Do amor ao sexo Edição 62 - setembro de 2012

Como falar de sexo com seu filho

» Izabel Eilert (izabeleilert@terra.com.br)


Esta é uma questão que muitos pais se programam para um dia fazê-lo, mas não sabem como e quando será o melhor momento para acontecer. Garanto que esse momento específico nunca chegará! Fala-se de sexualidade com os filhos desde que eles nascem. Sim, é isso mesmo! Quando estamos segurando o bebê, trocando suas fraldas, dando de mama, todos esses são momentos de prazer em que estamos deixando um registro mental dessa sensação. Esses momentos não têm um erotismo genital adulto, mas são extremamente prazerosos.

Também a forma com que lidamos com nosso próprio corpo e com nosso companheiro (se de forma natural e prazerosa ou de forma contida e rígida), tudo isso vai mostrando à criança se damos conta de lidar com a questão sexual ou não. Então aqui vão algumas dicas para que se possa ajudar os filhos a se formar de maneira saudável na sexualidade. Desde que eles nascem, falar de forma natural sobre os assuntos do corpo, sem vergonhas ou limitações de temas que eles queiram falar, mostrando que o corpo é algo bonito e prazeroso e que temos que respeitá-lo.

Nossa vontade de falar sobre sexo com os filhos deve ser contida! Temos que respeitar a maturidade emocional deles. Nada de “vamos ter um papo sobre sexo hoje”. Lidando de forma natural, desde cedo, ele poderá ter confiança e segurança de buscar as respostas para as dúvidas que virão no decorrer da vida, inclusive as dúvidas sobre sexo.

Outra coisa fundamental é nunca mentir. Sempre falar a verdade, nem que a verdade seja: “Não sei falar contigo sobre isso”. É muito melhor buscar uma leitura que fale sobre sexo para a idade desta criança ou uma madrinha, uma tia, até a professora para sanar a dúvida dela. Mas nunca se mente. Dizer o nome correto das partes do nosso corpo. Não nos referimos ao nosso braço, por exemplo, como nossa garra.  Por que o pênis teria, então, outro nome? Deve-se dizer os nomes corretos, como os nomes próprios, depois para os íntimos aparecem, naturalmente, os apelidos.

É comum a criança ter uma fase das dúvidas, lá pelos 7 anos: como nascemos, como se formam os gêmeos, como se faz o bebê? Para esclarecer essas questões, responda de forma curta e objetiva. Nada de aulas de sexo! A criança fixa as informações lentamente, um pouco por vez. Então responda aquilo e só aquilo que ela perguntar! Por exemplo:

Criança: como eu nasci?
Adulto: de parto normal (ou de cesariana).
Criança: por onde eu sai?
Adulto: pela vagina (ou pela barriga).
Criança: como eu entrei?
Adulto: papai e mamãe fizeram sexo.

Percebam que após cada resposta é colocado um ponto final. É para isso mesmo. Só responder o que a criança perguntou e ponto. Se ela quiser saber mais, se tiver maturidade para ir além, ela vai continuar a perguntar, até ter suas dúvidas sanadas. Respeite o limite da criança e o seu nível de maturidade. Cada um se desenvolve num ritmo, uma diferente da outra.

Se você não ajudar na formação da sexualidade do seu filho, também não atrapalhe, dizendo que é feio, nojento, que não se faz, etc. Dê a oportunidade dele descobrir o corpo como algo bonito e prazeroso, com respeito por si e pelo outro. Assim, com certeza, teremos muita chance de ter um adulto sexualmente feliz!



"Como nascemos, como se formam os gêmeos, como se faz o bebê? Para esclarecer essas questões responda de forma curta e objetiva."



* Izabel é psicóloga e terapeuta sexual





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