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Lindinha Edição 205 - Outubro de 2025

A força de Estela: moda, fé e superação


A capa desta edição da Lindinha apresenta uma menina que vai além da beleza e do estilo: ela traz consigo uma história de coragem e superação. Estela Anversa Treichel, de 12 anos, é filha de Alessandra Anversa e Alexandre Treichel, e irmã caçula de Eduarda.

 

A família viveu em 2025 um dos maiores desafios de suas vidas, em especial Estela, que precisou enfrentar uma doença rara. A menina alegre, estilosa e apaixonada por moda sonha em ser modelo e, no futuro, criar sua própria marca como estilista. Ela acompanha a mãe nos showrooms por diversas cidades, onde ajuda a escolher peças que chegam até a Pezinho de Anjo, a loja comandada por Alessandra e dedicada à moda infantojuvenil.

 

Além do talento e do carisma, Estela também se destaca na escola. Atualmente cursa o 6º ano do ensino fundamental no Colégio Ulbra São Pedro e já foi reconhecida como Aluna Destaque, no ano passado, quando concluiu o 5º ano com excelência. Em 2023 e 2024, foi ainda Rainha Infantil da Sociedade Rio Branco, um convite especial que evidenciou sua presença cativante e o reconhecimento da comunidade.

 

 

Quando os sinais apareceram

Tudo começou de forma discreta, no dia de uma prova. Estela, sempre dedicada, não conseguia segurar o lápis. A escola chamou a mãe, e Alessandra levou a filha para casa com a suspeita de uma crise de ansiedade.

 

Nos dias seguintes, os sinais se intensificaram: Estela passou a ter dificuldades para caminhar, apresentava espasmos nas pernas e movimentos involuntários. Em alguns momentos, chegou a disfarçar os sintomas para não abrir mão de acompanhar a mãe em compromissos que tanto amava, na ocasião um showroom de moda em Porto Alegre.

 

Preocupada, Alessandra levou a filha ao Hospital Santo Antônio, referência em pediatria na capital. Estela passou por avaliações e foi acompanhada de perto, mas os diagnósticos não se confirmavam. Somente no terceiro dia, após uma ressonância magnética, veio a resposta: hemangioma cavernoso, uma má-formação nos vasos sanguíneos do cérebro. Esses vasos podem se romper, causando pequenos sangramentos que afetam funções motoras e neurológicas. 

 

No exame, Estela apresentava oito hemangiomas grandes, e o sangramento já estava em fase de cicatrização. Esse detalhe foi providencial: se o exame tivesse sido feito no primeiro dia de internação, talvez o neurocirurgião optasse por uma cirurgia, que poderia ter deixado sequelas irreversíveis, como a paralisia de um lado do corpo.

 

“Deus é tão maravilhoso que cuidou de tudo no tempo dele, não no nosso. Muitas vezes a gente não compreende, mas Ele tem o melhor para nós”,
reflete Alessandra.

 


Um novo olhar para a vida

Antes do diagnóstico, Estela adorava ginástica artística e acrobacias. Hoje, os cuidados com a saúde a afastaram dessas práticas, mas abriram espaço para novas paixões, como a dança. Também foi liberada para jogar vôlei, esporte que adora, mas sem competir – apenas por diversão.


Com fé, dedicação e otimismo, Estela mostra que sua história não é de limitações, mas de redescobertas e que sua força e maturidade diante de momentos difíceis a transformam em inspiração para todos ao seu redor.

 

União e amor

Enquanto a cidade de Cachoeira do Sul se mobilizava em apoio e orações, a união dos Treichel-Anversa se fortalecia no hospital. O pai, agricultor, teve a máquina quebrada bem no meio da colheita – o que, naquele momento, acabou sendo providencial, permitindo que ele permanecesse em Porto Alegre com a família. A irmã mais velha também deixou seus compromissos em Pelotas para estar ao lado deles.

 

“Aprendi que a gente precisa ser forte e confiar, que tudo passa, pode ser um momento difícil, mas vai passar.”

 

Enquanto isso, seus sonhos seguem firmes: participar do concurso Broto Cachoeira, ser modelo, criar sua própria marca e trilhar uma vida de estilo, arte e inspiração. Mais do que capa de revista, Estela é exemplo de coragem e esperança.

 

“Às vezes a gente luta, corre, trabalha bastante para ter bens materiais, mas naquele momento tudo o que precisávamos cabia em um pequeno quarto de hospital: amor, fé e apoio uns dos outros”, lembra Alessandra.

 

Foram 10 dias de internação até que Estela pudesse retornar para casa. Medicada e com acompanhamento contínuo, ela recuperou os movimentos e voltou a sorrir.






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