Do amor ao sexo Edição 75 - novembro de 2013

Atenção às boas maneiras

» Izabel Eilert (izabeleilert@terra.com.br)


Estava em uma reunião quando uma colega disse o que considerei “uma pérola”: que devemos ter educação no sexo! Dali em diante não parei de pensar o que isso significava e fomos discutindo o tema. Divido com vocês algumas das reflexões.

As boas maneiras e a educação devem fazer parte da nossa vida, pois isso torna toda a convivência mais fácil, mas no sexo muitas vezes as pessoas “esquecem”, confundindo intimidade com poder abrir mão das boas maneiras. Perdoem-me a grosseria do exemplo, mas como ter tesão quando o parceiro diz que vai evacuar e já volta para o sexo ou dar um beijo em alguém que não escova os dentes há bastante tempo. Não tem desejo que resista!

Pensando em boas maneiras, o sexo pode ser comparado a uma festa. Vejam se não tenho razão:

Quando vamos receber alguém para jantar, deixamos a casa arrumada, nos arrumamos também, ficamos cheirosos, oferecemos coisas gostosas para comer, não somos grosseiros com as palavras, as piadas são adequadas, o álcool não é exagerado, tentamos deixar sempre um ambiente agradável. Bem, no sexo deve ser igual! Não é porque estamos casados há muitos anos que podemos dormir sem escovar os dentes ou com a camiseta mais velha que temos só porque é macia. Como é gostoso ver que a pessoa que nos recebe fez tudo aquilo para nós. Da mesma forma, no sexo é maravilhoso ver que o outro fez aquela delicadeza para deitar conosco ou colocou aquela roupinha nova ou ainda que baixou a luz do quarto para deixar um ambiente mais agradável. Pequenos gestos de boas maneiras devem sempre ser mantidos entre um casal, alimentando um ambiente educado, romântico e gentil.

Não é difícil, na prática da clínica, encontrar casais que se tratam de forma até grosseira nas palavras, ofendendo o(a) parceiro(a). Isso não deveria caber em uma relação deste tipo! Aliás, grosseria não cabe em lugar nenhum, muito menos com quem dividimos vida e cama. Isto é muito diferente daquelas vezes que, no calor de desejo, no ápice do tesão sexual, se ouve ou se diz algo como “minha cadela”, “meu cachorrão”. Mas, durante o dia a dia, isso não cabe. Não importa há quanto tempo se está junto, não podemos ser grosseiros com quem convive na mais completa intimidade. Usar as palavras certas nos momentos certos é sinal de boa educação.

Outros cuidados que devemos ter são com os gestos, os pequenos gestos, como tirar meleca do nariz, coçar o saco, os gases, o “número 2”, etc. Esses pequenos gestos podem tirar todo clima e tesão que alguém possa ter. Não ache que porque tem intimidade o outro não vai se importar de ver, porque vai. Então, mantenha a elegância e restrinja a sua intimidade. A higiene pessoal também deve sempre ser cuidada. Um corpo limpinho, bafinho bom na boca, cabelo com cheiro de xampu, tudo isso favorece o desejo. As boas maneiras, a educação no relacionamento, parecem com aquelas “frescuras” que poderiam ser dispensadas, mas que quando temos é tão bom e todo mundo gosta.

Não pense que relacionamentos e sexo se mantêm sem se fazer nada. Grande erro de quem pensa isso. Sexo, desejo e relacionamento precisam de estímulo por toda vida, de delicadezas, surpresas, educação em todos os aspectos e boas maneiras.




 

"As boas maneiras, a educação no relacionamento, parecem com aquelas “frescuras” que poderiam ser dispensadas, mas que quando temos é tão bom e todo mundo gosta."





* Izabel é psicóloga e terapeuta sexual

 






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