Do amor ao sexo Edição 64 - novembro de 2012

Quantos “tons de cinza” tem a sua cama?

» Izabel Eilert (izabeleilert@terra.com.br)


O tão falado livro “Cinquenta tons de cinza”, da autora E. L. James, está mexendo com o imaginário de muita gente. São 40 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo.  Um livro que fala de sadomasoquismo, dominação e submissão no sexo.


Sei que falar de sexo é algo que ainda é tabu para muitos, e falar de sexo com dominação e algum sadomasoquismo é ainda mais complicado. Se junta a isso o fato de que quem escreveu é uma dona de casa, mãe de dois adolescentes... Parecia a combinação perfeita para dar errado ou, no mínimo, ser muitíssimo criticado. Mas ele explodiu nas vendas. As pessoas se identificaram de alguma maneira com ele. Tocou o imaginário de milhões. 


Não é um manual de sadomasoquismo (está longe disso), mas sim um livro que desperta os sentidos, que mexe com o imaginário. Tem romance, paixão e erotismo de sobra. E é exatamente isso que pode vir a estimular o erotismo.


Muitas mulheres dizem que, depois de lerem suas páginas, tiveram o desejo sexual aumentado. Claro que não é pelo perfil de sadomasoquismo que o livro tem, mas sim pela forma de relacionamento do casal, da entrega deles, da paixão, o desconhecido, o nível que o erotismo pode chegar entre eles. É este o ponto alto. É isso que chama a atenção.


Não precisa haver correntes ou chicotinhos para um casal ter um desejo quente, picante, como o do livro. Tem que ter o novo, que pode estar no imaginário ou numa intimidade grande entre o casal, proporcionando uma ampliação da percepção dos sentidos. Tudo isso pode deixar o erotismo num estágio maior e, assim, esquentar a relação de forma a renovar os prazeres, mudando os “tons da sua cama”.  O que a personagem fez foi se permitir sentir, no sentido mais amplo da palavra. E isso é algo maravilhoso para o sexo. O casal pode se permitir expandir suas sensações juntos, a medida em que os dois queiram e estejam confortáveis. Se “perder” nas sensações é fantástico, mas sem se perderem de si mesmos.


O corpo todo pode ter sensações muito interessantes e vale experimentar usando os sentidos: tato (quente /frio, áspero/suave...), olfato (cítrico, doce, amadeirado...), paladar (doce/amargo...), visão (erótica/insinuante...), audição (sussurros/gemidos...). Enfim, são muitas as opções que podem fazer o prazer sexual se ampliar, sem se perder em mundos tão diferentes ou desconhecidos. Se aventurando, conscientemente, em novas experiências, poderão ter estímulos para relações sexuais prazerosas e inovadoras.  Neste sentido, valem todos os “tons” que o casal quiser experimentar!

 

 

 

 

"Não precisa haver correntes ou chicotinhos para um casal ter um desejo quente, picante, como o do livro. Tem que ter o novo, que pode estar no imaginário ou numa intimidade grande entre o casal."





* Izabel é psicóloga e terapeuta sexual











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