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Entrevista Edição 71 - julho de 2013

Luz na passarela que LÁ VEM ELA!


Maquiagem extravagante, roupa glamourosa e muito brilho. Eis que surge Thabata Brondin, personagem vivido pelo maquiador Felipe Fagundes. Com 21 anos, o jovem, que é homossexual assumido, faz shows como drag queen. LINDA conversou com ele para saber o que acontece fora dos palcos, na vida real de quem decide encarar preconceitos e viver os sonhos que acredita.

 

Drag queen: Felipe vestido como seu personagem, a Thabata




Como surgiu a Thabata na tua vida?
“Eu morava em Porto Alegre e comecei a frequentar boates gueis e ver os shows de transformistas. Um dia comentei com um amigo que achava tudo aquilo fantástico e ele me disse que foi transformista, mas já estava aposentado. Aí me propôs seguir com o personagem que ele tinha criado. Assim, há cinco anos surgiu a Thabata Brondin na minha vida”.


A Thabata é um hobby ou trabalho?
“Hoje é um lazer, mas já foi trabalho. Durante a semana trabalhava como maquiador e nos fins de semana viajava para fazer shows. Era deste trabalho que saía o dinheiro para as contas da casa. Hoje não tenho mais pique para fazer tanto show e por isso só me apresento esporadicamente. Algumas vezes animo festas de amigos aqui na cidade por diversão”.


Como é o seu show?
“Nunca gostei de vulgaridade, como ficar quase pelado em palco. Sempre busco algo mais clássico e elaborado. A ideia inicial é quebrar o gelo nas festas e enturmar os convidados. Eu chego, converso, conto histórias e depois começo minhas performances de dublagem de artistas como Lysa Minelli e Sara Montiel. Também sou cômico, as pessoas dão muita risada. Fico sempre atento ao público, pois muitas vezes tem crianças e idosos e, nestes casos, faço algo mais sóbrio. As brincadeiras que faço com o público são bem engraçadas e quando as pessoas se dão por conta estão todas enturmadas e dançando juntas”.


Como driblar o preconceito de quem não entende o trabalho de uma drag queen?
“Não esquento mais a cabeça. Aprendi a ver na cara quando a pessoa gosta ou não. Nesse mundo, a gente tem que ser muito ‘atinado’ para não ser alvo de chacotas. Preconceito existe e creio que irá existir sempre, mas, enquanto um fala mal e debocha, no mínimo 10 ou 20 pessoas aplaudem e dão risada”.


Você já presenciou um ato de homofobia ou preconceito?
“Sim, aqui em Cachoeira! Tenho amigos travestis que têm de pagar até R$ 40,00 para entrar em uma boate onde ‘heteros’ pagam de R$ 10,00 a R$ 15,00! Em Cachoeira, ainda não tem espaço para drags, apesar de que a cidade está abrindo a cabeça. Até uma parada guei tivemos aqui, algo que parecia impossível de acontecer”.


Qual foi seu melhor e pior momento como drag queen?
“O melhor, sem dúvida, foi ganhar o título de Miss Diversidade do Rio Grande do Sul 2011/2012, onde conheci o governador Tarso Genro. Estive em todas as paradas gueis, seminários, conferências e eventos voltados à diversidade do estado. Já o pior momento foi entrar em uma loja feminina em Santa Maria para comprar um sapato e a vendedora me olhar dos pés à cabeça e dizer que não poderia me atender, pois só trabalhava com numeração até o 37, sendo que na vitrina tinha um 39 exposto. Nesse dia eu me senti um lixo, mas logo fiquei sabendo que ela havia saído da loja por ser mal-educada e preconceituosa”.


Mas você já namorou mulheres?
“Sou assumido desde meus 17 anos. Com mulheres, apenas tive namoricos de colégio. Nada sério! Não estou namorando”.


Como você se sente quando “incorpora” a Thabata?
“Realizado e feliz. Fui um dos maiores ativistas da causa guei do estado em 2011 e 2012 e continuo fazendo este trabalho na minha cidade. Nunca me senti mulher, me sinto um guei montado de mulher. Quando eu chego em casa o encanto termina e tudo volta a ser como antes”.



 

 

 

 

 

 

 

 

 

"Brilho, luxo, muita maquiagem, carismática e muito engraçada. Uma drag ou transformista nunca pode passar despercebida". Felipe Fagundes

 

 

 

 














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