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50 Tons de Mulher Edição 205 - Outubro de 2025

Saúde mental feminina: os desafios invisíveis das mulheres


Juliana Hamann - Psicóloga

Movida pela curiosidade em compreender as questões sociais e o comportamento das pessoas, Juliana Hamann decidiu, ainda na adolescência, seguir a psicologia. Durante a graduação e sua própria experiência em terapia, encontrou na saúde emocional feminina seu propósito. “Muitas das questões que me atravessavam eram as mesmas que percebia em outras mulheres. Esse reconhecimento me motivou a estudar mais sobre como nos tornamos mulher em nossa sociedade e como isso molda a forma como vivemos e sentimos”, conta.
 

Juliana atua na escuta e acolhimento de mulheres, refletindo sobre como padrões sociais impactam diretamente a saúde mental.

 

Pressões sociais e sofrimento emocional

Segundo a OMS, os transtornos de ansiedade são duas vezes mais comuns em mulheres. No Brasil, sete em cada dez pessoas com depressão ou ansiedade são mulheres.
 

“Existe uma cobrança constante para que a mulher siga um roteiro: casar, ter filhos, estar bonita. Quando não atende a isso, é punida socialmente. Esse peso pode gerar dilemas internos e muito sofrimento”, explica Juliana.
 

A pandemia agravou esse cenário: 45% das mulheres brasileiras apresentam algum transtorno emocional, principalmente ansiedade.

 

Autocuidado como fortalecimento

Para Juliana, autocuidado vai além da estética:
 

“Cuidar de si é encontrar práticas que geram prazer, descanso e energia. Esses momentos nos tornam mais capazes de fazer escolhas conscientes para viver a vida que desejamos”, afirma.
 

Mulheres com boa autoestima têm 35% mais chances de desenvolver resiliência emocional, segundo estudos recentes.

 

O papel de projetos coletivos

Projetos como o 50 Tons de Mulher, que unem prevenção física, saúde emocional e fortalecimento feminino, são fundamentais.
 

“É enriquecedor quando as mulheres podem compartilhar suas experiências e potencialidades. Espaços de acolhimento nos tornam mais seguras e sábias”, ressalta Juliana. Ela ainda lembra a importância de reconhecer todas as emoções, inclusive a raiva, ainda reprimida por muitas mulheres.

 

Mensagem final

“Existe uma estrutura social que se beneficia do seu cansaço. Compreender isso pode mudar a forma como você enxerga a sua vida. A psicoterapia é uma das ferramentas possíveis para viver de maneira mais saudável”, incentiva.

 

"Conhecermos a nós mesmas e o mundo em que vivemos é o ato mais corajoso e revolucionário que podemos ter."

 

 

 






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