Saúde mental feminina: os desafios invisíveis das mulheres

Juliana Hamann - Psicóloga
Movida pela curiosidade em compreender as questões sociais e o comportamento das pessoas, Juliana Hamann decidiu, ainda na adolescência, seguir a psicologia. Durante a graduação e sua própria experiência em terapia, encontrou na saúde emocional feminina seu propósito. “Muitas das questões que me atravessavam eram as mesmas que percebia em outras mulheres. Esse reconhecimento me motivou a estudar mais sobre como nos tornamos mulher em nossa sociedade e como isso molda a forma como vivemos e sentimos”, conta.
Juliana atua na escuta e acolhimento de mulheres, refletindo sobre como padrões sociais impactam diretamente a saúde mental.
Pressões sociais e sofrimento emocional
Segundo a OMS, os transtornos de ansiedade são duas vezes mais comuns em mulheres. No Brasil, sete em cada dez pessoas com depressão ou ansiedade são mulheres.
“Existe uma cobrança constante para que a mulher siga um roteiro: casar, ter filhos, estar bonita. Quando não atende a isso, é punida socialmente. Esse peso pode gerar dilemas internos e muito sofrimento”, explica Juliana.
A pandemia agravou esse cenário: 45% das mulheres brasileiras apresentam algum transtorno emocional, principalmente ansiedade.
Autocuidado como fortalecimento
Para Juliana, autocuidado vai além da estética:
“Cuidar de si é encontrar práticas que geram prazer, descanso e energia. Esses momentos nos tornam mais capazes de fazer escolhas conscientes para viver a vida que desejamos”, afirma.
Mulheres com boa autoestima têm 35% mais chances de desenvolver resiliência emocional, segundo estudos recentes.
O papel de projetos coletivos
Projetos como o 50 Tons de Mulher, que unem prevenção física, saúde emocional e fortalecimento feminino, são fundamentais.
“É enriquecedor quando as mulheres podem compartilhar suas experiências e potencialidades. Espaços de acolhimento nos tornam mais seguras e sábias”, ressalta Juliana. Ela ainda lembra a importância de reconhecer todas as emoções, inclusive a raiva, ainda reprimida por muitas mulheres.
Mensagem final
“Existe uma estrutura social que se beneficia do seu cansaço. Compreender isso pode mudar a forma como você enxerga a sua vida. A psicoterapia é uma das ferramentas possíveis para viver de maneira mais saudável”, incentiva.
"Conhecermos a nós mesmas e o mundo em que vivemos é o ato mais corajoso e revolucionário que podemos ter."


