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Do amor ao sexo Edição 128 - setembro de 2018

Por que é tão difícil dizer não numa relação a dois?

» Izabel Eilert (izabeleilert@terra.com.br)


Numa relação a dois, para muitas pessoas, não é assim tão fácil o posicionamento das próprias vontades e a condição de frustrar o parceiro naquilo que ele está desejando no momento. Geralmente, as pessoas não querem desagradar as outras numa relação a dois, não querem entrar em conflito. Querem ficar “numa boa”, mas ao mesmo tempo não querem ter que se submeter a tudo, ceder. Então, o que fazer? Como mostrar para o parceiro que não quer fazer algo no momento, que não quer aquilo?

Geralmente, aquele que não está com vontade ou desejo de determinado ato acaba ocupando o lugar do que frustra, “o castrador”, e o que insiste ocupa o papel do que pressiona.

O não, muitas vezes, pode parecer, para aquele que o recebe, uma rejeição à pessoa e não ao ato ou atitude. Como se a pessoa que dissesse o não estivesse dizendo “eu não te quero”, quando na verdade ela está dizendo “eu não quero tal coisa”, “eu não quero desta forma”, “eu não quero neste momento”. Para quem escuta, pode parecer muitas vezes ser um sinônimo de uma rejeição, mas para quem diz pode também não ser fácil.

Saber receber a negativa, principalmente em momentos de intimidade, é sinônimo de maturidade, bem como saber dizer não de uma forma adequada, não agressiva, também é sinônimo da mesma maturidade. O não deve ser dito de uma maneira amorosa, deixando claro que a negativa é à situação e não à pessoa.

Muitas vezes, a dificuldade de dizer não na relação a dois pode colocar a pessoa em um lugar quase de submissão à outra e aí ela deixa de ocupar o seu espaço na relação dual. Num casamento, numa relação afetiva a dois, sempre existem duas pessoas, ou seja, lugar para dois, desejo de dois, prazer de dois, opinião de dois. Estas duas pessoas devem existir na relação deste casal, pois, caso contrário, será uma relação em que um dos cônjuges terá que ter se submetido ou até mesmo, em alguns casos, ter desaparecido do relacionamento. São casos onde ambos se tornam infelizes, pois um acaba desaparecendo e o outro fica sozinho, emocionalmente falando.

Numa relação conjugal não cabe a força física, nem psíquica, nem submissão de forma alguma. Deve-se encontrar força interna para aguentar ouvir um não, se frustrar (por que não?), buscar saídas para o que não está bom naquela relação a dois...

A força deve ser sempre interna. Força daquele que está sendo ameaçado, intimidado, de alguma forma submetido, de denunciar, de pedir ajuda, de sair do papel de quem não tem direito, de ocupar um lugar saudável e livre numa relação a dois. Há também a força interna daquele que precisa aguentar ouvir o não para sustentar internamente a negativa.

Relações saudáveis emocionalmente são aquelas em que a opinião dos dois pode ser ouvida e respeitada, onde o desejo dos dois é levado em consideração.

Não tema dizer a sua opinião, não tema se posicionar com relação ao seu desejo, não tema ocupar o seu espaço no relacionamento, pois ele é seu. Ninguém está tirando nada de ninguém se der a sua opinião, muito pelo contrário, vai estar dando espaço a si mesmo, valorizando o seu lugar no relacionamento, se respeitando e tendo amor-próprio.



Psicóloga e terapeuta sexual
 






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