Entre o cuidar e o reconhecer: saúde mental feminina ao longo da vida

Dra. Fernanda Boeck - Médica psiquiatra
Médica, mãe e mulher em constante aprendizado, Fernanda Boeck descobriu na psiquiatria mais do que uma profissão — um propósito. Depois de anos tentando atender a todas as expectativas externas, percebeu que a vulnerabilidade também é força. Hoje, ela transforma conhecimento em acolhimento com mais de 100 mil seguidores, e compartilha experiências que conectam mulheres de todas as idades. “A psiquiatria me ensinou que sofrimento emocional não é fraqueza. É uma linguagem do corpo e da mente que pede escuta e cuidado. Cada vez que alguém comenta ‘me senti compreendida’, sinto que a mensagem chegou onde deveria. Cuidar de si mesma não é luxo. É sobrevivência. E nunca é tarde para se reconectar com quem você é de verdade”.
Infância e adolescência: bases da saúde mental
A saúde mental feminina começa a ser moldada desde cedo. Meninas enfrentam pressão por padrões de aparência, comportamento e desempenho, aumentando o risco de ansiedade e depressão, duas vezes maior que nos meninos na adolescência. Bullying, violência e desigualdade de gênero podem fragilizar a autoestima e a autoconfiança, impactando o desenvolvimento emocional.
Fernanda destaca: “Ouvir e validar emoções desde cedo é uma forma de prevenção. Reconhecer sentimentos como legítimos cria mulheres mais resilientes”.
Juventude e maternidade: sobrecarga e burnout
A vida adulta jovem traz conquistas profissionais, relacionamentos e, para muitas, maternidade. Essa multiplicidade de papéis aumenta a vulnerabilidade ao burnout feminino, caracterizado por exaustão física e emocional, despersonalização e sensação de baixa realização.
Estudos indicam que mulheres que conciliam carreira e cuidados familiares dedicam em média 10 horas a mais por semana que homens, mesmo em funções equivalentes. Além disso, recebem 20% menos em média, com disparidades ainda maiores para mulheres negras. Estes fatores estruturais amplificam sentimentos de inadequação, ansiedade e frustração. Estratégias de prevenção incluem gestão de tempo, estabelecimento de limites, pausas regulares, apoio psicológico e práticas de autocuidado, fundamentais para preservar a saúde mental.
Crise dos 40, menopausa e hormônios
A fase dos 40 anos traz reflexões sobre vida pessoal e profissional, além de mudanças hormonais que afetam sono, humor e energia. A menopausa precoce, antes dos 45 anos, pode causar ondas de calor, insônia e irritabilidade, aumentando o risco de depressão e ansiedade. O etarismo e a sensação de invisibilidade agravam o impacto emocional. “Sentir-se sobrecarregada não é fraqueza, mas resultado de um sistema que cobra demais e valoriza pouco”, diz Fernanda. Cuidar-se envolve exercícios regulares, boa alimentação, controle do estresse, acompanhamento médico e práticas como mindfulness e respiração consciente. A autocompaixão ajuda a lidar com as mudanças com equilíbrio e serenidade.



Maturidade e envelhecimento: resiliência e autocuidado
Após os 50 anos, desafios como perda de entes queridos, aposentadoria, mudanças de corpo e solidão podem impactar o equilíbrio emocional. Mulheres idosas apresentam risco maior de depressão não diagnosticada, frequentemente mascarada por dores ou fadiga.
Fernanda observa: “Aceitar mudanças físicas e emocionais é tão importante quanto tratar doenças. O autocuidado se torna um ato de empoderamento”.
A rede de apoio e o autocuidado holístico
Ao longo de todas as fases, fatores como violência doméstica, desigualdade, pressão social e discriminação aumentam a vulnerabilidade psicológica. Construir redes de apoio — familiares, amigos e profissionais de saúde — é essencial. “Pausa não é fraqueza. Pedir ajuda é coragem. Reconhecer limites e cuidar de si é sobrevivência e amor-próprio”, reforça Fernanda.
O autocuidado contínuo envolve sono adequado, alimentação equilibrada, exercícios, lazer, práticas de mindfulness, terapia e acompanhamento médico. É uma abordagem holística, que considera o corpo, a mente e as relações, fortalecendo a resiliência feminina e permitindo enfrentar crises emocionais e transições de vida com equilíbrio.
Conexão com 50 Tons de Mulher
Fernanda se conecta diretamente com o Projeto 50 Tons de Mulher, pois valoriza a pluralidade feminina e entende o autocuidado de forma holística, envolvendo todos os aspectos do ser: físico, emocional, social e espiritual. Assim como o projeto, o trabalho dela reforça que cuidar da mente e do corpo não é luxo, mas necessidade.
O 50 Tons de Mulher oferece ferramentas, diálogo e informação para que mulheres se reconheçam em todas as fases da vida, promovendo autonomia, autoconfiança e bem-estar. A conexão entre o conhecimento médico, científico e a valorização da experiência feminina fortalece a mensagem de que é possível atravessar qualquer fase com equilíbrio, saúde e autenticidade.

Conectar, reconhecer e transformar
A saúde mental feminina deve ser encarada de forma ampla, preventiva e contínua. Ao compreender fases da vida, impactos hormonais, sociais e culturais, mulheres podem promover equilíbrio emocional, bem-estar e qualidade de vida.
"A jornada da mulher é marcada pelo cuidar dos outros, mas também pelo reconhecer a si mesma. Cada fase traz desafios, mas também oportunidades de se reinventar, fortalecer a autoestima e viver de forma mais leve e significativa."

