Do amor ao sexo Edição 80 - maio de 2014

NINFOMANÍACA

» Izabel Eilert (izabeleilert@terra.com.br)


O filme “Ninfomaníaca”, de Lars Von Trier, mostra a personagem Joe, vivida pela atriz Charlotte Gainsbourg, numa busca de sentir algo, não importa lá o que for. Esta eterna ambição é que faz com que a personagem tenha uma sexualidade tão exacerbada quando ainda jovem. Da mesma forma, o não sentir algo faz com que se arrisque cada vez mais, sem medir consequências, como se estivesse em uma busca ensandecida por algo vital que jamais encontrará - ao menos como da forma que sempre procurou.

Mais do que cenas de sexo, o filme revela o que é uma ninfomaníaca e todo o sofrimento emocional que está por trás desta patologia. Alguém gostar muito de sexo não é igual à compulsão sexual, onde passa-se muito tempo pensando ou fixada nas questões sexuais, como, por exemplo, masturbação e busca compulsiva de parceiros, consumo excessivo de materiais eróticos, como filmes e livros, permanência prolongada em sites eróticos e pornográficos, comprometendo diversos aspectos da vida, tais como: a família, a saúde, o convívio social, a relação conjugal e profissional.

Os portadores desta compulsão geralmente amedrontam os parceiros e dificilmente conseguem estabelecer relações afetivo/sexuais estáveis e duradouras.


CAUSAS

As causas podem vir de predisposições genéticas somadas a deficiências ambientais dos primeiros anos de vida, onde o cérebro é mais depende do meio externo e da qualidade das vivências afetivas.

COMO IDENTIFICAR

Na ninfomania, como em todas as compulsões, existe uma busca de alívio de afetos dolorosos e a regulação da consciência de si próprio. Não é igual a quem gosta muito de sexo ou atinge o orgasmo muitas vezes durante uma relação. O compulsivo apresenta pelo menos três destes itens:

. Duração longa e intensidade crescente do comportamento compulsivo;
. Tolerância diante à prática sexual cada vez mais exacerbada e frequente;
. Muito tempo e energia gastos em atividade para obter prazer sexual;
. Prejuízo das atividades cotidianas;
. Manter o comportamento, a despeito das consequências negativas;
. Sensação de abstinência quando evita a prática sexual.
(Fonte: Sexualidade humana e seus transtornos)

   
TRATAMENTO
Existe tratamento para as ninfomaníacas, com medicamentos e psicoterapia. Mesmo envolvendo sexo, que é para ser algo prazeroso, os compulsivos tem um sofrimento subliminar no significado e resultado desta prática. O vazio emocional tenta ser preenchido com o prazer sexual e, na impossibilidade de preencher tamanho vazio, a busca fica mais e mais se direcionando às consequências de muito sofrimento físico e emocional.


 

"Na ninfomania, como em todas as compulsões, existe uma busca de alívio de afetos dolorosos e a regulação da consciência de si próprio."





* Izabel é psicóloga e terapeuta sexual


 






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