sua raiva.
Como agir: além de continuar estabelecendo limites, dialogue bastante com seu filho. Sempre que ele tiver uma atitude violenta converse para tentar entender o porquê desse comportamento. Como último recurso utilize o castigo, mas só após Ter uma conversa sobre o que fez e o comportamento que esperava.

Acima dos 10
A agressividade tende a aumentar nessa fase, por causa das transformações hormonais. Mas não deve ser tolerada quando envolve atitudes extremas, como xingar ou agredir os pais, bater ou chutar portas com freqüência e brigar demais na escola, na rua ou em festas.
Como agir: geralmente, explosões de raiva são uma válvula de escape para disfarçar sentimentos como tristeza, medo ou culpa. Por isso, converse com seu filho e tente descobrir a verdadeira razão de tanta revolta. Aproveita para explicar o quanto esse tipo de comportamento o magoa. Também é importante demostrar a ele que você respeita as opiniões dele, mas como toda a mãe, tem que estabelecer regras e impor limites. E o mais importante de tudo: tenha paciência.






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