Do amor ao sexo Edição 61 - agosto de 2012

Sexo virtual faz seu estilo?

» Izabel Eilert (izabeleilert@terra.com.br)


Nesta sociedade em que vivemos, onde tudo é rápido, imediato e descartável, temos cada vez mais relações virtuais, que se estabelecem nos bate-papos, nas redes sociais tipo Facebook, Orkut, chats, enfim, o mundo virtual da internet. Mas e as relações virtuais que envolvem sexo, como será que é isso? Essas relações que começam num bate-papo e acabam na cama (ops), na can (câmera do computador), são consideradas relações sexuais? São traições? Quem tem um casamento e usa o sexo virtual pode-se considerar que trai?

Essas questões da modernidade estão invadindo cada vez mais os relacionamentos e os consultórios. Os casais parecem não estar preparados para lidar com as consequências deste mundo virtual na vida real. Ter um momento de prazer, seja olhando uma revista, uma cena num filme ou algo virtual, não parece algo que venha a desestabilizar uma relação conjugal. Mas temos que ver qual o contexto disso: onde está a outra parte deste casal? Está inclusa nesse erotismo? Optou por não querer aquele tipo de estímulo e fica bem com o fato do outro se estimular dessa forma? Como o casal vê esse recurso da internet?

Vejam que chamei de recurso, pois é um tipo de erotismo que pode fazer parte do erotismo individual ou do casal, mas nunca algo excludente, onde uma das partes fique de fora, em que esse erotismo seja como um terceiro elemento. Mesmo que virtual, ao meu ver,é um terceiro elemento e aí a relação a três sempre corre um grande risco. O sexo virtual é algo que inclui, sim, pessoas do “outro lado” do computador. Elas existem, mesmo que possamos desligar o computador a qualquer instante, ou seja, desligar de quem estamos nos relacionando, a qualquer momento, sem nos importarmos com ela (o que a meu ver é algo grave, pois pessoas não são descartáveis).

A modernidade precisa se dar também na cama, claro! Renovando o erótico, apimentando o sexo, criando novas formas. Tudo isso são ferramentas que fazem com que o sexo de um casal se mantenha bem. Mas se o erotismo foi para a internet, separando este casal, então alguma coisa não está bem com essa dupla. A internet e qualquer recurso erótico, se feito a dois, pode ser ótimo se os dois gostarem, tiverem a fim e acharem que está bom! Mas quando um fica de fora, então aí já se criou um ponto de desequilíbrio nesse casal e a chance de algo dar errado será grande.

Para aqueles que são solteiros, nunca os encontros estiveram tão fáceis de acontecer, bem como para os tímidos. Pois na internet existe uma tendência de idealização, os defeitos são minimizados e parece que ali todo mundo é príncipe e princesa, só é mostrado o que se tem de bom, nada de falar dos defeitos e muito menos de mostrá-los. Fica tudo num mundo virtual idealizado! Para os ansiosos, os temerosos e inseguros, a internet passou a ser muito mais um esconderijo do que um local de encontros.

E tem ainda os riscos dessas imagens irem parar no computador de sabe-se lá quem, como ocorreu recentemente com a atriz Carolina Dieckmann, que teve suas imagens circulando, literalmente, pelo mundo todo. Algo que a princípio era para ser íntimo passou a ser público. Então, cuidado ao lidar com o mundo virtual, ele não é tão reservado e seguro assim.

Mas por que será que está tão difícil as pessoas poderem sentir, esperar, conquistar, se frustrar? Que necessidade é esta de prazer imediato? Onde está a capacidade do ser humano de se envolver afetivamente e vivenciar as experiências que o amor e as relações afetivas podem gerar? E por mais demorado que seja, sofrido em muitos casos, impossível em outros, nada supera os relacionamentos vivenciais. Pois nenhum olhar virtual substitui o olho no olho, nenhum sexo virtual supera o sexo pele com pele, nenhum príncipe da internet beija a princesa. E se beijar, deixou de ser virtual e passou a ser real... Bem, aí é a vida real.



"Mas e as relações virtuais que envolvem sexo, como será que é isso? Essas relações que começam num bate-papo e acabam na cama (ops), na can (câmera do computador), são consideradas relações sexuais?"



* Izabel é psicóloga e terapeuta sexual





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