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50 Tons de Mulher Edição 205 - Outubro de 2025

Conhecimento que liberta: o poder do direito na escolha consciente


Ingrid Mariano - Advogada especialista em direito do consumidor e bancário

Mais do que advogada, Ingrid Mariano é uma mulher movida pela justiça social. Desde cedo, sentiu o impulso de converter indignação em ação. Quando percebeu quão comuns são práticas abusivas com contratos financeiros — juros exorbitantes, cláusulas escondidas, cobranças indevidas — viu seu papel claro: defender quem muitas vezes não tem voz. “Vi pessoas endividadas por cláusulas injustas. Entendi que meu papel era traduzir o Direito em proteção concreta”.


Em sua trajetória, aprendeu a equilibrar sensibilidade e firmeza. Ser mulher no universo jurídico exige coragem. Ingrid defende que a verdadeira presença é mais poderosa que endurecer. “Respeito não se pede — impõe-se, com argumentos. É isso que ensino a minhas clientes”.

 

Mulheres, consumo e vulnerabilidades reais

O Brasil vive um fenômeno de feminização do superendividamento: as mulheres, por diversos fatores — menor renda média, jornadas simultâneas e discriminação — são mais vulneráveis a dívidas impagáveis. (Seer UFRGS).


Em ambiente digital, essa vulnerabilidade se acentua: marketing agressivo, ofertas impulsivas, uso indevido de dados e pouca transparência de contratos são riscos reais. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e normas do consumidor tentam trazer equilíbrio, mas ainda há muito terreno a percorrer. (Seven Publicações).
 

Além disso, os órgãos de defesa do consumidor registraram que mais mulheres têm buscado reclamar: em 2023, 54% dos atendimentos no Procon foram feitos para mulheres, contra 41,78% em 2022. (Serviços e Informações do Brasil). Práticas abusivas como a “taxa rosa” — quando produtos femininos são cobrados a mais — também são alvo de combate legal, pois violam o princípio da igualdade nas relações de consumo. (Procon SC).


 

 

 

Consumo, mente e autonomia emocional

A saúde mental feminina também está entrelaçada com o consumo. De acordo com o relatório “Esgotadas”, 7 em cada 10 pessoas diagnosticadas com depressão ou ansiedade são mulheres no Brasil. (Meio e Mensagem).
 

A dependência emocional também é tema relevante: muitos estudos ressaltam que mulheres permanecem em relações abusivas por medo, baixa autoestima ou insegurança — o que fragiliza sua capacidade de exigir direitos em diferentes esferas, inclusive no consumo. (Foco Publicações+1).
 

Ingrid propõe que empoderamento jurídico deve caminhar junto ao empoderamento emocional. Que a mulher saiba dizer “não”, não apenas em relacionamentos pessoais, mas também em contratos.

 

Orientações práticas para mulheres consumidoras

1. Leia tudo antes de assinar — contratos, cláusulas e letras pequenas

2. Exija cópia e registro — protocolo, e-mails, fotos

3. Pesquise e compare antes de comprar

4. Questione cobranças injustas — renegocie ou leve a órgãos de defesa

5. Procure orientação jurídica gratuita — existem serviços públicos e ONGs

Além disso, Ingrid compartilha histórias reais (com anonimato) de mulheres que reverteram cobranças abusivas e conquistaram sua dignidade de volta.

 

Direito e impacto social

Sua atuação transcende casos individuais. Ingrid defende que o entendimento de consumidoras gera transformação social:
 

“Quando uma mulher entende seus direitos, ela se empodera. Isso reverbera em famílias e comunidades”.
 

Ela também destaca que o conhecimento legal bem disseminado derruba muros de silêncio e impunidade.


 

Mensagem final

Ingrid deixa um convite à leitora: “Você não precisa ser pequena diante de documentos ou cláusulas complicadas. O Direito existe para te proteger”.

 

"Empoderar é traduzir o Direito em coragem para que nenhuma mulher se sinta indefesa."


 






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