Do amor ao sexo Edição 114 - junho de 2017

Teu corpo TE PERTENCE

» Izabel Eilert (izabeleilert@terra.com.br)


Na evolução das sociedades ocidentais, as mulheres ocupavam posições submissas e posições sociais inferiores até o Século 20, e em algumas regiões, infelizmente, ainda até os dias de hoje. Parir, amamentar, cuidar dos filhos, cozinhar, gerenciar a casa e tratar dos idosos foram por muito tempo papéis e funções exclusivas das mulheres. Elas eram impedidas de tomar iniciativa na família, na cama, na sociedade, nos negócios e na política. Os homens é que tratavam dos negócios, da produção, da guerra e da política, sabiam ler e escrever, eram os provedores da casa e da família e determinavam na cama o ritmo e o estilo das relações sexuais.


A emancipação das mulheres desta submissão aniquiladora do seu papel na sociedade e na família, essencial para sua realização como pessoa e cidadã, é coisa recente, menos do que um século.

Mesmo no Século 21, o corpo da mulher, por incrível que pareça, ainda é tabu em muitas situações, parecendo como se não fosse “propriedade” sua, e pior, em algumas situações parecendo ser “propriedade masculina”. Alguns homens acreditam que por serem parceiros sexuais de uma mulher exercem algum poder ou têm alguma forma de propriedade sobre o corpo dela — grande engano. De nenhuma forma o corpo feminino pertence a alguém a não ser a própria mulher. Mesmo que sejam casados, que tenham uma união estável há muito tempo, que façam sexo de várias maneiras, ninguém tem o direito de obrigá-la, ameaçando física ou emocionalmente, a alguma prática sexual. Isto é abuso, e abuso é ilegal perante a lei. Apenas à mulher compete a forma, como e com quem compartilhar seu corpo, expressar seu prazer ou mostrá-lo.

É bastante comum vermos no atendimento clínico como as mulheres se queixam da insistência masculina em certas práticas sexuais, como, por exemplo, o sexo oral e muito mais o sexo anal. Essa insistência, mesmo com o manto de brincadeira ou um tom sedutor, não tem absolutamente nada de envolvente para a mulher, muito pelo contrário, muitas vezes é pura pressão em cima dela para uma prática a qual não desperta nenhum desejo. Insistir com essa prática é ir na contramão... Para qualquer prática sexual acontecer deve haver uma elevação da excitação, envolvimento emocional grande e, sempre, autorização dos dois. Se isso não existir, a chance dessa prática ser ruim e as vezes catastrófica é enorme.

Também é bastante importante que a mulher se aproprie do seu corpo emocionalmente e também conheça como ele funciona sexualmente. Em todo esse tempo de repressão, a mulher ficou impedida - de certa forma - de tomar conhecimento dos seus pontos erógenos e de saber como seu corpo funciona e reage a determinados estímulos e sensações. Uma maneira para que esse conhecimento aconteça é a masturbação, que é eficiente em permitir que a mulher conheça os pontos de excitação e como estimulá-los até obtenção do orgasmo. Compartilhar quais são esses pontos com o parceiro também é aconselhável, sendo algo que favorece para que o outro descubra o “mapa” íntimo da parceira. Nada melhor do que dizer onde gosta, como gosta, para facilitar ao outro esta busca e proporcionar maior prazer para si mesma.

Seja qual for ato, a prática erótica ou qualquer que seja o estímulo no corpo da mulher, ele deverá sempre ser feito com o consentimento dela. É sempre bom lembrar: teu corpo te pertence, mulher.
 
 

Psicóloga e terapeuta sexual






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