Do amor ao sexo Edição 68 - abril de 2013

Sexo sem rotina

» Izabel Eilert (izabeleilert@terra.com.br)


No início “tudo são flores”, parece que o desejo que sentem não tem como acabar. Qualquer hora, qualquer lugar é ótimo para se tomarem nos braços um do outro e se entregarem aos prazeres do sexo. Dizem-se tudo, não tem segredos um para o outro, juram que serão assim por toda vida...

Mas, com o passar dos anos, os relacionamentos se modificam tanto que eles, muitas vezes, ficam estranhos um ao outro. O sexo se torna algo difícil, passando até a ser um compromisso. Aquela liberdade que existia parece ter desaparecido. Passa, muitas vezes, a existir um clima como que de vergonha ou constrangimento entre o casal. E pensar que eles se despiam com a maior naturalidade um na frente do outro, falavam abertamente tudo e agora parece que tudo que dizem irrita.

No sexo se vê o reflexo direto disso, onde a frequência sexual de um casal se espaça. Eles se distanciam não só na cama, mas também no relacionamento amoroso e afetivo. Não significa, necessariamente, a existência de um caso extraconjugal. Apenas se perderam de si mesmos. Não vá se pensar que é porque não está mais tão em forma ou que o desempenho sexual já não é mais o mesmo dos 20 anos, nada disso. Sexo é muito mais o imaginário do que o físico. Se o desejo estiver em alta, o clima de tesão pode ser suficiente para manter um casal com uma vida sexual prazerosa.

O sexo está ligado à intimidade, e intimidade é algo que se constrói e se mantém. Costumo sempre dizer na prática terapêutica que “sexo se cuida”. Não tem como manter uma intimidade para sempre sem alimentá-la. Só o fato de o casal estar junto não faz com que a intimidade entre eles vá existir - isso eles tem que alimentar, nutrir e cuidar sempre.

A comunicação entre eles deve ser exercitada. Se estão pensando que isso é o óbvio, sim, parece que seria, mas os casais desaprendem a falar um com o outro e, quando percebem, já não sabem mais como fazê-lo. Então, mantenham um dia para sair, para conversar amenidades, (nada de discutir a relação), só o casal. Sei que é bem bom ter familiares e amigos convivendo com o casal, mas tirem um tempo só para vocês.

Manter um ritmo sexual também é fundamental para o casal permanecer conectado. Muito espaço entre as relações só faz com que fique mais difícil se conectarem intimamente de novo. Então, mantenham certa frequência. Não precisa ter tudo que envolve uma relação sexual, mas se toquem, se beijem, acariciem um ao outro. Falem o que gostam de uma maneira assertiva, e não cobradora (por exemplo: “Como eu gosto do jeito como você me beija”, e não: “Você não me beija nunca” – tem muita diferença!).

Também manter o erotismo é um bom recurso para o sexo não cair numa rotina enfadonha. Fazer algo novo, picante, uma surpresa... Uma roupinha diferente, uma mensagem insinuando o seu desejo, criar certa expectativa, falar de fantasias sexuais (sem esquecer que fantasias pertencem ao imaginário e não significa realizá-las), ver um filme erótico com cenas de sexo, topar fazer sexo num local diferente para quebrar a rotina... Tudo isso são recursos que o casal pode, e deve, usar para não deixar que o sexo empobreça e o desejo se apague. Então, vale a dica de que sexo se cuida, se renova, e isso é responsabilidade dos dois.


"Sexo se cuida, se renova, e isso é responsabilidade dos dois."





* Izabel é psicóloga e terapeuta sexual






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