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Reportagens Edição 54 - dezembro de 2011

Sou filho único!


A tendência de ter apenas um herdeiro é cada vez maior

Se há alguns anos não era comum um casal ter somente um filho, hoje em dia essa realidade é outra. Segundo o Censo 2010, a taxa de filhos por mulher, no Brasil, é de 1,86. Em 2000, era de 2,38.  Entre as principais causas dessa queda estão a opção de priorizar a carreira, as dificuldades financeiras e a pouca disponibilidade de tempo dos pais. “Ter apenas um filho têm suas vantagens, como poder acompanhar mais de perto o desenvolvimento da criança, acomodar melhor a mudança na rotina do casal e até mesmo proporcionar uma vida mais segura financeiramente à família”, explica a psicóloga Joseane Arena de Noronha, 36, sendo oito de profissão.
Existe o mito de que filho único é mimado e egoísta, mas isso não é regra afirma a psicóloga. “A questão da falta de limites pode ser um problema sério também na vida de quem tem irmãos. Excessos, mimos em exagero não fazem bem para nenhuma criança”, ressalta Joseane.
A psicóloga alerta também que é importante cuidar para que a criança não cresça pensando que é o centro das atenções. “O filho único pode ter dificuldades de relacionamento interpessoal e por isso acabar se isolando”, completa. Ter irmãos é a possibilidade de exercitar uma competição saudável que a criança terá no futuro, é um exercício também de convivência, de limites. Mas segundo a profissional, o filho único tratado de forma equilibrada pelos pais, não terá problemas de relações só pela razão de serem únicos. “Os pais devem ter o cuidado de socialização com outras crianças desde cedo”, afirma Josiane.


“Sempre tomo cuidado para não mimá-lo demais e para que não se torneuma criança individualista”


A professora Denise Marin, 32, que optou por ter apenas um filho, o Frederico, cinco anos, o colocou cedo na escolinha para que aprendesse a conviver com outras crianças. “Junto ao meu marido, tenho o cuidado de sempre fazer com que ele, estando com outras crianças, aprenda que cada um tem um jeito de pensar e que ele não tenha sempre tudo o que quer”, conta Denise. Uma atitude aprovada pela psicóloga Joseane. “É importante negar alguns desejos para que a criança aprenda a tolerar frustrações e a lidar melhor com o mundo. É necessário dar muito amor ao filho e isso implica também alguns nãos para ele saber que nem tudo será como deseja”, explica.




Filho único, mas independente

Com a chegada do primeiro filho, João Guilherme, 11, a bióloga Rosinele Pérez, 43, e o pecuarista João Almir Pérez, 51, se sentiram plenamente realizados e sem a necessidade de ter mais herdeiros. “Não foi uma coisa que planejamos, foi natural e conforme o João Guilherme ia se desenvolvendo como uma criança independente e madura emocionalmente, percebemos que a decisão foi acertada”, conta Rosinele. O menino, por sua vez, apóia a decisão dos pais. Para aprender a ter responsabilidade, João tem alguns animais de estimação. “Estimulo a convivência dele com crianças da mesma idade para evitar que ele se torne um mini-adulto”, explica Rosinele, que procura desenvolver a autonomia do filho passando tarefas que ele seja capaz de realizar. “Assim ele vai ganhando mais confiança em si mesmo”, ressalta. A opção por ficar só com ele, favorece a organização familiar e o andamento dos planos pessoais dos pais. “Tendo somente um filho, conseguimos curtir cada momento da vida dele e assim garantimos qualidade de vida tanto para ele como para nós”, afirma Rosinele.


Rosinele com João Guilherme: “Priorizo a independência dele e convívio com outras crianças para que não se torne um mini-adulto”




Uma grande família

Mãe da Bruna, 18, da Gabriela, 14, e do Guilherme, sete, a médica ginecologista Rosele Salzano, 48, apesar da rotina exaustiva que a profissão lhe traz optou por ter uma família grande. "Meu marido e eu viemos de famílias grandes e sempre desejamos ter mais de um filho", conta Rosele. O casal sempre se empenhou para os filhos serem amigos e hoje os três são bastante unidos. "Família é insubstituível. Os irmãos têm grande importância na vida uns dos outros, tanto nos momentos de alegria, quanto nos momentos de tristeza", completa. Ela acredita que o pensamento de dar do bom e do melhor para um único filho às vezes seja traiçoeiro, já que os desejos são ilimitados. “Acredito que pais que têm o projeto de dar tudo, exceto um irmão, estão negando a única coisa que somente eles podem oferecer ao filho. Irmãos podem ensinar lições preciosas, como o amor, a maneira de lidar com diferenças e a necessidade de partilha”, diz.


Rosele com os três filhos: “Meu desejo sempre foi ter família grande”




O amor desmedido está no centro de um comportamento comum a muito pais que têm somente um filho: a tendência à superproteção. Por isso é importante lutar contra isso e perceber que a criança conforme vai crescendo, vai ampliando suas competências. Superproteção é apontada por especialistas como o caminho mais rápido para tornar uma criança dependente e vulnerável.






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